. “Sete anjos tendo as sete últimas pragas”. Que isto signifique pelo Senhor, por meio do Divino Vero, foram manifestos os males e falsos em todo o conjunto, os quais devastaram inteiramente a igreja quanto a todos os seus bens e veros vê-se pela significação de ‘anjos’, que são os Divinos veros provenientes do Senhor (de que se tratou acima, n. 130 e 302); pela significação de ‘sete’, que são todas as coisas e completamente (de que se tratou {acima}, n. 20, 24, 257 e 300); pela significação de ‘pragas’, que são os males e falsos que devastaram a igreja (de que se tratou acima, n. 584); ? e como ‘sete’ são todas as coisas e completamente, daí, pelas ‘sete pragas’ são significados os males e falsos em todo o conjunto, os quais devastam a igreja; (todos os males em conjunto que há naqueles que devastam são significados pelo número ‘mil e seiscentos’, cap. 14, vers. 20, de que se tratou [acima], n, 924; e todos os falsos em conjunto que têm aqueles que devastam são significados pelo número ‘seiscentos e sessenta e seis, cap. 13, vers. 18, de que se tratou no n. 847); ? e pela significação de ‘últimas’, que é quanto a todos os bens e veros, pois então é o último e consumado. Por aí é evidente que pelos ‘sete anjos tendo as sete últimas pragas’ é significado que pelo Senhor, por meio do Divino Vero, foram manifestos os males e falsidades em todo o conjunto, os quais devastaram a igreja quanto a todos os seus bens e veros. De que maneira foram manifestos pelo Senhor os males e falsidades que devastaram completamente a igreja será descrito na sequência deste capítulo (do versículo 5 ao 8).
[2] Que a igreja esteja devastada quanto a todos os bens e veros pode-se ver pelo fato de a Igreja Cristã desde o seu princípio foi dividida em duas, das quais uma é descrita no Apocalipse pelo ‘dragão’ e pelas duas ‘bestas’, e a outra pela ‘meretriz assentada na besta escarlate’ e por ‘Babilônia’. A que é descrita pelo ‘dragão’ e por suas duas ‘bestas’ é a igreja com os reformados; e a que é descrita por essa ‘meretriz’ e por ‘Babilônia’ é a igreja com os católicos. A igreja com os reformados foi devastada pela fé, só, e a igreja com os católicos pelo domínio sobre as almas dos homens e sobre o céu. Da devastação dessa igreja quanto a todos os bens e, daí, os veros, trata-se nos cap. 17 e 18; e a devastação da igreja com os reformados é descrita nos cap. 12 e 13, e, depois, no cap. 16, pelos ‘sete anjos tendo sete taças cheias da ira de Deus’.
[3] Que uma e outra igrejas estejam devastadas pelos males e falsos quanto a todos os bens e veros vê-se claramente pelo fato de que hoje dificilmente alguém sabe que há um Deus e que Ele é o Senhor; também, o que é o amor ao Senhor e que é a caridade para com o próximo, e, assim, o que são as boas obras; até mesmo o que é a fé em sua essência e que não seja fé aquela a que chamam fé; também o que é a consciência, o que é o livre arbítrio, o que é a regeneração, o que é a tentação espiritual, o que é o batismo, o que é a santa ceia, o que são o céu e o inferno, o que é a Palavra, além de muitas coisas. E como não o sabem, eles escondem os bens e veros, e, quanto mais as coisas mundanas e corpóreas são amadas, mais aqueles são desprezadas e mesmo rejeitadas; e então, em lugar dos bens entram os males, e em lugar dos veros, os falsos. Assim a igreja é devastada.
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