. “Que tem autoridade sobre essas pragas”. Que isto signifique sem temor do juízo final pelo Senhor e, assim, da danação e da punição dos males e dos falsos daí, que devastaram a igreja, vê-se pela significação de ‘ter autoridade’, quando se trata de Deus, cujo nome blasfemaram, que é o Senhor quanto ao juízo final; e pela significação de ‘pragas’, que são os males e os falsos daí, e os falsos e os males daí, os quais devastaram a igreja (de que se tratou no . 949). Que seja o Senhor quanto ao juízo que é significado por ‘ter autoridade sobre as sete pragas’ de que se trata neste capítulo é porque aqui se trata do fim da igreja, quando há essas pragas, isto é, esses males e esses falsos. Depois disso o juízo é feito pelo Senhor. Além disso, pelo juízo final todos os que estão nessas pragas, isto é, nos males e falsos que devastaram a igreja, são lançados no inferno; assim a igreja nova, que então é instaurada, é purificada deles. Por aí é evidente o que é significado por ‘ter autoridade sobre essas pragas’.
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Continuação sobre o Sexto Preceito
[2] Que os adultérios sejam detestáveis e profanes pode-se ver pela santidade dos casamentos. Todas as coisas que há no corpo humano, da cabeça ao calcanhar do pé, tanto as interiores quanto as exteriores, correspondem aos céus. Daí é que o homem é um céu na mínima forma, e também daí é que os anjos e espíritos estão numa forma perfeitamente humana, pois são formas do céu. Todos os membros destinados à geração, em ambos os sexos, principalmente o útero, correspondem às sociedades do terceiro céu ou íntimo. A razão disso é que o amor verdadeiramente conjugal é derivado do amor do Senhor para com a igreja, e do amor do bem e do vero, amor esse que é o amor dos anjos do terceiro céu. Por isso, o amor conjugal, que daí descende, como o amor desses céus, é a inocência, que é o ser mesmo de todo bem nos céus. Daí é que os embriões no útero estão no estado de paz e, depois que nascem, são crianças num estado de inocência, do mesmo modo que a mãe para com elas.
[3] Visto que existe tal correspondência dos membros genitais de ambos os sexos, é evidente que são santos por criação e, por isso, destinados unicamente ao casto e puro amor conjugal, e não devem ser profanados pelo amor incasto e impuro do adultério; por este o homem converte em si o céu em inferno, pois assim como o amor do casamento corresponde ao amor supremo do céu, que é o amor ao Senhor oriundo do Senhor, assim o amor do adultério corresponde ao amor ínfimo do inferno. Que o amor do casamento seja tão santo e celeste é porque nasce do Senhor mesmo nos íntimos do homem e, segundo a ordem, desce aos últimos do corpo e, assim, enche todo o homem de amor celeste e induz a forma do Divino Amor. Essa forma é a forma do céu e é a imagem do Senhor, como foi dito acima. Mas o amor do adultério nasce dos últimos do homem e, aí, pelo fogo lascivo impuro e, assim, contra a ordem, penetra nos interiores, sempre no proprium do homem, que não é outra coisa senão males, e induz a forma do inferno, que é a imagem do diabo. Por esse motivo, o homem que ama o adultério e tem aversão ao casamento está na forma do diabo.
[4] Visto que os membros da geração em ambos os sexos correspondem às sociedades do terceiro céu e ao amor do casamento do bem e do vero, por isso também esses membros e esses amor correspondem à Palavra. A razão disso é que a Palavra é o Divino Vero unido ao Divino Bem procedente do Senhor, e daí é que o Senhor é chamado Palavra. Daí também é que em cada coisa da Palavra há o casamento do bem e do vero, ou o casamento celeste. Que haja essa correspondência é um arcano ainda não conhecido no mundo. Isto me foi confirmado e manifesto por muitas experiências. Disto também é evidente quão santos e celestes são em si os casamentos, e quão profanos e diabólicos são os adultérios. Daí é, também, que os adúlteros têm como nada os Divinos veros, por conseguinte, a Palavra; mesmo se falassem de coração, blasfemariam as coisas santas que há na Palavra. Isto eles fazem quando, após a morte, se tornam espírito, pois todo espírito é obrigado a falar do coração, para que os seus pensamentos interiores sejam revelados.
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