. “Porque os Teus juízos foram manifestos.” Que isto signifique que os Divinos veros lhes foram revelados vê-se pela significação de ‘juízos’, que são os Divinos veros, de que se tratará a seguir; e pela significação de ‘ser manifesto’, que é ser revelado. Que os Divinos veros sejam revelados no fim da igreja, e que tenham sido revelados, dir-se-á na sequência neste capítulo, porque ali se tratará deles. Que os ‘juízos’ signifiquem os Divinos veros é porque as leis de governo no reino espiritual do Senhor são chamadas ‘juízos’, enquanto as leis de governo no reino celeste do Senhor são chamadas ‘justiça’, pois as leis de governo no reino espiritual do Senhor são leis oriundas do Divino Vero, mas as leis de governo no reino celeste do Senhor são leis oriundas do Divino Bem. Daí é que na Palavra se dizem ‘juízo’ e ‘justiça’ nas seguintes passagens. Em Isaías:
“A paz não terá fim sobre o trono de David... para o estabelecer e o fortificar em juízo e... justiça desde agora e na eternidade” (Is. 9:7).
Essas palavras são a respeito do Senhor e do Seu reino. O Seu reino espiritual é significado pelo ‘trono de David’, e como esse reino está nos Divinos veros pelo Divino Bem, diz-se ‘em juízo e justiça’. Em Jeremias:
“Suscitarei a David um Renovo justo, e reinará Rei, e agirá inteligentemente, e fará juízo e justiça” (Jr. 23:5).
Também essas são a respeito do Senhor e do Seu reino espiritual. E como esse reino está nos Divinos veros pelo Divino Bem, diz-se que ‘reinará rei e agirá inteligentemente”, e que ‘fará juízo e justiça’. O Senhor é chamado ‘Rei’ por causa do Divino Vero, e como o Divino Vero é também a Divina inteligência, se diz que ‘agirá inteligentemente’; e como o Divino Vero procede do Divino Bem, se diz que ‘fará juízo e justiça’.
[2] Em Isaías:
“Exaltado seja Jehovah, porque habitará no alto; encheu Sião de juízo e justiça” (Is. 33:5);
por ‘Sião’ se entende o céu e a igreja, onde o Senhor reina pelo Divino Vero; e como todo Divino Vero procede do Divino Bem, se diz ‘encheu Sião de juízo e justiça’. Em Jeremias:
“Eu, Jehovah, que faço... juízo e justiça na terra, porque neles Me agrado” (Jr. 9:24).
Também aqui, por ‘juízo e justiça’ é significado o Divino Vero proveniente do Divino Bem. Em Isaías:
“Indaguem-Me os juízos de justiça, desejem a aproximação de Deus” (Is. 58:2);
‘juízos de justiça’ são os Divinos veros provenientes do Divino Bem, semelhantemente a ‘juízo e justiça’ também, pois o sentido espiritual conjunge as coisas que o sentido da letra distingue. Em Oséias:
‘Desposar-te-ei a Mim na eternidade, e desposar-te-ei a Mim em justiça e juízo... e em misericórdia... e em verdade” (Os. 2:19, 20).
Aí se trata do reino celeste do Senhor, que consiste naqueles que estão no amor ao Senhor, e como a conjunção do Senhor com eles é comparativamente como a conjunção do marido com a esposa, pois o bem do amor conjunge assim, por isso é dito: ‘Desposar-te-ei a Mim em justiça e juízo’, e se diz ‘justiça’ em primeiro lugar e ‘juízo’ em segundo, porque aqueles que estão no bem do amor ao Senhor estão também nos veros, pois pelo bem os veem. Como a ‘justiça’ se diz do bem e ‘juízo’ do vero, por isso também se diz ‘em misericórdia’ e ‘em verdade’; ‘misericórdia’ também pertence ao bem, porque pertence ao amor.
