. [Vers. 3] “E o segundo anjo derramou a sua taça no mar”. Que isto signifique o estado da igreja manifestado quanto às cognições do vero no homem natural vê-se pela significação do ‘anjo derramando a taça’, que é o estado da igreja manifestado (como acima, n. 960 e 961); e pela significação de ‘mar’, que são os gerais do vero no homem natural (de que se tratou nos n. 275, 342, 511, 876, 931 e 934); aqui, da Palavra, cujos veros gerais são as cognições. Daí, pelo ‘mar’ é significado o homem natural quanto às cognições do vero da Palavra e também as cognições do bem daí, pois as cognições do bem são também as cognições do vero, porque saber que algo é um bem, e que é tal bem, é um vero. Além disso, ver com o entendimento os vários bens e as suas diferenças, e também os seus opostos, que são chamados males, visto que são cognições, são veros. Não são, tampouco, essencialmente bens senão quando são sentidos como prazeres ou não prazeres, assim, quando são percebidos por algum sentido ou por algum amor. * * * * * * * Continuação [2] Agora segue-se o terceiro preceito, que é santificar o Sabbath. O terceiro e o quarto preceito do Decálogo contém coisas que devem ser feitas, a saber, que o Sabbath deve ser santificado e que os pais devem ser honrados. Os demais preceitos contêm coisas que não devem ser feitas, a saber, que não se deve adorar outros deuses, não se deve profanar o nome de Deus, não se deve roubar, não se deve adulterar, não se deve testemunhar falsamente, não se deve cobiçar os bens dos outros. A razão por que esses dois preceitos são preceitos que devem ser feitos é porque a santificação dos preceitos restantes depende deles, pois o Sabbath significa a união do Divino mesmo e do Divino Humano no Senhor, e também conjunção d’Ele com o céu e a com a igreja, e daí o casamento do bem e do vero no homem que é regenerado. Uma vez que o Sabbath significava essas coisas, por isso era o principal representativo de tudo do culto na Igreja Israelita, como é evidente em Jeremias (17:20-27) e outras passagens. Que tenha sido o principal representativo de tudo do culto era porque a primeira coisa de tudo do culto é o reconhecimento do Divino no Humano do Senhor, pois sem esses reconhecimento o homem não pode deixar de crer e fazer por si mesmo, e crer por si mesmo é crer nos falsos, e fazer por si mesmo é fazer os males. Isto também é evidente pelas palavras do Senhor mesmo em João: Respondeu o Senhor aos que interrogavam: “Que faremos para praticarmos as obras de Deus? ... Disse Jesus: Esta é a obra de Deus, que creiais n’Aquele que” Deus “enviou” (Jo. 6:28, 29), e, no mesmo: “Quem permanece em Mim, e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer” (Jo. 15:5). [3] Que o Sabbath tenha representado essa união e o seu reconhecimento mostrou-se muitas vezes nos Arcanos Celestes, a saber, que o Sabbath no sentido supremo significou a união do Divino mesmo com o Divino Humano no Senhor; no sentido interno, a conjunção do Humano do Senhor com o céu e com a igreja, em geral conjunção do bem e do vero, assim, o casamento celeste, n. 8495, 10356 e 10370. Daí é que o repouso no dia do Sabbath significou o estado dessa união, porque então o Senhor repousa; e também por este a paz e a salvação nos céus e nas terras, e, num sentido relativo, a conjunção do homem com o Senhor, porque então ele tem paz e salvação, n. 8494, 8510, 10360, 10367, 10370, 10374, 10668 e 10730. Que os seis dias que precedem o Sabbath significaram os trabalhos e a lutas antes da união e conjunção, n. 8510, 888, 9431, 10360 e 10667. [4] O homem que é regenerado tem dois estados; o primeiro quando está nos veros e, pelos veros, é conduzido ao bem e no bem, e o segundo quando está no bem. Quando o homem está no primeiro estado está, então, nas lutas ou tentações, mas quando no segundo, está na tranquilidade da paz. O estado anterior é o que é significado pelos ‘seis dias de trabalho’ que precedem o Sabbath, e o estado superior é o que é significado pelo ‘repouso no dia do Sabbath’, n. 9274, 9431 e 10360. Que também o Senhor tenha tido dois estados, o primeiro quando foi o Divino Vero e por este lutou contra os infernos e os subjugou, e o segundo quando Se tornou o Divino Bem pela união com o Divino mesmo em Si; o estado anterior é significado no sentido supremo pelos ‘seis dias de trabalho’, e o posterior pelo ‘Sabbath’, n. 10360. Como essas coisas eram representadas pelo Sabbath, por isso este era o principal representativo do culto e santíssimo acima das demais coisas, n. 10357 e 10372. Que ‘fazer obra no dia do Sabbath’ tenha significado não ser conduzido pelo Senhor, mas por si mesmo, assim, estar disjunto, n. 7893, 8495, 10360, 10362 e 10365. Que o dia do Sabbath, hoje, não seja representativo, mas um dia de instrução, n. 10360 ao fim.