. “Até que fossem consumadas as sete pragas dos sete anjos.” Que isto signifique antes de os males e falsos serem rejeitados e os que estão neles serem lançados no inferno vê-se pela significação de ‘ser consumado’, que é findar-se, mas, aqui, ser rejeitado; pela significação de ‘sete pragas’, que são todos os males e falsos que devastaram a igreja (de que se tratou acima, n. 949); e pela significação de ‘sete anjos’, que são as manifestações (de que também se tratou no n. 949). Assim, ‘até que fossem consumadas as sete pragas dos sente anjos’ significa antes de serem rejeitados os males e falsos, que foram manifestos. Que também pela mesma expressão seja significado antes de serem lançados no inferno os que estão nos males e falsos é porque se entende antes de o juízo final se realizado, os bons serem separados dos maus, os bons serem elevados ao céu e os maus lançados no inferno. Assim, antes de existirem uma novo céu e uma nova terra. Que antes desse tempo a Palavra esteja na obscuridade diante do entendimento é o que significa ‘ninguém pôde entrar no templo antes que fossem consumadas as sete pragas dos sete anjos’. [2] Mas este arcano deve ser explicado mais amplamente. Os Divinos veros que se encerram interiormente na Palavra não puderam ser manifestos antes de o juízo final ser realizado. A razão disso é que antes do juízo os infernos prevaleceram, e após ele prevalecem os céus; e o homem foi posto no meio, entre os infernos e os céus. Por isso, quando os infernos prevalecem, o vero da Palavra é ou pervertido, ou desprezado ou rejeitado. O contrário acontece quando os céus prevalecem. Por aí se pode ver de que vem que os Divinos veros agora tenham sido desvendados pela primeira vez e o sentido espiritual da Palavra revelado. É isto, pois, que se entende pelo fato de a Palavra está na obscuridade quanto ao entendimento, antes de aqueles que estão nos males e falsos serem lançados no inferno. * * * * * * * Continuação sobre o Primeiro Preceito [3] A ideia a respeito de Deus é a primeira de todas, pois qual ela é, tal é a comunicação do homem com o céu e a conjunção com o Senhor. E, daí, tal é a iluminação do homem, a afeição do vero e do bem, a percepção, a inteligência e a sabedoria. Porque essas coisas não vêm do homem, mas do Senhor, segundo a conjunção com Ele. A ideia respeito de Deus é a ideia a respeito do o Senhor e de seu Divino, pois não há outro Deus do céu e Deus da terra, assim como Ele mesmo ensina em Mateus: “Foi-Me dado toda autoridade nos céus e na terra” (Mt. 28:18). Todavia, a ideia a respeito de Deus é mais e menos plena, e mais e menos clara; é plena no céu íntimo, menos plena no médio e ainda menos plena no último; por isso os que estão no céu íntimo estão na sabedoria, os que no médio, na inteligência, e os que estão no último, no conhecimento. Há uma ideia clara nos anjos que estão no meio das sociedades do céu, uma menos clara nos anjos que estão ao redor, segundo os graus de distância do meio. [4] Todos nos céus estão dispostos em lugares segundo a plenitude e a claridade da ideia a respeito do Senhor. Também estão em correspondente sabedoria e em correspondente felicidade. Todos os que não têm ideia do Divino do Senhor, assim como os socinianos e os arianos, estão sob os céus e são infelizes. Os que têm uma ideia dupla, a saber, de Deus invisível e de Deus visível sob a forma humana, também se mantêm sob os céus e não são recebidos antes de reconhecerem um só Deus e Ele mesmo visível. Alguns, em lugar de Deus visível, veem algo aéreo, e isto pela ideia de que Deus é chamado espírito; se neles essas ideia não se converte na ideia de um Homem, assim do Senhor, não são tampouco aceitos. Outros, porém, que têm a ideia de Deus como o íntimo da natureza, são rejeitados, porque não podem deixar de cair na ideia da natureza em lugar de Deus. Todas as gentes que creram em Deus e tiveram a ideia d’Ele como Homem são recebidas pelo Senhor. Por aí se pode ver quais são os que adoram a Deus mesmo e os que adoram outros deuses; assim, os que vivem segundo o primeiro preceito do Decálogo e os que não vivem. * * * * * * *