. “Dizendo: Caiu, caiu Babilônia”. Que isto signifique a danação e a destruição daqueles que transferiram para si a autoridade Divina do Senhor vê-se pela significação de ‘caiu, caiu’, que é que foram condenados e inteiramente destruídos; e pela significação de ‘Babilônia’, que são aqueles que transferiram para si a autoridade Divina do Senhor. Diz-se ‘caiu, caiu’ porque se trata da Babilônica como cidade, mas, como pela ‘Babilônia’ se entendem aqueles que transferiram para si a autoridade Divina do Senhor, e pela ‘grande cidade’ se entendem todas as coisas da doutrina deles, então por ‘cair’ é significado ser destruído. Assim, ‘cair’ em ser destruído, segundo a atribuição do sujeito. O que significa ‘Babilônia’ em geral e em particular dir-se-á abaixo (nos cap. 17 e 18), onde se tratará da Babilônia e de sua destruição. Neste versículo se trata da Babilônia, e nos quatro seguintes se trata da besta do dragão, e, depois, até o fim deste capítulo, da devastação da igreja em geral. A razão por que se trata da Babilônia e da besta do dragão é porque na sequência se trata da devastação da igreja, primeiro em geral e depois em particular, e, finalmente, do juízo final.
[2] Mas, a respeito da devastação da igreja, isto deve-se antecipar o seguinte: toda igreja, em seu princípio, está no amor de praticar os bens e no amor de conhecer os veros, mas, no decorrer do tempo, ela é devastada quanto aos bens e quanto aos veros, a ponto de não haver mais bem algum nem vero algum na igreja. Ela é devastada primeiramente pelo amor de governar pelas coisas santas e, sucessivamente, sobre as almas dos homens, e finalmente sobre o céu e sobre o Senhor mesmo. Isto, no Apocalipse, é representado pela ‘Babilônia’ e pela ‘meretriz sentada sobre a besta escarlate’. Em segundo lugar ela é devastada pela fé separada da caridade, assim, dos bens da vida e, finalmente, pela fé só, na qual nada há do vero. Isto, no Apocalipse, é representado pelo ‘dragão’ e por ‘suas duas bestas’. É nesses dois que terminam as coisas primitivas da igreja, que, como foi dito, eram o amor de praticar os bens e o amor de conhecer os veros. Quando terminam nisso, a igreja está devastada. O amor de praticar os bens é sucessivamente mudado em amor de praticar os males, aos quais eles chamam bens; e o amor de conhecer os veros é mudado em amor de conhecer os falsos, aos quais eles chamam veros.
[3] Naqueles que são representados pela ‘Babilônia’ todo bem da igreja é adulterado e, daí também, todo seu vero, pois um segue o outro. Mas naqueles que são representados pelo ‘dragão’ todo vero da igreja é falsificado e, daí também, todo seu bem, porque um segue o outro. Isto acontece com os reformados, que aceitaram a fé, só, como o essencial da igreja, e aquilo nos católicos, que fizeram o domínio sobre as coisas santas do céu o essencial da igreja. De que maneira, porém, a fé, só, devastou a igreja, mostrou-se acima, onde se tratou do ‘dragão’ e de ‘suas duas bestas’. E de que maneira o domínio sobre as coisas santas do céu devastou a igreja dir-se-á abaixo, nos cap. 17 e 18. Por aí agora se pode ver de onde procede que neste versículo se diz da ‘Babilônia’ e nos quatro seguintes da ‘besta do dragão’, e daí até o fim deste capítulo, da destruição da igreja em geral, e, depois (cap. 15 e 16), da devastação da igreja em particular.
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