. “E lançou no grande lagar da ira de Deus.” Que isto signifique a falsificação da Palavra quanto a todo vero espiritual e, daí, a danação, por não haver o bem espiritual, que é a caridade, vê-se pela significação de ‘lagar’, que é a produção do vero pelo bem, pois pelos ‘cachos’ e ‘uvas’ que eram lançados no lagar é significado o bem espiritual, e pelo ‘vinho’ que era produzido é significado o vero desse bem (vide acima, n. 220 e 376). Visto que a produção do vero pelo bem é significada pelo ‘lagar’, por isso, pelo mesmo, no sentido oposto, é significada a produção do falso pelo mal, pois do mesmo modo que o bem produz o vero, também o mal oposto ao bem produz o falso. Que o ‘lagar’ aqui signifique a falsificação da Palavra quanto a todo vero espiritual é porque se chama ‘grande lagar da ira de Deus’ e pela ‘ira de Deus’ é significado o despreza e a rejeição do vero e do bem pelo homem, e a suma rejeição por ele é a falsificação do sentido da letra da Palavra até a destruição do vero espiritual, ou do Divino Vero que está no céu. Que essa falsificação feche o céu vê-se {acima} (n. 888). Além disso, aqueles que estão no mal, no qual estão todos os que estão no bem da caridade, não podem deixar de produzir falsos, pois assim como o bem produz os veros, assim o mal produz os falsos. Que o ‘grande lagar da ira de Deus’ também signifique a danação é porque isto é consequente, e porque se diz ‘ira de Deus’ e ‘grande lagar’. Que o ‘lagar’ signifique as coisas agora ditas é o que será confirmado no artigo seguinte. [2] Dir-se-á aqui em poucas palavras sobre a respeito da produção do vero pelo bem e, também, do falso pelo mal, o que é significado pelo ‘lagar’ no sentido espiritual. A origem e causa da produção é que todo bem pertence ao amor, e o que é amado é um prazer; e como o prazer é agradável e brando, por isso o que é do amor o homem pensa pelo prazer e também confirma. Ora, como o amor e seu prazer fazem a vida do homem, por isso, quando o homem pensa pelo amor e seu prazer, então pensa por si e por sua vida. Que seja assim pode-se ver claramente pelos homens após a morte, quando se tornam espíritos: eles então não podem de modo algum pensar, quando por si, senão por seu amor, porque toda a vida deles pertence a esse amor. Uma vez, pois, que o bem pertence ao amor e o vero ao pensamento, é evidente de que maneira o vero é produzido pelo bem. [3] O mesmo que se diz a respeito do bem e do vero deve-se dizer também da vontade e do entendimento, pois todo bem é da vontade, por ser do amor, e todo vero é do entendimento, por ser do pensamento, porque a vontade ama e o entendimento pensa. O mesmo que se diz do bem e do vero também se deve dizer do calor e da luz, pois o calor espiritual é o amor que acende a vontade, e a luz espiritual é o vero que ilumina o entendimento. Com efeito, todo amor, que é da vontade, apresenta a sua efígie na luz do entendimento, aí se conhece e, como se ama, quer ver a si mesmo; daí é também que o homem pensa aquilo que ama. [4] O mesmo que se diz da produção do vero do bem deve-se dizer também da produção do falso do mal, pois todo mal é do amor e, daí, ama o falso, e o mal é da vontade e o falso é o pensamento daí. Estas coisas foram ditas porque pelo ‘lagar’, no sentido espiritual, é significada a produção do vero pelo bem e também a produção do falso pelo mal. Que também pelo ‘grande lagar da ira de Deus’ seja significada a falsificação da Palavra é porque a falsificação da Palavra é também uma produção do falso pelo mal, porque o mal falsifica, pois o mal ama a sua ideia no pensamento, e o pensamento o quer confirmado na Palavra, a fim de persuadir. * * * * * * *