. “E não se arrependeram de suas obras.“ Que isto signifique que não quiseram viver segundo os preceitos do Senhor vê-se pela significação de ‘arrepender-se’, que é viver outra vida; e pela significação de ‘suas obras’, que são os males provenientes dos falsos, pois aqueles que separam da fé as obras, dizendo que as obras, porque vêm do homem, não são boas, e que são meritórias, por conseguinte, não devendo ser conjuntas à fé que é espiritual e justificante, esses praticam os males dos falsos. Porque, por falso princípio, o homem não opera bem algum, e onde não há bem, há o mal. Dá-se diferentemente quando o homem vive segundo os preceitos do Senhor, os quais são, que se deve abster dos males e deve-se fazer os bens. Daí, por ‘não se arrependeram de suas obras’ é significado que não quiseram viver segundo os preceitos do Senhor. * * * * * * * Continuação sobre o Sexto Preceito [2] Que o amor verdadeiramente conjugal contenha em si tanto prazeres inefáveis que excedem números e palavras pode-se ver também pelo fato de que esse amor é o fundamental de todos os amores celestes e espirituais, porque por ele o homem se torna amor. Com efeito, o cônjuge ama o outro cônjuge por ele assim como o bem ama o vero e o vero ama o bem, assim, representativamente, como o Senhor ama o céu e a igreja. Esse amor não pode existir senão pelo casamento, no qual o varão é o vero e a esposa é o bem. Quando o homem se torna tal amor pelo casamento, então está também no amor ao Senhor e no amor para com o próximo, e, por conseguinte, no amor de todo bem e no amor de todo vero, pois do homem como amor não podem proceder senão amores de todo gênero. Daí é que o amor conjugal é o amor fundamental de todos os amores do céu. Ora, visto que é o amor fundamental de todos os amores do céu, é também o fundamental de todos os prazeres e regozijos do céu, pois todo prazer e regozijo pertence ao amor. [3] Disto se segue que os regozijos celestes em sua ordem e em seus graus derivam suas origens e causas do amor conjugal. Pelas felicidades dos cônjuges se pode concluir a respeito das infelicidades dos adúlteros, a saber, que o amor do adultério é o fundamento de todos os amores infernais, os quais em si não são amores, mas ódios. Por conseguinte, que é do amor do adultério de que brotam ódios de todo gênero, tanto contra Deus como contra o próximo, e em geral contra todo bem e vero do céu e da igreja. Daí é que eles têm tantas infelicidades, porque o homem, pelos adultérios, se torna uma forma do inferno, e pelo amor deles se torna imagem do diabo, como foi dito anteriormente. Que dos casamentos em que há o amor verdadeiramente conjugal todos os prazeres e felicidades aumentem até aos prazeres e felicidades do céu íntimo, e que os desprazeres e as infelicidades, nos casamentos em que reina o amor do adultério, aumentem em barbaridade até o inferno íntimo, vê-se na obra sobre O Céu e o Inferno (n. 386). * * * * * * *