[3] Em David:
“Jehovah, nos céus... a Tua justiça é como os montes de Deus, e os Teus juízos como um grande abismo” (Sl. 36:6, 7);
diz-se ‘justiça’ em relação do Divino Bem, que é comparado aos montes de Deus, pois pelos ‘montes de Deus’ são significados os bens do amor (vide n. 405, 510 e 850); e ‘juízos’ se dizem dos Divinos veros, pelo que são comparados a um grande abismo, pois pelo ‘grande abismo’ é significado o Divino Vero.
Por aí se pode ver agora que pelos ‘juízos’ são significados os Divinos veros.
[4] Em muitas passagens na Palavra também se dizem ‘juízos’, ‘preceitos’ e ‘estatutos’, e ali, pelos ‘juízos’ são significadas as leis civis, pelos ‘preceitos’ as leis da vida espiritual, e pelos ‘estatutos’ as leis do culto. Que pelos ‘juízos’ sejam significadas as leis civis vê-se em Êxodo, cap. 21, 22 e 23, onde as coisas que ali são ordenadas se chamam ‘juízos’, porque por elas os juízes faziam os julgamentos nas portas das cidades. Mas essas mesmas coisas significam os Divinos veros, tais como são no reino espiritual do Senhor nos céus, pois elas os contêm no sentido espiritual, como se pode ver pela explicação delas nos Arcanos Celestes (n. 8971-9103, 9124-9231 e 9247-9348). Que as leis com os filhos de Israel tenham sido chamadas ‘juízos’, ‘preceitos’ e ‘estatutos’ vê-se pelas seguintes passagens. Em Moisés:
“Falarei a ti todos os preceitos, estatutos e juízos, os quais lhes ensinarás, para que os façam” (Dt. 5:31);
no mesmo:
“Estes são os preceitos, estatutos e juízos que prescreveu Jehovah vosso deus, para vos ensinar” (Dt. 6:1);
no mesmo:
“Por isso guardarás os preceitos, estatutos e juízos que Eu hoje te prescrevo para os fazer” (Dt. 7:11);
em David:
“Se os seus filhos deixarem a Minha lei, e não andarem em Meus juízos, se profanarem os Meus estatutos, e não guardarem os Meus preceitos... visitarei com vara a prevaricação deles” (Sl. 89:30, 32).
Também em muitas outras passagens além dessas (como Lv. 18:5; 19:37; 20:22; 25:18; 26:15; Dt. 4:1; 5:1, 6, 7; 17:19; 26:17; Ez. 5:6, 7; 11:12, 20; 18:9; 20:11, 13, 25; 37:24). Nessas passagens, pelos ‘preceitos’ se entendem as leis da vida, principalmente as que estão no Decálogo, que são por isso chamadas ‘dez preceitos’; mas pelos ‘estatutos’ se entendem as leis do culto, que eram principalmente a respeito dos sacrifícios e dos serviços santos; e pelos ‘juízos’ se entendem as leis civis, leis essas que, por serem representativas de coisa espirituais, por elas são significados os Divinos veros, tais como são no reino espiritual do Senhor nos céus.
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Continuação
[5] Quando, pois, o homem foge dos males como pecados e tem aversão a eles, e é elevado pelo Senhor ao céu, segue-se que não está mais no seu proprium, mas no Senhor, e daí pensa e quer os bens. Ora, visto que o homem, assim como pensa e quer ele também o faz, pois todo feito do homem procede do pensamento de sua vontade, daí se segue novamente que, quando o homem foge dos males e tem aversão a eles, ele faz os bens, não por si, mas pelo Senhor. Daí é, portanto, que fugir dos males é fazer os bens. Os bens que o homem então faz se entendem pelas boas obras, e as boas obras em todo o complexo se entendem pela caridade. Como o homem não pode ser reformado a menos que pense, queira e faça como por si mesmo, o que é feito como por si mesmo lhe é conjunto e permanece nele; o que, porém, não é feito pelo homem como por si mesmo, isto passa como o éter, porque não recebe vida alguma do sentido. Por isso o Senhor quer que o homem não somente fuja dos males e tenha aversão a eles como por si mesmo, mas que também pense, queira e faça como por si, embora reconheça de coração que todas essas coisas são provenientes do Senhor. Isto ele deve reconhecer porque é verdadeiro.
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