. [Vers. 5] “E depois destas coisas vi, e eis que foi aberto o templo do tabernáculo do testemunho no céu”. Que isto signifique o Divino Vero interior na Palavra revelado pelo Senhor vê-se pela significação de ‘templo’, que é o Divino Vero procedente do Senhor (de que se tratou nos n. 220, 391 e 915); pela significação de ‘tabernáculo do testemunho’, que também é o Divino Vero, mas interior, pois pelo ‘tabernáculo’ é significado o mesmo que pelo ‘templo’, mas, como se diz ‘templo do tabernáculo do testemunho’, é significado o Divino Vero interior. Que este seja revelado é o que se entende pelo fato de ‘tê-lo visto ser aberto no céu’. Pelo Divino Vero interior revelado se entende a Palavra quanto ao sentido interno, pois a Palavra é o Divino Vero, e o sentido interno ou espiritual é esse interior. Pelo ‘testemunho’ se entende a Lei que foi depositada na arca, que por isso foi chamada de ‘arca do testemunho’. (O que, além disso, o ‘testemunho’ significa num sentido amplo e num sentido restrito vê-se acima, n. 10, 392, 635, 649 e 749). [2] No que agora se segue neste capítulo se trata da Palavra interiormente revelado antes de a igreja ser inteiramente devastada, pois no capítulo seguinte se trata de sua devastação plena, o que é descrito pelos ‘sete anjos tendo sete taças cheias da ira de Deus’ e por elas serem ‘lançadas à terra’. Que antes de a igreja ser plenamente devastada e Palavra seja interiormente revelada, isto é, quanto ao sentido espiritual, é porque então é instaurada a Nova Igreja, para a qual são convidados os que são da igreja anterior, e o Divino Vero interior é revelado para a Nova Igreja. Isto não pôde ser revelado antes, por causa das razões de que se tratará na sequência. O que agora se faz é semelhante ao que foi feito no fim da Igreja Judaica, pois no seu fim, que foi quando o Senhor veio ao mundo, a Palavra foi aberta interiormente, porque pelo Senhor, quando esteve no mundo, foram revelados os Divinos veros interiores que haviam de ser vir para uma nova igreja então instaurada por Ele. Hoje também, por razões semelhantes, a Palavra interior foi aberta e daí foram revelados Divinos veros ainda mais interiores que servirão para a Nova Igreja que será chamada Nova Jerusalém. [3] Pelas igrejas progressivamente instauradas pode-se ver qual foi a Divina providência do Senhor em revelar os Divinos veros. Houve muitas igrejas em nossa terra, uma após a outra; houve a Antiquíssima, que existiu antes do dilúvio; houve a Antiga, após o dilúvio; depois a Hebraica, e, daí, a Israelita; depois desta houve a Cristã, e agora começa a Nova. Divinos veros íntimos foram revelados aos que foram da Igreja Antiquíssima, enquanto Divinos veros exteriores foram revelados aos que foram da Igreja Antiga. Mas Divinos veros extremos ou últimos à Igreja Hebraica e, finalmente, á Israelita, igreja com a qual o Divino Vero finalmente pereceu, pois enfim nada havia na Palavra que não fora adulterado. Mas, após o fim dela, foram revelados pelo Senhor Divinos veros interiores para a Igreja Cristã, e agora veros ainda mais interiores para a igreja que virá. Esses veros interiores são os que se acham no sentido interno ou espiritual da Palavra. Por aí é evidente que a progressão do Divino Vero foi desde os íntimos até os últimos, assim, da sabedoria para a mera ignorância, e agora se faz a progressão de seus últimos para os interiores, assim, da ignorância de novo para a sabedoria. * * * * * * * Continuação [4] A religião no homem consiste numa vida Segundo os preceitos Divinos que estão contidos em resumo no Decálogo. Naquele que não vive segundo isso não pode haver religião, porque esse não teme a Deus e ainda menos O ama, nem teme o homem e ainda menos o ama. Acaso teme a Deus e ao homem aquele que