. “E o quarto anjo derramou a sua taça no sol”. Que isto signifique o estado da igreja manifestado quanto ao amor a Deus, assim, ao Senhor, vê-se pela significação do ‘anjo derramando a sua taça’, que é o estado da igreja manifestado (como acima, n. 969); e pela significação de ‘sol’, que é o amor a Deus, assim, ao Senhor (de que se tratou acima, n. 401, 412, 422, 525, 527 e 708). Que o ‘sol’ signifique o amor a Deus, assim, ao Senhor, é porque o Senhor como Sol perante os anjos nos céus, e a Sua aparência como Sol vem do Divino Amor, porque todo amor no mundo espiritual corresponde ao fogo e à chama, e, como corresponde, também se apresenta em representativo de sol e de chama. Por isso é que o Divino Amor do Senhor aparece como Sol. Daí é que o ‘sol’, na Palavra, significa o Senhor quanto ao amor para com todos os estão no céu e no mundo, e, num sentido recíproco, o amor ao Senhor. Pelo amor ao Senhor é significado o amor ou a afeição de cumprir os Seus mandamentos, por conseguinte, de guardar os preceitos do Decálogo, pois quanto mais o homem os guarda e pratica por amor ou por afeição, mais ele ama o Senhor. A razão disso é porque eles são o Senhor no homem. {Continuação} [2] Até aqui cinco preceitos do Decálogo foram explicados. Segue-se agora que deve ser explicado o sexto preceito, que é ‘não adulterarás’. Quem hoje pode crer que o prazer do adultério é o inferno no homem, e que o prazer do casamento é o céu nele? Consequentemente, que quanto mais o homem está num prazer, menos está no outro, porque quanto mais o homem está no inverno, menos está no céu? Quem hoje pode crer que o amor do adultério é o amor fundamental de todos os amores infernais e diabólicos, e que o amor casto do casamento é o amor fundamental de todos os amores celestes e Divinos? Consequentemente, que quanto mais o homem está nos adultérios, mais está em todo amor mau, se não no ato, todavia no esforço? Vice-versa, quando mais o homem está no amor casto do casamento, mais está em todo amor bom, se não no ato, todavia no esforço? Quem hoje pode crer que aquele que está no amor do adultério não crê em coisa alguma da Palavra, assim, nem em coisa alguma da igreja, e mesmo nega a Deus em seu coração? E, vice-versa, que aquele que está no amor casto do casamento está na caridade e na fé, e no amor a Deus? Também, que a castidade do casamento faz um com a religião, e a lascívia do adultério faz um com o naturalismo? [3] A razão pela qual hoje não creem é porque a igreja está em seu fim e devastada quanto ao vero e quanto bem; e quando a igreja é tal, então o homem da igreja, pelo influxo do inferno, entra na persuasão de que os adultérios não são detestáveis e abominações; e, daí, também entra na fé de que os casamentos e os adultérios não diferem em sua essência, mas somente quanto à ordem, quando, todavia, a diferença entre eles é como a diferença entre o céu e o inferno. Que haja essa diferença entre eles ver-se-á na sequência. Disto vem, pois, que o céu e a igreja, na Palavra, no sentido espiritual, se entendem por ‘núpcias’ e ‘casamentos’, e o inferno e a rejeição de todas as coisas da igreja, na Palavra, no sentido espiritual, se entendem por ‘adultérios’ e ‘escortações’.