AE 911

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “Lança a Tua foice e ceifa, porque veio para Ti a hora de ceifar, pois secou{-se} a seara da terra.” Que isto signifique que é tempo de recolher os bons e de separá-los dos maus, porque é o fim da igreja, vê-se pela significação de ‘lançar a foice’, que é recolher os bons e separá-los dos maus (de que se tratará a seguir); pela significação de ‘veio a hora de ceifar’, que é o tempo de fazer isso; e pela significação de ‘porque secou{-se} a seara da terra’, que é porque é o último estado ou fim da igreja, pois ‘seara’ significa o último estado ou o fim, e ‘terra’ significa a igreja. Por aí é evidente que ‘lança a Tua foice e ceifa, porque veio para Ti a hora de ceifar, pois secou{-se} a seara da terra’ significa que é tempo de recolher os bons e separá-los dos maus, porque é o fim da igreja. Que ‘lançar a foice e ceifar’ signifique recolher os bons e separá-los dos maus é porque pela ‘seara da terra’ é significado o último estado da igreja, quando chega o juízo final, e os maus são lançados no inferno e os bons elevados ao céu, e assim são separados.
[2] Que o recolhimento, a separação e o juízo final não se façam antes pode-se ver pelo que foi dito no opúsculo Do Juízo Final, e que serão ditas mais amplamente no apêndice a este livro, o que está contido em sumário nas palavras do Senhor em Mateus:
Jesus disse esta parábola: “O reino dos céus se fez semelhante a um homem que semeia boa semente em seu campo; mas, quando os homens dormiram, veio o seu inimigo e semeou joio... e se foi. Mas, quando germinou a erva, e deu fruto, então apareceu também o joio. Aproximando-se... os servos do pai de família, disseram-lhe: Senhor, não semeaste boa semente em teu campo? Donde, pois, tem joio? Mas ele lhes disse: O inimigo fez isso. Mas os servos lhe disseram: Não queres, pois, que, indo, o colhamos? Ele, porém, disse: Não, para que talvez colhendo o joio, arranqueis junto com ele o trigo; deixai crescer um e outro até à ceifa, e no tempo da ceifa direi aos ceifeiros: Recolhei antes o joio, e recolhei-o em feixes para ser queimado... o trigo, porém, ajuntai no meu celeiro. ... E aproximaram-se d’Ele os Seus discípulos, dizendo: Explica-nos a parábola do joio do campo. Ele... respondendo, disse-lhes: Quem semeia a boa semente é o Filho do homem, mas o campo é o mundo; a semente, porém, são os filhos do reino, e o joio são os filhos do maligno; mas o inimigo que o semeia é o diabo; a ceifa, porém, é a consumação do século, e os ceifeiros são os anjos. Portanto, assim como é recolhido o joio e queimado no fogo, assim será na consumação do século. O Filho do homem enviará os Seus anjos, os quais recolherão do seu reino todos os escândalos... os que praticam iniquidade, e os lançarão numa fornalha de fogo, onde haverá choro e ranger de dentes. Então os justos resplandecerão como sol no reino do Pai” (Mt. 13:24-30, 36-43).
Por esta parábola o Senhor ilustra todas as coisas que se dizem neste capítulo do Apocalipse (do vers. 14 ao 19) a respeito do Filho do homem tendo na Sua mão a foice e ceifando, e que por Ele e pelos anjos a terra foi a ceifada, pois é ensinado que pelo ‘Semeador’ se entende o Senhor, que aí é também chamado de ‘Filho do homem’; que pelos ‘ceifeiros’ ou ‘os que ceifam’ se entendem os anjos; que ‘o joio será lançado numa fornalha de fogo’ e ‘a boa semente recolhida no celeiro’; e que tais coisas não sucederão senão antes da ‘consumação do século’, pela qual é significado o último estado da igreja, a fim de que ‘o trigo não seja arrancado juntamente com o joio’.
