. “E o seu reino se tornou tenebroso”. Que isto signifique a igreja, daí, em meros e densos falsos vê-se pela significação de ‘reino’, que é a igreja quanto aos veros (de que se tratou nos n. 48, 683, 684 e 685); e pela significação de ‘trevas’, que são os falsos (de que se tratou no n. 526); aqui, são meros e densos falsos, porque se segue que ‘a ponto de morderem as línguas e blasfemarem o Deus do céu, por causa dos sofrimentos e das úlceras’. Que pela fé só, ou pela fé separada das boas obras, todos os veros da igreja tenham sido banidos e meros falsos tenham sido introduzidos no lugar deles mostrou-se acima em várias passagens. Nem pode ser diferente, quando a vida é separada da fé e, assim, excluída da religião. * * * * * * * Continuação sobre o Sexto Preceito [2] Foi dito acima que o céu vem dos casamentos e o inferno, dos adultérios. Dir-se-á agora de que maneira se deve entender isto. Os males hereditários em que o homem nasce não vêm de Adão, por ele ter comido da árvore do conhecimento, mas dos pais, por causa da adulteração do bem e da falsificação do vero, assim, por causa do casamento do mal e do falso, do qual existe o amor do adultério. O amor reinante dos pais é derivado por transmissão e transferido à prole e se torna sua natureza. Se o amor dos pais é o amor do adultério, é também o amor do mal em relação ao falso e do falso em relação ao mal. Desta origem o homem tem todo mal e do mal ele tem o inferno. Por aí é evidente que o homem tem o inferno pelos adultérios, a menos que seja reformado pelo Senhor por meio dos veros e por uma vida segundo os veros. E ninguém pode ser reformado a menos que fuga dos adultérios como infernais e ame os casamento como celestes. Assim, e não de outro modo, o mal hereditário é quebrado e mitigado na prole. [3] Cumpre saber, porém, que o homem de fato nasce no inferno pelos pais, mas não nasce, todavia, para o inferno, mas para o céu. Pois foi provido pelo Senhor que ninguém seja condenado ao inferno por causa dos males hereditários, mas por causa dos males que o homem realmente fizer de sua vida, como se pode ver pelas crianças, após a morte, que são todas adotadas pelo Senhor, criadas sob o Seu auspício no céu e salvas. Disto é evidente que todo homem, embora seja o inferno pelos esforços do mal, não nasce, contudo, para o inferno, mas para o céu. Dá-se de modo semelhante com todo homem mesmo nascido de um adultério, se ele mesmo não se tornar adúltero. Por tornar-se adúltero entende-se viver no casamento do mal e do falso, pensando nos males e falsos pelo prazer deles e fazendo-os pelo amor deles. Todo homem que faz isso também se torna adúltero. É, também, da justiça Divina que ninguém sofra penas por causa dos males dos pais, mas por causa dos seus próprios males. Por isso foi provido pelo Senhor que os males hereditários não retornem após a morte, mas os próprios males, e então o homem é punido por causa das coisas que retornam.