. [Vers. 12] “E o sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates”. Que isto signifique o estado da igreja quanto às coisas racionais e à inteligência daí vê-se pela significação do ‘anjo derramando a taça’, que é o estado da igreja manifestado (como algumas vezes acima); e pela significação de ‘Eufrates’, que é o racional (de que se tratou no n. 569); ele é chamado ‘grande rio’ por causa da inteligência que o homem tem pelo racional, porque ‘rio’ significa a inteligência (vide no n. 518), porque toda inteligência do homem natural vem de seu racional, pois o racional é o meio entre o espiritual e o natural, e, como é o meio, recebe primeiro o influxo do mundo espiritual e o transfere ao natural. Daí é que antes que a mente espiritual, que é chamada homem espiritual, possa ser aberta e, daí, possa haver por meio dela influxo na mente natural, o racional deve ser cultivado, o que se faz pelos conhecimentos, que são os veros naturais e morais, e pelas cognições do vero e do bem da Palavra. Por estes a mente racional é aberta de baixo. Mas, assim que a mente espiritual é aberta e, daí, se dá o influxo, a mente racional é aberta em cima, e assim o racional, como um intermediário, dá passagem, e então por ela a mente natural, na qual estão os conhecimentos e as cognições, é subordinada à mente espiritual, assim, ao céu e ao Senhor. * * * * * * * Continuação sobre o Sexto Preceito [2] O amor verdadeiramente conjugal vem do Senhor, somente. Que venha somente do Senhor é porque ele descende do amor do Senhor para com o céu e a igreja, e, daí, do amor do bem e do vero, pois é do Senhor que vem o bem e é no céu e na igreja que está o vero. Segue-se daí que o amor verdadeiramente conjugal em sua primeira essência é o amor ao Senhor. Daí é que ninguém pode estar no amor verdadeiramente conjugal e em suas amenidades, prazeres, bem-aventuranças e regozijos a menos que reconheça o Senhor somente, isto é, o Trino n’Ele. Quem se dirige ao Pai como uma Pessoa por si, ou ao Espírito Santo como uma Pessoa por Si, e eles não no Senhor, não tem o amor conjugal. O genuíno conjugal existe principalmente no terceiro céu, porque os anjos ali estão no amor ao Senhor, reconhecem-No como único Deus e cumprem os Seus mandamentos. Para eles, cumprir os mandamentos é amá-Lo. Os mandamentos do Senhor são os veros nos quais eles O recebem. Há conjunção do Senhor com eles e deles com o Senhor, pois estão no Senhor porque estão no bem, e o Senhor está neles porque estão nos veros. Este é o casamento celeste, do qual descende o amor verdadeiramente conjugal.