[3] Como essa parábola do Senhor contém em si arcanos a respeito da separação entre os maus e os bons, e a respeito do juízo final, importa que seja explicada em detalhes. Pelo ‘reino dos céus’ é significada a igreja do Senhor nos céus e nas terras, pois a igreja está em ambos; pelo ‘homem que semeia a boa semente no seu campo’ entende-se o Senhor quanto ao Divino Vero, que á Palavra, na igreja; o ‘homem’, que na sequência é chamado de ‘Filho do homem’, é o Senhor quanto à Palavra, a ‘boa semente’ é o Divino Vero e o ‘campo’ é a igreja onde há a Palavra; ‘quando os homens dormiram, veio o seu inimigo e semeou o joio, e se foi’ significa que quando os homens vivem a vida natural ou a vida do mundo, então os males do inferno, secretamente ou sem que os homens saibam, insinuam e implantam os falsos; ‘dormir’ significa viver a vida natural ou a vida do mundo, vida essa que é um sono em relação à vida espiritual, que é a vigília; o ‘inimigo’ significa os males do inferno, que afetam essa vida separada da vida espiritual; ‘semear o joio’ significa insinuar e implantar os falsos; ‘e se foi’ significa que isto foi feito secretamente ou sem que os homens saibam; ‘quando, porém, germinou a erva e deu fruto, então apareceu também o joio’ significa que quando o vero aumenta e o bem é produzido, os falsos do mal estão misturados; a ‘erva germinando’ significa o vero tal como é tão logo é recebido, o ‘fruto’ significa o bem, o ‘joio’ significa os falsos do mal, aqui, misturados aos veros.
[4] “Aproximaram-se os servos do Pai de família [e] disseram-lhe: Senhor, não semeaste boa semente em teu campo? Donde, pois, tem joio?” significa aqueles que estão nos veros do bem, percebendo que havia falsos do mal misturados, e indagando; ‘os servos do Senhor’ significam aqueles que estão nos veros do bem, o ‘Pai de família’ significa o Senhor quanto aos veros do bem (‘o Pai’, Ele quanto ao bem, e ‘de família’, Ele quanto aos veros); a ‘boa semente’, ‘o campo’ e ‘o joio’ significam as mesmas coisas que acima. “E disse-lhes: O inimigo fez isso’ significa que esses falsos eram derivados do mal no homem natural; ‘mas os servos disseram-lhe: Senhor, queres que, indo, colhamos o joio?’ significa a separação e a ejeção dos falsos do mal, antes que os veros do bem sejam recebidos e aumentem; ‘Ele, porém, disse: Não, para que talvez colhendo o joio, arranqueis junto com ele o trigo’ significa que assim também pereceria o vero do bem e o seu incremento, pois no homem da igreja os veros são misturados aos falsos, e os veros não podem ser separados e o falsos expulsos antes de os homens serem reformados.
[5] ‘Deixai crescer um e outro até à ceifa, e no tempo da ceifa direi aos ceifeiros: Recolhei antes o joio, e recolhei-o em feixes para ser queimado... o trigo, porém, ajuntai no meu celeiro’ significa que a separação dos falsos do mal, e a sua ejeção, não pode ser feita senão quando for o último estado da igreja, porque então os falsos do mal são separados dos veros do bem, e os falsos do mal são lançados no inferno e os veros do bem são conjuntos ao céu, ou, o que é o mesmo, os homens que estão neles. Tais coisas se fazem no mundo espiritual, onde todos os que são da igreja, desde o princípio até o seu fim, são desse modo separados e julgados; pela ‘ceifa’ é significado o ou o último estado da igreja; por ‘recolher em feixes’ é significado ajuntar cada uma das espécies de falsos do mal; por ‘queimar’ é significado lançar ao inferno, e por ‘recolher no celeiro’ é significado conjungir ao céu.
[6] ‘Quem semeia a boa semente é o Filho do homem’ significa o Divino Vero oriundo do Senhor; ‘o campo é o mundo’ significa a igreja em toda parte; ‘a semente são os filhos do reino’ significa que o Divino Vero está naqueles que são da igreja; ‘o joio são os filhos desse mal’ significa os falsos naqueles que estão no mal; ‘o inimigo que o semeia é o diabo’ significa que esses falsos são provenientes do mal que vem do inferno’; ‘a ceifa é a consumação do século’ significa o último tempo e estado da igreja; ‘os ceifeiros são os anjos’ significa que é o Divino Vero oriundo do Senhor que separa; ‘o Filho do homem enviará os anjos, que recolherão do Seu reino os escândalos’ significa que o Divino Vero oriundo do Senhor removerá as coisas que impedem a separação; ‘os que praticam iniquidade’ significa que são os que vivem no mal; ‘e os enviará à fornalha de fogo’ significa ao inferno, onde estão os que se acham no amor de si, nos ódios e nas vinganças; ‘onde haverá choro e ranger de dentes’ significa onde há coisas medonhas derivadas dos males e falsos; ‘então os justos resplandecerão como sol no reino do Pai’ significa que os que cumpriram os preceitos do Senhor viverão no céu nos amores celestes e nos seus regozijos. Esse estado futuro é após o juízo final, pois depois deste o poder superior do céu foi reivindicado, poder que antes houve da parte do inferno. Daí os anjos têm regozijos com perpétuo incremento.