rouba, adultera, mata e dá testemunha falsamente? No entanto, qualquer um pode viver segundo esses preceitos, e quem é sábio vive como homem civil, como homem moral e como homem natural. Quem, porém, não vive segundo eles como homem espiritual não pode ser salvo, pois viver segundo eles como homem espiritual é por causa do Divino neles, mas viver segundo eles como homem civil é por causa do que é justo, para fugir dos castigos do mundo; e viver segundo eles como homem moral é por causa do que é honesto, para fugir da perda da reputação e da honra; e viver segundo eles como homem natural é por causa do humano, para fugir da difamação de não ter uma mente sã. Tanto as leis civis quanto as morais e naturais, todas elas ditam que não se deve roubar, não se deve adulterar, não se de matar, não se deve testemunhar falsamente; mas, no entanto, o homem não é salvo se foge desses males por causa dessas leis somente, mas se também foge deles por causa da lei espiritual, se foge deles como pecados, pois nesse [homem] há religião, há a fé de que há um Deus, que há um céu e um inferno e que há uma vida após a morte. De fato, nesse há também a vida civil, a vida moral e a vida natural; a vida civil porque é justo, a vida moral porque é honesto, e a vida natural porque é humano. Se, porém, não viver segundo esses preceitos como homem espiritual, ele não é homem civil, nem moral, nem natural, pois não tem o justo, não tem o honesto e mesmo não tem o humano, porque não há Divino nestes. Com efeito, não existe bem em si e por si a não ser por Deus; assim, não existe algo justo, algo verdadeiramente honesto e verdadeiramente humano, em si e por si, a não ser o que vem de Deus e a não ser que o Divino esteja nestes. Examina se alguém em quem há o inferno, ou que é um diabo, pode fazer o justo pelo justo, ou por causa do justo, do mesmo modo que o honesto ou algo verdadeiramente humano. O verdadeiramente humano é que vem da ordem e segundo a ordem, e que é de razão sã. E Deus é a ordem, e de deus vem a razão sã. Em suma, quem não foge dos males como pecados não é homem. Todo aquele que faz esses preceitos de sua religião se torna civil e habitante do céu, e quem faz esses preceitos não de sua religião, mas nos externos vive segundo eles pela lei natural, moral e civil, esse se torna civil e cidadão do mundo, mas não do céu. [5] As nações, em sua maioria, conhecem esses preceitos e também os tornam de sua religião e vivem segundo eles porque Deus o quer e ordenou; por aí elas têm comunicação com o céu e conjunção com Deus; por isso são também salvas. Hoje, porém, a maioria no mundo cristão não os torna de sua religião, mas de sua vida civil e moral; na forma externa, todavia, para que apareçam, não agem fraudulentamente nem lucram ilicitamente, não cometem adultérios nem perseguem os outros manifestamente por um ódio interior mortal e por vinganças, nem testemunham falsamente. Mas essas coisas eles não fazem não porque são pecados e contra Deus, mas porque temem por sua vida, sua reputação, sua função, seu negócio, sua posse, sua honra e ganho, e sua volúpia; por isso, se esses vínculos não os retivessem, eles o fariam. Por conseguinte, esses anularam para si a comunicação com o céu, nem têm conjunção com o Senhor, mas somente com o mundo e consigo mesmos; não podem ser salvos. Pensa, quando esses vínculos externos te foram tirados – o que acontece com todo homem após a morte – se os vínculos internos, que são os temores e amores de Deus, por conseguinte, da religião, não te detiverem e restringirem, acaso não te precipitarás em furtos, adultérios, mortes, falsos testemunhos e concupiscências de todo gênero, pelo amor disso, assim pelo prazer de tais coisas, como um diabo. Que isto seja assim, eu vi e também ouvi.