. “E blasfemaram o nome de Deus”. Que isto signifique a falsificação da Palavra do Senhor até à destruição do Divino Vero nos céus vê-se pela significação de ‘blasfemar’, que é falsificar o Divino Vero até a sua destruição no céu (de que se tratou no n. 778); e pela significação de ‘nome de Deus’, que é o Divino Vero procedente do Senhor, assim, a Palavra (de que se tratou no n. 962). Daí, por ‘blasfemaram o nome de Deus’ é significada a falsificação da Palavra até a destruição do Divino Vero nos céus. (Sobre a falsificação da Palavra até a destruição o Divino Vero que há nela, no céu, vide n. 778, 888, 914, 916 ao fim e 950). * * * * * * * Continuação sobre o Sexto Preceito [2] O homem foi criado para ser amor espiritual e celeste e, assim, imagem de Deus e semelhança de Deus. O amor espiritual, que é o amor do vero, é a imagem de Deus, e o amor celeste, que é amor do bem, é a semelhança de Deus. Todos os anjos no terceiro céu são semelhanças de Deus, e todos os anjos no segundo céu são imagens de Deus. O homem não pode se tornar amor, que é imagem e semelhança de Deus, a não ser pelo casamento do vero e do bem, pois o vero e o amam se amam intimamente e se abrasam para se unirem a fim de serem um só. A razão disso é que o Divino Bem e o Divino Vero procedem unidos do Senhor, e, por conseguinte, devem ser unidos no anjo do céu e no homem da igreja. Essa união não pode existir de maneira nenhuma senão pelo casamento de duas mentes em uma só, porque, como foi dito acima, o varão foi criado para ser entendimento do vero, por conseguinte, o vero, e a mulher foi criada para ser afeição do bem, assim, o bem; neles se dá, pois, a conjunção do bem e do vero. Com efeito, o amor conjugal, que desce dessa conjunção, é o meio mesmíssimo para que o homem se torna amor, que é imagem e semelhança de Deus, porque dois cônjuges que estão pelo Senhor no amor conjugal se amam mutua e reciprocamente de coração, portanto, desde os íntimos, e, posto que aparentemente sejam dois, são, porém, em realidade um só. São dois quanto aos corpos, mas um quanto à vida. Isto pode ser comparado aos olhos, que são dois quanto aos órgãos, mas um só quanto à visão; semelhantemente, com os ouvidos, que são dois quanto aos órgãos, mas um só quanto à audição; assim também os braços e os pés: são dois quanto aos membros, mas um só quanto aos usos; os braços, um só quanto à ação, e os pés, um só quanto ao caminhar. É semelhante em relação aos demais pares no homem; eles também se referem ao bem e ao vero; o órgão ou membro que está à direita, ao bem, e o que está à esquerda, ao vero. É o mesmo em relação ao marido e sua esposa, entre os quais há o amor verdadeiramente conjugal: são dois quanto aos corpos, mas um só quanto à vida. Por isso também os dois cônjuges no céu não são chamados dois, mas um só anjo. Por aí é evidente que o homem se torna uma forma do amor e, assim, uma forma do céu, que é a imagem e a semelhança do Senhor, pelo casamento. [3] O homem nasce no amor do mal e do falso. Esse amor é o amor do adultério. Esse amor não pode ser convertido e mudado em amor espiritual, que é a imagem de Deus, e ainda menos em amor celeste, que é a semelhança de Deus, a não ser pelo casamento do bem e do vero oriundo do Senhor, e não plenamente a não ser pelo casamento de duas mentes e de dois corpos. Daí é evidente de onde procede que os casamentos sejam celestes e os adultérios infernais, pois o casamento é a imagem do céu, e o amor verdadeiramente conjugal é a imagem do Senhor; e o adultério é a imagem do inferno, e o amor do adultério a imagem do diabo. Além disso, o amor conjugal no mundo espiritual aparece na forma como um anjo, e o amor do adultério na forma como um diabo. Guarda isto em ti, leitor, e após a morte, quando viveres homem espírito, indaga se é um vero ou não, e verás.