[7] Resta que sejam explicadas ainda as palavras do Senhor a respeito da separação entre os maus e bons, a saber, ‘deixai um e outro crescerem até à ceifa, e no tempo da ceifa direi aos ceifeiros: Recolhei antes o joio, e recolhei-o em feixes para ser queimado; o trigo, porém, recolhei em meu celeiro’, pelas quais é significada a separação entre os maus e bons quanto se aproxima o juízo final. A razão pela qual não foram separados antes se vê no opúsculo Do Juízo Final (n. 59 e 70), ao que quero acrescentar o seguinte, que é segundo a ordem Divina que cresçam juntamente as coisas que no fim devem ser separadas, e, quando chegarem ao fim, a obra é fácil e sua separação se dá quase espontaneamente. Isto pode ser ilustrado por mil registros da experiência em ambos os mundo, até mesmo pelos correspondentes nos reinos animal e vegetal, pelos quais se pode ver, como num espelho comum, por que os maus não podem ser separados dos bons senão perto do juízo final. Isto também é significado por estas palavra que agora são explicadas no Apocalipse, pelo fato de o anjo ter dito ao Que estava sentado sobre a nuvem: “Ceifa, porque veio para Ti a hora de ceifar, porque secou{-se} a seara da terra’.
[8] Pela ‘ceifa’ também é significado o último estado da igreja, quando a velha igreja foi devastada, isto é, quando aí não restar mais vero nem bem senão o que é falsificado e rejeitado, também nas seguintes passagens. Em Joel:
“Ao vale de Jeosafá… [Me] sentarei para julgar todas as nações ao redor; lança a foice, porque amadureceu a seara; vinde, descei, porque encheu-se o lagar, os vasos transbordaram, porquanto é grande a malícia deles” (Jl. 3:12, 13).
Trata-se nesse capítulo da falsificação do vero na Palavra e da devastação da igreja pela falsificação, e nesse versículo se trata do último estado da igreja, quando se dá o juízo, estado esse que é descrito como no Apocalipse por ‘lançar a foice, porque amadureceu a seara’; ‘ceifa’ é esse último estado. Isto é descrito também por ‘encher-se o lagar e os vasos transbordarem’, como neste capítulo no Apocalipse, vers. 19 e 20. Que então se dê o juízo é dito abertamente; o ‘vale de Jeosafá’, onde se dá o juízo, significa a falsificação da Palavra.
[9] Em Jeremias:
“Cortai em Babel o que semeia, e o que pega a foice no tempo da ceifa” (Jr. 50:16);
e, no mesmo,
“A filha de Babel é como a eira, [no tempo] de debulhá-la; ainda um pouco e virá o tempo de sua ceifa” (Jr. 51:33).
Aqui também, pelo ‘tempo da ceifa’ se entende o último estado da igreja, quando não há mais quaisquer bem e vero. A sua devastação é descrita por ‘cortar o semeia, e o que pega a foice no tempo da ceifa’, como também pela ‘debulha como numa eira’; por ‘Babel’ se entendem os que procuram o domínio por meio das coisas santas da igreja.
[10] Em Isaías:
“Prantearei Jazer, a vinha de Sibma; regar-te-ei com lágrima... Hesbon e Eleale, porque sobre a tua vindima e sobre a tua ceifa caiu o hedad” (Is. 16:9).
Também aqui, pela ‘ceifa’ é significado o último estado da igreja, pois ‘hedad’ significa o fim, quando se costumava dar brados e gritos de alegria quando a vindima era terminada e a ceifa recolhida; aqui é lamentar, porque se diz que ‘caiu’; por ‘Jazer’, vinha de Sibma’ e por “Hesbon e Eleale’ são significados os homens da igreja externa, que explicam a Palavra para favorecer os amores do mundo, pois esses lugares ficavam na herança dada aos reubenitas e aos gaditas, pelos quais era representada a igreja externa, pois eles habitavam além do Jordão; a ‘vinha de Sibma’ significa a igreja deles. Nesse capítulo se trata também da destruição deles, quando o Senhor viesse e efetuasse o juízo.
