AE 907

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “Tendo sobre a Sua cabeça uma coroa de ouro”. Que isto signifique o Divino Bem preparado para o juízo vê-se pela significação da ‘coroa de ouro’ sobre a cabeça, que aqui é o Divino Bem cingido para o juízo, porque no que segue agora se trata da separação dos bons de entre os maus, separação essa que precedeu o juízo. Assim o ‘Filho do homem’, por Quem se entende o Senhor quanto ao Divino Vero ou Palavra, preparou[-Se] para separar os bons de entre os maus e fazer em seguida o juízo. Que isto se entenda pela ‘coroa de ouro sobre a cabeça do Filho do homem’ pode-se ver pelos reis entre os filhos de Israel e também entre os antigos, reis que representavam o Senhor e que, preparados para a guerra, usavam nos combates coroas de ouro (de que se vê acima, n. 553). A razão era porque os reis representavam o Senhor quanto ao Divino Vero e este procede do Senhor conjunto ao Divino Bem. Por isso, para que isto fosse representado, os reis usavam coroas de ouro, pois o ‘ouro’ significa o bem (vide acima, n. 242). Que a ‘coroa de ouro’ signifique o bem e a sabedoria daí, e que sejam os veros que são coroados, vê-se também acima (n. 272).
[2] O arcano que se encerra aí é que o Divino Bem a ninguém julga, mas, sim, o Divino Vero. A razão disso é que o Divino Bem ama a todos, e atrai o homem para o céu tanto quanto ele o siga, enquanto o Divino Vero separado do Divino Bem condena a todos e julga para o inferno. Portanto, para que não fossem todos condenados e julgados para o inferno, mas que o Divino Bem moderasse e elevasse ao céu tanto quanto possível, por isso havia uma coroa de ouro sobre a cabeça, pela qual é significado o Divino Bem preparado para o juízo, a saber, para moderar. Que o Divino Bem a ninguém julgue, mas, sim, o Divino Vero, entende-se por estas palavras do Senhor:
“O Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho... o juízo” (Jo. 5:22);
por ‘Pai’ entende-se o Divino Bem, e por ‘Filho’ o Divino Vero. (Que por ‘Pai’ se entenda o Divino Bem vê-se acima, n. 200 e 254; e que por ‘Filho’ se entenda o Divino Vero, n. 63, 151 e 724). Também por estas:
O Pai deu o Filho “para fazer o juízo, porque é o Filho do homem” (Jo. 5:27);
por ‘Filho do homem’ é significado o Divino Vero (vide também acima, n. 778).
[3] Mas deve-se entender que o Senhor a ninguém julga pelo Divino Vero, mas o Divino Vero considerado em si mesmo julga o homem que não o recebe, mas o rejeita, como se pode ver claramente por essas palavras do Senhor:
Jesus disse: “Se alguém ouve as Minhas palavras, mas não crê, Eu não o julgo, pois não vim para julgar o mundo, mas para salvar o mundo; quem Me despreza, e não recebe as Minhas palavras, esse tem quem o julgue, a Palavra que Eu falo; ela o julgará no derradeiro dia” (Jo. 12:47, 48; também Jo. 3:17).
por ‘Palavra’ entende-se o Divino Vero, pois este está na Palavra e é a Palavra; que ela considerada em si mesma, e não o Senhor por ela, há de julgar o homem, é claramente evidente pois o Senhor diz: ‘Eu não o julgo, pois não vim para julgar o mundo, mas para salvar o mundo’. Que o Senhor mesmo não julgue é porque Ele é o Divino Amor e é o Divino Bem unido ao Divino Vero, e este não pode ser separado daquele, pois são um só. E o Divino Bem a ninguém julga, mas salva, como foi dito acima. Assim também o Divino Vero, que procede do Senhor unido ao Divino Bem. Que em João seja dito que ‘o Filho do homem foi dado para fazer o juízo’ deve-se entender como o que é dito a respeito d’Ele, que ‘Se ira’, e ‘Se inflama’, ‘lança no inferno’, quando, todavia, o Senhor não fica irado com ninguém nem lança no inferno, mas o homem a si mesmo (sobre este assunto vide, na obra O Céu e o Inferno, os n. 545-550). Assim também, o desprezo e a rejeição do Divino Vero, consequentemente, o falso do mal, julgam o homem, portanto, o homem a si mesmo.
[4] De que modo o Divino Vero considerado em si mesmo julga o homem dir-se-á também. O homem que estão nos falsos do mal, pelo desprezo e pela rejeição do Divino Vero, está no ódio contra o Divino Vero e se abrasa por destruir qualquer um que esteja no Divino Vero pelo Senhor. Quando se esforça para isso, ele é como alguém que se lançasse no fogo, ou como alguém que batesse a face contra uma rocha; não que o fogo seja a causa, ou a rocha, mas o homem que faz isso. Pois a coisa é tal que o Divino Vero nunca luta contra o falso do mal, mas este luta contra o Divino Vero; por conseguinte, o céu nunca luta contra o inferno, mas este contra o céu.

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