. [Vers. 1] “E vi outro sinal no céu”. Que isto signifique a revelação vinda do Senhor a respeito do estado da igreja antes do juízo final vê-se pela significação de ‘sinal’, que é a revelação, e pela significação de ‘céu’, que é o Senhor (de Que se tratará a seguir). Que o ‘sinal’ signifique a revelação é porque pelo ‘sinal’ se entendem as coisas que foram vistas por João e que são relatadas na sequência, e as coisas que foram vistas por ele envolvem arcanos a respeito do estado da igreja pouco antes do juízo final. Porque, em geral, tudo o que aparece no céu aparece inteiramente como existe em nosso mundo material em seus três reinos, e as coisas que aparecem perante os olhos dos anjos aparecem inteiramente como as que desses três reinos perante os olhos dos homens no mundo. Ali aparecem ouro, prata, cobre, estanho, chumbo, pedras preciosas e não preciosas, humo, terra, montes, colinas, vales, águas, fontes, e as demais coisas que são do reino mineral. Aparecem paraísos, jardins, florestas, árvores frutíferas de todo gênero, canteiros, searas, campos cheios de flores, ervas e relvados de todo gênero, como também as coisas que vêm deles, como a oliva, os vinhos e as bebidas fortes, e as demais que pertencem ao reino vegetal. Aparecem animais da terra, aves [volatiliza] do céu, peixes do mar, répteis, e esses de todo gênero e numa semelhança tal com os que de nossa terras que não se pode distinguir {entre eles}; eu os vi e não pude distinguir.
[2] Há, no entanto, esta diferença: as coisas que aparecem no céu são de origem espiritual, enquanto as que aparecem em nosso mundo são de origem material, e as que são de origem espiritual tocam os sentidos dos anjos, porque eles são espirituais; igualmente, as que são de origem material tocam os sentidos dos homens, porque estes são materiais, pois as coisas espirituais são homogêneas com os que são espirituais, e as materiais são homogêneas com os que são materiais. Diz-se que elas são de origem espiritual porque existem pelo Divino que procede do Senhor como Sol, e o Divino procedente do Senhor como Sol é espiritual. Com efeito, o Sol ali não é fogo, mas o Divino Amor, que aparece perante os olhos dos anjos como o sol do mundo perante os olhos dos homens; e tudo o que procede do Divino Amor é Divino e é espiritual. O que precede aprece em geral como luz, e é sentido como calor, mas essa luz é espiritual, e também o calor, pois essa luz é a Divina Sabedoria e se chama Divino Vero, e o calor é o Divino Amor e se chama Divino Bem. Por isso essa luz ilumina interiormente o entendimento dos anjos, e esse calor enche interiormente de bem do amor a vontade dos anjos. Dessa origem são todas as coisas que existem nos céus e aparecem em formas similares às que estão no nosso mundo em seus três reinos, como foi dito acima. É pela ordem da criação que elas aparecem em tais formas; essa ordem é que as coisas que pertencem à sabedoria e as que pertencem ao amor nos anjos, quando descem a uma esfera inferior, na qual estão os anjos quanto aos seus corpos e quanto aos sentidos deles, se apresentem em tais formas e tipos. Estas são as correspondências.
[3] Essas coisas foram ditas para que se saiba o que se entende pelo ‘sinal’ que João disse ter visto, do mesmo modo que pelo ‘sinal’ no cap. 12, vers. 1 e 3, a saber, a revelação por meios de coisas tais que no céu existem por uma origem Divina espiritual e, daí, contêm em si arcanos Divinos. Aqui, são arcanos a respeito do estado da igreja pouco antes do juízo final, porque foram vistos ‘sete anjos com sete taças de ouro, vestidos de linho puro e esplêndido, e cingidos em volta do peito com um cinto de ouro’. Também foi visto ‘um mar de vidro misturado com fogo’ e foram vistos ‘os que tiveram vitória sobre a besta, tendo cítaras’, e foi visto ‘o templo do tabernáculo do testemunho’; e foram ouvidos os ‘cânticos’, com os quais eles glorificavam o Senhor. Todas essas coisas s
ao chamadas de ‘sinal que [ele] viu’, porque eram significativas. Mas as coisas que elas significam não podem ser vistas senão pelas correspondências; e como têm em si arcanos Divinos, não podem ser vistas a menos que o Senhor as revele.
[4] Diz-se ‘um sinal do céu’, pelo qual se entende a revelação vinda do Senhor. Que venha do Senhor é porque o céu é o Senhor. Há, de fatos, anjos de que o céu [consiste], mas, não obstante, é o Senhor que é o céu, não os anjos, pois é do Divino procedente do Senhor, que é chamado Divino Bem e Divino Vero, que vem todo amor e toda sabedoria dos anjos; os anjos são anjos por causa do amor e da sabedoria, e o amor e a sabedoria estão neles pelo Senhor, e como são proveniente do Senhor, pertencem ao Senhor, sendo, por conseguinte, o Senhor neles. É o que se vê também pelas palavras do Senhor aos discípulos:
Que eles estão no Senhor e Ele neles (Jo. 14:20),
E que tem morada neles na Palavra vinda d’Ele (vers. 22-24).
Como, pois, o céu consiste de anjos, e os anjos são anjos pelo Senhor, segue-se que o céu é o Senhor.
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