. [Vers. 9] “E os homens foram abrasados com grande ardor”. Que isto signifique a cobiça de adulterar os veros e bens da Palavra vê-se pela significação de ‘grande ardor’, que é a concupiscência do falso e em relação ao falso, assim, a cobiças de adulterar os veros e bens da Palavra (de que se tratou no n. 481). Estas coisas foram ditas a respeito daqueles que estão na fé separada dos bens da vida, que se entendem por aqueles que ‘têm a marca da besta’ e pelos que ‘adoram a sua imagem’ (vers. 2). Como esses separam da fé o essencial mesmo da igreja, que é o bem da vida, e assim afastam de si o meio de salvações, não podem deixar de falsificar todos os veros da Palavra, porque os que afastam a vida segundo os preceitos do Senhor aniquilam todas as coisas da Palavra, pois os preceitos da Palavra são da vida. Os preceitos da fé, que são os veros da Palavra, ensinam a vida. * * * * * * * Continuação sobre o Sexto Preceito [2] Que o casamento seja o céu e o adultério seja o inferno não se pode ver melhor do que pela origem deles. A origem do amor verdadeiramente conjugal é o amor do Senhor para com a igreja. Daí o Senhor ser chamado na Palavra de ‘Noivo’ e ‘Marido’, e a igreja, ‘Noiva’ e ‘Esposa’. Desse casamento a igreja é igreja no geral e na parte; a igreja na parte é o homem em que está igreja. Daí é evidente que a conjunção do Senhor com o homem da igreja é a origem mesma do amor verdadeiramente conjugal. Mas também se dirá de que maneira essa conjunção pode ser a origem. A conjunção do Senhor com o homem da igreja é a conjunção do bem e do vero; do Senhor vem o bem e no homem está o vero; daí vem a conjunção que se chama casamento celeste. Desse casamento existe o amor verdadeiramente conjugal em ambos os cônjuges que estão em tal conjunção com o Senhor. Daí é evidente pela primeira vez que o amor verdadeiramente conjunção vem do Senhor somente, e {existe} naqueles que estão na conjunção do bem e do vero pelo Senhor. Como essa conjunção é recíproca, ela foi descrita pelo Senhor: Para que eles estejam n’Ele, e Ele neles (Jo. 14:20). [3] Essa conjunção ou esse casamento foi assim estabelecido desde a criação: o varão foi criado para ser entendimento do vero, e a mulher para ser afeição do bem; por conseguinte, para que o varão seja o vero e a mulher, o bem. Quando o entendimento do vero, que está no varão, faz um com a afeição do bem, que está na mulher, há o casamento das duas mentes em uma só. Esta conjunção é o casamento espiritual, do qual descende o amor conjugal, pois quando duas mentes foram conjuntas de modo a serem como uma só mente, entre eles há o amor. Esse amor, que é o amor conjugal espiritual, quando desce ao corpo, torna-se amor do casamento natural. Que seja assim, qualquer pode claramente perceber, se o quiser. Os cônjuges que interiormente se amam mutua e reciprocamente quanto às mentes, também se amam mutua e reciprocamente quanto aos corpos. É notório que tudo do amor desce no corpo pela afeição da mente, e que sem essa origem não existe amor algum. [4] Ora, como a origem do amor conjugal é o casamento do bem e do vero, casamento esse que em sua essência é o céu, é evidente que a origem do amor do adultério é o casamento do mal e do falso, que em sua essência é o inferno. Que o céu seja um casamento é porque todos os que estão nos céus estão no casamento do bem e do vero; e que o inferno seja um adultério é porque todos os que estão nos infernos estão no casamento do mal e do falso. Daí se segue que o casamento e o adultério são opostos entre si como o são o céu e o inferno.