. [Vers. 11] “E a fumaça do tormento deles subirá nos séculos dos séculos”. Que isto signifique o denso falso que os entorpece e que flui continuamente dos seus amores vê-se pela significação de ‘fumaça’, que é o denso falso exalando dos infernos a partir dos males dos amores terrestres e corpóreos que há com os que estão ali (de que se tratou acima, n. 539); pela significação de ‘tormento’, que é o caráter medonho do inferno, assim, o inferno (de que se tratou logo acima, n. 888); pela significação de ‘subir’, que é entorpecer e emanar (de que se tratará a seguir); e pela significação de ‘nos séculos dos séculos’, que é continuamente. (Pelo ‘séculos dos séculos’ é significado propriamente o eterno ou sem fim, mas, no sentido espiritual, que não tem ideia de tempo, é significado o estado interior que reina continuamente). Daí é evidente que ‘a fumaça do tormento deles subirá nos séculos dos séculos” significa o denso falso que entorpece e emana dos seus amores continuamente. [2] Que um denso falso os entorpeça e emane deles decorre do fato de que cada um é o seu vero ou o seu falso, porque é o seu amor. Com efeito, todas as coisas que o homem pensa interiormente ou em seu espírito procede de seu amor, e todas as coisas que o homem pensa se referem ou aos veros ou aos falsos. Daí é que o homem é ou o seu vero ou o seu falso. E, o que ainda é um arcano, o homem é ou o seu vero ou o seu falso não somente quanto aos pensamentos que vêm de sua vontade, mas também quanto a todo o corpo, pois o corpo, com todos os seus órgãos, vísceras e membros, é o campo no qual os pensamentos oriundos da vontade escorrem e se espalham. Daí é que todo o homem, quanto a todas as suas coisas, tanto as interiores quanto as exteriores, é o seu amor e, assim, ou o seu vero ou o seu falso (sobre este assunto se veem várias coisas nos n. 775 e 837). [3] Que o vero ou o falso que vêm dos amores entorpeça o homem e também emane dele pode-se ver pelo fato de que todas as coisas que há no mundo, tanto as animadas quanto as inanimadas, espalham de si uma esfera que às vezes é sentida de longe; por exemplo, a dos animais nas florestas, que os cães farejam aguçadamente e, farejando, perseguem passo a passo; também a dos vegetais nos jardins e florestas, os quais projetam uma esfera odorífera a toda parte; semelhante do humo e de seus vários minérios; mas essas exalações são exalações naturais. Ocorre semelhantemente no mundo espiritual; de cada espírito e anjo emana uma esfera de amor e, daí, uma esfera de seu vero ou falso, e isto em toda parte ao redor. Por aí é que os espíritos podem ser conhecidos quais são somente pela esfera espiritual que se projeta deles, e segundo essas esferas eles têm conjunção com as sociedades que estão em semelhantes amores e, daí, em semelhantes veros ou falsos; os que estão no amor do bem e, daí, do vero, com as sociedades do céu, e os que estão no amor do mal e, daí, do falso, com as sociedades do inferno. [4] Posso asseverar que não existe um pensamento sequer, do espírito e também do homem, que não se comunique por essa esfera com alguma sociedade. O homem ainda ignora que isto é assim, mas é o que ficou evidente para mim por mil experiências no mundo espiritual. Por isso, também, quando os espíritos são examinados quanto ao que eles são, investiga-se para onde os pensamentos deles se espalham, e daí se conhece com que sociedades eles foram conjuntos e, assim, quais eles são; os maus com as sociedades do inferno, e os bons com as sociedades do céu. Disto também ficou evidente para mim que, assim como o olho recebe a qualidade de sua visão dos objetos no mundo natural segundo as suas determinações, assim o entendimento recebe a qualidade de seus pensamentos dos veros, que são os seus objetos, no mundo espiritual, também segundo as suas determinações. E, assim, que o homem não pensa a mínima coisa por si, mas ou pelo inferno ou pelo céu, e pensa segundo a determinação das afeições que pertencem ao seu amor. Na determinação reside o seu livre. [5] Essas coisas foram ditas para que se saiba de que modo se deve entender que um denso falso os entorpece e emana deles. O falso que emana dos infernos onde eles estão é sentido manifestamente por todos os que não estão nos falsos, quando eles andam acima dos infernos. Esses falsos às vezes aparecem à vista como uma fumaça de incêndios ou de fornalhas, às vezes como nuvens negras, às vezes como águas negras e fétidas, às vezes como odores imundos. Mas, para que os infernos não firam demais as narinas e prejudiquem os interiores de outros espíritos, eles foram cobertos com terras negras e, onde reinam as persuasões do falso, com rochas e, em geral com cascalho e terra estéril, e assim são fechados, mas os falsos do mal continuamente transpiram. Por aí é agora evidente de onde procede que pela ‘fumaça’, na Palavra, são significados os falsos dos males.