. “Sim, Senhor Deus Todo-poderoso, verdadeiros e justos [são] os Teus juízos.” Que isto signifique que isto se faz porque do Divino Bem e do Divino Vero vem toda essência, vida e poder vê-se pela significação de ‘Senhor Deus’, que é o Senhor quanto ao Divino Bem e quanto ao Divino Vero, porque o Senhor é chamado ‘Senhor’ por causa do Divino Bem, e ‘Deus’ por causa do Divino Vero; pela significação de ‘Todo-poderoso’, que é ser, viver e poder por Si mesmo (de que se tratou nos n. 43, 689 e 939), assim também que o ser, o viver e o poder de todas as coisas, porque o Senhor é isto por Si mesmo, mas o homem o é pelo Senhor; pela significação de ‘Teus juízos’, que são as coisas que se fazem, a saber, que foram ditas acima (vers. 6). Que isto se entende pelos ‘juízos’ é evidente pelo versículo quinto, onde se diz: ‘Justo és, ó Senhor, e santo, porque julgaste estas coisas’. Os juízos são chamados ‘veros’ por causa do Divino Vero, e são chamados ‘justos’ por causa do Divino Bem; desses dois se fazem todas as coisas. (Que ‘justo’ se diga a respeito do Divino Bem vide acima, n. 972). Essas palavras, a saber, ‘Sim, Senhor Deus Todo-poderoso, verdadeiros e justos são os Teus juízos’ envolvem as mesmas coisas que as palavras no versículo quinto, a saber, ‘Justo és, ó Senhor, {Aquele} que é e que era, e santo, porque julgaste estas coisas’. A única diferença é que estas foram ditas pelo reino espiritual do Senhor, mas aquelas por Seu reino celeste. ‘Sim”, aqui, é o vocábulo confirmativo dos ditos do reino espiritual. Que envolvam as mesmas coisas vide acima (n. 972-974) e comparai. * * * * * * * Continuação sobre o Quinto Preceito [2] Pelo que foi dito acima pode-se ver agora o que se entende pelas ‘boas obras’ na Palavra, a saber, todas as obras que são feitas pelo homem quando os males são removidos como pecados, pois as obras que se fazem a partir daí não vêm do homem senão como se fosse por ele, pois são feitas pelo Senhor, e as que são feitas pelo Senhor são todas boas obras e se chamam bens da vida, bens da caridade e boas obras. São, assim, como os julgamentos de um juiz que tem por fim a justiça e a ela venera e ama como Divina, e detesta os julgamentos por causa de recompensa, amizade e favor como ações infames. Assim, pois, ele visa o bem da pátria, fazendo com que o juízo e a justiça reinem aí como no céu. E assim visa a paz de cada cidadão inocente e a protege da violência dos malfeitores. Estas são, todas, boas obras. Também as obras dos administradores dos ofícios e dos negociantes de negócios são todas boas quando fogem das vantagens ilícitas como pecados contra as leis Divinas. Quando o homem foge dos males como pecados, então aprende a cada dia o que é a obra boa, e nele aumentam a afeição de fazer o bem e a afeição de conhecer os veros por causa do bem, porque, quanto mais conhece os veros, mais plena e sabiamente pode fazer as obras. Daí as obras que fazem se tornam mais verdadeiramente boas. Desiste, pois, de perguntar em ti mesmo: ‘Quais são as boas obras que farei, ou que farei de bom para receber a vida eterna?’ Abstém-te somente dos males como pecados e olha para o Senhor, e o Ser te ensinará e te conduzirá. * * * * * * *