. “Por causa de seus sofrimentos e por causa de suas úlceras.” Que isto signifique por causa de repugnâncias e náuseas em relação aos veros e bens genuínos, oriundas dos falsos do mal em que se encontram aqueles que estão na fé só, vê-se pela significação de ‘sofrimentos’, que são a repugnância em relação aos veros e bens genuínos, oriundas dos falsos em que estão aqueles que se acham na fé só (de que se tratou no n. 990); e pela significação de ‘úlceras’, que são as náuseas decorrentes dos males da vida; que pelas ‘úlceras’ sejam significadas as más obras que vêm do proprium do homem e, daí, das falsificações do vero e do bem, vê-se acima (n. 962); que seja significada a náusea é porque se entende a dor decorrente das úlceras, pela qual blasfemaram o Deus do céu, porém não se entende a dor por causa disso, mas a náusea pelos veros e bens, que vem dali. * * * * * * * Continuação sobre o Sexto Preceito [2] Foi dito que o amor do adultério é um fogo, aceso das impurezas, que em breve se apaga e se converte em frio e em aversão correspondente ao ódio. Mas dá-se o contrário com o amor do casamento; este é um fogo aceso do amor do bem e do vero e do prazer de beneficiar, assim, do amor ao Senhor e do amor para com o próximo. Esse fogo, que por sua origem é celeste, é cheio de inúmeros prazeres, ou seja, que são igualmente inúmeros prazeres e bem-aventuranças do céu. Foi-me dito que há tantas e tais delicias e amenidades nesse amor, que às vezes se manifestam, que não podem ser numerados nem descritos, pois se multiplicam com aumentos na eternidade. A origem desses prazeres é o fato de os cônjuges quererem ser unidos em um só quanto às mentes, e de tal união o céu participa [conspirat] pelo casamento do bem e do vero proveniente do Senhor ali. [3] Eu gostaria de referir alguma coisa a respeito dos casamentos dos anjos no céu. Eles dizem que estão em sua potência continua; que após o ato nunca há lassidão, ainda menos tristeza, mas alacridade da vida e hilaridade da mente; que os cônjuges dormem mutuamente em seu seio como se fossem criados um; que os efeitos estão constantemente abertos, de sorte que nunca se acabam quando querem, porque sem isso o amor seria como uma veia de uma fonte obstruída; o efeito a abre e faz a perenidade e, também, a conjunção, para que se tornem uma só carne, porque o vital do varão se ajunta ao vital da esposa, e se ligam. Eles dizem que as delícias dos efeitos não podem ser descritas por palavras de nenhuma língua no mundo natural nem entram no pensamento das ideias senão as espirituais, que, todavia, não se exaurem. Estas coisas me foram ditas pelos anjos.