[11] Em Jeremias:
“Passou a ceifa, acabou o outono, e nós não somos salvos; sobre o quebrantamento de minha filha estou quebrantado” (Jr. 8:20);
pela ‘ceifa’, também aqui, é significado o último estado da igreja, e ‘estou quebrantado sobre o quebrantamento’ significa a dor por não haver mais bem e vero; pela ‘filha’ é significada a afeição do vero e, daí, a igreja, pois ela é da igreja e dela vem a igreja.
[12] Em Isaías:
“Acontecerá, quando for colhida a ceifa, o grão que fica, e com seu braço ceifa as espigas;.... e serão deixados nele os respigos, como no sacudir da oliveira, três azeitonas na cabeça do ramo, quatro, cinco nos ramos da frutífera;...no dia farás crescer a tua planta, e florescer de manhã a tua semente; a ceifa {será} um montão no dia da possessão, e desesperada dor” (Is. 17:5, 6, 11).
Trata-se nesse capítulo das cognições do vero e bem que são da igreja, por estarem perdidas; elas aí são significadas por ‘Damasco’, da qual se trata nesse capítulo, e por ‘Aroer’. Que tenham sido perdidas descreve-se por ‘serem deixados nele respigos, como no sacudir da oliveira, três azeitonas na cabeça do ramo, quatro, cinco nos ramos da frutífera’, e também por ‘a ceifa {será} um montão no dia possessão, a saber, que não haverá mais do que um montão, pelo que também se diz ‘dor desesperada’. Daí é evidente que pela ‘ceifa’ aí é significado o último estado da igreja. Esse estado é também significado pela ‘manhã’, pois quando chega o último estado da igreja, então é manhã para aqueles que serão da nova igreja e noite para os que são da velha igreja. Que isto se entenda aqui por ‘manhã’ vê-se pelo último versículo desse capítulo, onde se diz:
“Perto do tempo da tarde... eis o terror; antes da manhã, [ele] não existe” (vers. 14);
‘terror’ significa a destruição.
[13] Em Joel:
“Envergonharam-se os lavradores, uivaram os vinhateiros pelo trigo e pela cevada, porque pereceu a seara do campo” (Jl. 1:11).
A devastação da igreja quanto ao bem e quanto ao vero se entende por ‘pereceu a seara do campo’; pelos ‘lavradores’ se entendem os que estão no bem da igreja, pelos ‘vinhateiros’ os que estão nos seus veros; pelo ‘trigo’ e pela ‘cevada’ o bem e o vero mesmos; a dor por causa da devastação é significada por eles se ‘envergonharem e uivarem’.
[14] Que a ‘ceifa’ signifique o último estado da igreja é porque o ‘grão’, que pertence à ceifa, significa o bem e, daí, o vero da igreja, e o ‘campo’ significa a igreja mesma. Que por todas as coisas que pertencem à nutrição natural, como o ‘trigo’, a ‘cevada’, a ‘oliva’, o ‘vinho’ e várias outras, sejam significadas coisas tais que pertencem à nutrição espiritual mostrou-se acima em muitas passagens. E as coisas que pertencem à nutrição espiritual se referem em geral ao bem, ao vero e às cognições deste, assim, à doutrina e à vida segundo elas. Daí se diz em Jeremias:
Uma nação de longe “comerá a tua seara e o teu pão; comerá os teus filhos e as tuas filhas; comerá o teu rebanho e a tua manada; comerá a tua videira e a tua figueira; depauperará à espada as cidades de tuas fortalezas, nas quais tu confias”. (Jr. 5:17);
pela ‘nação de longe’ se entende o falso do mal que destrói (‘de longe’ significa que está muito distante do bem e do vero); por ‘seara e pão’ são significados os veros e bens da igreja que nutrem; por ‘filhos e filhas’ os mesmos que geram; por ‘rebanho e manada’ os bens e veros espirituais e naturais; por ‘videira e figueira’ a igreja interna espiritual e a igreja externa natural; pelas ‘cidades das fortalezas nas quais confiam’ são significados os doutrinais oriundos da própria inteligência; ‘depauperar à espada’ significa destruir pelos falsos do mal.
