. [Vers. 10] “Esse também beberá do vinho da ira de Deus, misturado com o vinho puro no copo de Sua inflamação”. Que isto signifique a apropriação do falso e, daí, do mal, conjuntos aos veros falsificados do sentido da letra da Palavra vê-se pela significação de ‘beber’, que é imbuir e apropriar-se) de que se tratou acima, n. 617); pela significação de ‘vinho’, que é o vero do bem e, no sentido oposto, o falso do mal (de que se tratou acima, n. 376); pela significação de ‘ira’ que é o mal, pois este se ira com o bem e quer a destruição deste [de que se tratou nos n. 693 e 754); diz-se “ira de Deus”, mas entende-se a ira contra Deus, assim como em muitas passagens onde se atribuem a Deus ira, a inflamação e o mal em geral (vide o n. 481, final, e 647); aqui, pois, ‘beber o vinho da ira de Deus’ significa imbuir-se e apropriar-se do falso e, daí, do mal; que imbuir-se e apropriar-se do mal se faça pela fé separada das boas obras é porque quando os bens da vida, que são as boas obras, são separados como se não fossem justificantes, assim, não salvíficos, então no lugar deles sucedem os males, pois quanto mais os bens se afastam, mais os males entram, porque ‘ninguém pode servir a dois senhores, a saber, o mal e o bom ao mesmo tempo; pela significação de ‘misturado com o vinho puro’, que é conjunto aos veros falsificados, de que se tratará a seguir; pela significação de ‘copo’, que é o externo que contém os veros, assim, a Palavra no seu sentido da letra, porque, quando o ‘vinho’ significa o vero, o ‘copo’ significa o seu continente, e o sentido da letra da Palavra é o continente do vero, tanto natural quando espiritual; (que o ‘copo’ signifique o mesmo que o ‘vinho’, assim, o conteúdo, e o que também seja o continente, pode-se ver pelas passagens na Palavra onde se nomeiam ‘copo’, ‘cálice’, ‘scyphus’ [???] e ‘vaso’, que serão citados na explicação dos capítulos 16 e 17, na sequência). Como o ‘copo’ significa o externo ou o continente do vero, assim, o sentido da letra da Palavra, e este é falsificado por aqueles que estão na doutrina e ao mesmo tempo na vida da fé separada, por isso se diz ‘copo da inflamação de Deus’. Aqui se dizem ‘ira’ e ‘inflamação’ de Deus, como em muitas outras passagens na Palavra, e pela ‘ira’ se entende o amor e a cobiça do mal no homem, e pela ‘inflamação’ o amor e a cobiça do falso nele, porque ‘ira’ se diz do mal, ‘inflamação’ se diz do falso (a este respeito, vida alguma coisa acima, n. 481, no fim). Por aí é pelo ‘vinho misturado ao vinho puro no copo da inflamação de Deus’ significa a conjunção com os veros falsificados do sentido da letra da Palavra. [2] Que o ‘vinho puro misturado’ significa conjunto aos veros falsificados da Palavra é porque pelo ‘vinho puro’ se entende o vinho que embriaga e, assim, também a embriaguez; por conseguinte, no sentido espiritual, o delírio nos veros por meio dos falsos, pois o delírio nos veros pelos falsos é a embriaguez espiritual. A mesma palavra que exprime ‘vinho puro’ na língua original é derivada da palavra que significa embriagar-se. Como isto é significado pelo ‘vinho puro’ e aqueles que falsificam a Palavra são espiritualmente embriagados, isto é, em delírio quanto aos veros, por isso nas duas passagens na Palavra onde se nomeia ‘vinho puro’ se trata da falsificação do vero, como em Isaías e em Oséias: [3] Em Isaías: “Como se tornou meretriz a cidade fiel, cheia de juízo; a justiça pernoitava...; agora, porém, os homicidas. A tua prata se tornou escórias, o teu vinho puro misturado com águas” (Is. 1:21, 22); pela ‘meretriz’, na Palavra, é significado em toda parte o vero falsificado (vide acima, n. 141 e 161), e pela ‘cidade’ é significada a doutrina; daí, ‘tornou-se meretriz a cidade fiel’ significa que a doutrina, que antes fora a doutrina do vero genuíno, tornou-se doutrina do vero falsificado; ‘cheia de juízo, a justiça pernoitava’ significa onde houve o vero da doutrina e o bem do amor em abundância, pois ‘juízo’ na Palavra se diz do vero da doutrina e do entendimento, e ‘justiça’ se diz do bem do amor e da vontade; ‘agora, porém, os homicidas’ significa que a falsificação extinguiu o entendimento do vero e a percepção do bem; (que isto seja significado pelo ‘homicida’ vide acima, n. 589); ‘tua prata se tornou escórias’ significa que o vero genuíno foi convertido em falso; ‘teu vinho puro misturado com águas’ significa o vero que se tornou vil e destruído por sua falsificação. [4] Em Oséias: “Efraim se associou aos ídolos. Deixa-o. Retirou-se o vinho deles; escortando cometeram escortação; amaram” (Os. 4:17, 18); por ‘Efraim’ é significado o entendimento do vero da igreja; pelos ‘ídolos’ são significados os falsos da religião; daí é evidente o que é significado por ‘Efraim associou-se aos ídolos’; ‘deixa-o’ significa a rejeição dos falsos dessa religião pela igreja; ‘retirou-se o vinho deles’ significa que o vero da Palavra pereceu; ‘escortando cometeram escortação’ significa a sua falsificação; ‘amaram’ significa o amor do falso. Por aí é evidente agora o que em particular é significado pelo ‘vinho puro’.