. “E ouvi outro, do altar, dizendo”. Que isto signifique a pregação da justiça do Senhor por Seu reino celeste vê-se pela significação de ‘anjo do altar’, que é o reino celeste do Senhor, porque pelo ‘altar’ é significado o Senhor quanto ao Divino Bem, assim, também o céu que está no Divino Bem; esse céu, ou, os desse céu constituem o reino celeste do Senhor. (Que ‘altar’ signifique o Senhor quanto ao Divino Bem, n. 391. 490 e 915). Que o ‘anjo falando do altar1 signifique o reino celeste do Senhor é porque pelo ‘anjo das águas’ falando (do qual se tratou no vers. 5) se entende o reino espiritual do Senhor (de que se tratou acima, n. 971). Visto que, aqui, dos céus se prega a justiça do Senhor, e os céus consistem de dois reinos, a saber, o espiritual e o celeste, por isso, a pregação se faz a partir de um e outro reinos, e um se entende pelo ‘anjo das águas’ e outro pelo ‘anjo do altar’.
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Continuação sobre o Quinto Preceito
[2] Sejam também por exemplo os negociantes. As obras deles são todas más enquanto não consideram os ganhos ilegítimos e os juros ilícitos, as fraudes e a astúcia como pecados e, assim, não fogem destas coisas, porquanto tais coisas não podem ser feitas pelo Senhor, mas pelo homem. E as obras são piores daqueles que sabem compor práticas capciosas por um interno velhaco e ardiloso e lograr os companheiros; e são ainda piores as obras dos que sabem efetuar tais coisas sob o engano de sinceridade, justiça e piedade. Quanto mais o negociante percebe prazer em tais práticas, mais as suas obras têm origem no inferno. Se, porém, age sincera e justamente para ganhar reputação e, pela reputação, riquezas, a ponto de parecer que age pelo amor da sinceridade e da justiça, e não age sincera e justamente por afeição ou por obediência da lei Divina, esse é, contudo, insincero e injusto interiormente, e as suas obras são furtos, pois quer roubar pelo engano da sinceridade e da justiça.
[3] Que isto seja assim, é o que se manifesta após a morte, quando o homem age por sua vontade interior e por seu amor, e não pelo exterior; então, não pensa nem tenciona outra coisa senão maquinações e ladroeiras, e se desvia dos sinceros e se retira para florestas ou desertos, e planeja emboscadas. Em suma, tornam-se ladrões. Diferentemente, porém, os negociantes que fogem como pecados de furtos de todo gênero, principalmente os mais interiores e mais ocultos que se fazem por astúcias e dolo; as obras desses são todas boas, porque vêm do Senhor, pois o influxo do céu, isto é, do Senhor pelo céu, para praticá-las não é interceptado pelos males acima citados. Para esses as riquezas em nada prejudicam, pois as riquezas para eles são meios para o uso; os usos deles são os negócios, pelos quais servem à pátria e aos concidadãos. Além disso, pelas riquezas estão num estado de prestar usos, aos quais a afeição do bem os conduz.
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