[15] Visto que pela ‘seara’ são significadas todas as coisas que nutrem espiritualmente o homem, as quais se referem aos veros da doutrina e aos bens da vida, por isso pela ‘seara’ é significada a igreja no geral e no particular. No geral, nestas passagens nos Evangelhos:
Jesus disse aos discípulos: “A seara... é muita, os operários são poucos; rogai... ao Senhor da seara que envie operários à Sua seara” (Mt. 9:37, 38; Lc. 10:20);
pela ‘seara’ aqui se entendem todos aqueles com os quais a igreja havia de ser instaurada pelo Senhor, assim, também a igreja no geral; e pelos ‘operários’ se entendem os que ensinarão pelo Senhor.
[16] Semelhantemente, em João:
José disse aos discípulos: [Não dizeis vós] “que ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Eis que vos digo: levantai os vossos olhos e olhai os campos, que já estão brancos para a ceifa; e quem ceifa recebe recompensa, e colhe o fruto na vida eterna;... nisto, pois, é verdadeira a palavra, que um é o que semeia e outro o que ceifa. Eu vos enviai a ceifar o que não trabalhastes; outros trabalharam, mas vós entrastes no trabalho deles” (Jo. 4:35-38).
Essas palavras foram ditas pelo Senhor a respeito de uma nova igreja a ser instaurada por Ele. Que agora é chegada a instauração dessa igreja entende-se por ‘levantai os vossos olhos e olhai os campos, que já estão brancos para a ceifa’; ensinar aqueles que serão dessa igreja, como o Senhor diz em outra passagem, ‘recolher e ajuntar no celeiro’ é significado por ‘ceifar’; que os que ensinam, assim como os que recolhem e ajuntam, não sejam eles mesmos, mas o Senhor (pois aqueles que os discípulos converteram para a igreja o Senhor preparou por meio dos anjos, isto é, pelos Divinos veros da Palavra) se entendem por ‘um é o que semeia e outro o que ceifa; Eu vos enviei para ceifar o que não trabalhastes; outros trabalharam, mas vós entrastes no trabalho deles’.
[17] O incremento da igreja no homem em particular e nos homens em geral, pelo Senhor, também é descrito pela ‘seara’ em Marcos:
Jesus disse: “O reino de Deus é assim como se o homem lançasse semente sobre a terra, depois dormisse e se levantasse de noite e de dia; mas a semente germinasse e crescesse sem que ele o saiba; pois a terra livremente dá fruto, primeiro a erva, depois a espiga, então o grão cheio na espiga; quando, porém, é produzido o fruto, logo lhe lança a foice, porque chegou a ceifa” (Mc. 4:26-29);
pelo ‘reino de Deus’ se entende a igreja do Senhor nos céus e nas terras; que ela seja implantada em todos os que recebem os veros e bens não por si, mas pelo Senhor, descreve-se por essas palavras, cada uma delas correspondendo a coisas espirituais e as significando, por exemplo, que ‘o homem lança a semente sobre a terra’, que ‘depois dorme e se levanta de noite e de dia’, que ‘a semente germina e cresce sem que ele o saiba’, pois pela ‘semente’ é significado o Divino Vero, por ‘lançar a semente à terra’ é significada a operação do homem; por ‘levantar-se de noite e de dia’ é significado em todo estado, e, finalmente, por ‘lançar a foice’. As demais coisa significam a operação do Senhor, e a ‘seara’ a implantação doa igreja no particular e no geral. Cumpre saber que embora o Senhor opere todas as coisas, e o homem nada opere por si, todavia Ele quer que o homem opere como por si mesmo na medida que vem à sua percepção, porque sem a cooperação do homem como por si mesmo não haverá recepção do vero e do bem, portanto, não haverá implantação e regeneração. Pois o Senhor dá o querer, e como isto parece ao homem como se vindo dele, dá-lhe o querer como por si mesmo.
[18] Como essas coisas são significadas pela ‘ceifa’, por isso foram instituídas duas festas entre os filhos de Israel, das quais uma era chamada ‘festa das semanas’, que era das primícias da ceifa, e a outra ‘festa dos tabernáculos’, que era da colheita dos frutos da terra. A primeira delas significava a implantação do vero no bem, e a seguinte, a produção do bem, assim, a regeneração. Mas pela festa dos ázimos, ou da páscoa, que precedia, é significada a libertação dos falsos do mal, que também é a primeira coisa da regeneração.

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