. “Três espíritos imundos semelhantes a rãs”. Que isto signifique os raciocínios por meros falsos contra os Divinos veros vê-se pela significação de ‘espíritos imundos’, que são os falsos que vêm do inferno, pois todos os que estão nos infernos são imundos por causa dos falsos do mal, porque todas as coisas imundas existem pelos infernos que vêm do falso do mal, e todas as coisas puras, dos veros que vêm do bem; pela significação de ‘três’, que são todas as coisas e a plenitude, e se atribuem aos ou veros ou aos falsos (e que se tratou acima, n. 435, 506, 532 e 658); daí, também por ‘três’ é significado inteira e meramente, aqui, o mero falso; e pela significação de ‘rãs’, que são os raciocínios pelos falsos. Que estes sejam significados pelas ‘rãs’ é não somente por causa do coaxar deles, mas também por causa da morada nelas nos lagos pantanosos e fétidos, pelos quais são também significados os falsos infernais, porque os que raciocinam pelos falsos contra os Divinos veros moram nos infernos que aparecem como pântanos e lagos fétidos; e os que estão ali, quando são vistos sob a luz do céu, são semelhantes a rãs, alguns numa forma maior, outros numa menor, segundo a exaltação da mente pelo raciocínio mais agudo ou mais grosseiro. Há, também, imundícies maiores e menores, segundo os raciocínios contra os Divinos veros mais interiores e mais dignos. [2] Que as ‘rãs’ signifiquem os raciocínios por meros falsos contra os Divinos veros pode-se ver pelo milagre das rãs no Egito. Com efeito, por todos os milagres feitos ali são significadas pragas ou males que afetam após a morte aqueles que pelos conhecimentos do homem natural lutam contra os bens e veros espirituais e se esforçam por destruí-los. Pelo ‘faraó’ e pelos ‘egípcios’ eram representados e, daí, significados os homens naturais, e pelos ‘filhos de Israel’, aos quais infestavam e queriam reduzi-los a servos, eram representados e, daí, significados os homens espirituais. Assim também, pelos ‘egípcios’, as coisas que são do homem natural, e pelos ‘filhos de Israel’, as que são do homem espiritual. As que são do homem natural se referem aos males e falsos, e as más se relatam ao amor, e os falsos, à sua doutrina; e as que são do homem espiritual se referem aos bens que são do amor e aos veros que são de sua doutrina. Que pelas ‘rãs’ aí sejam significados os raciocínios do homem natural pelos falsos contra os veros do homem espiritual é evidente pela descrição desse milagre em Moisés, Que fez correr um rio de rãs, e elas subiram, e entraram na casa do faraó, e em seus quartos de dormir, e sobre o seu leito, e na casa de seus servos, e de seu povo, e nos fornos e nas amassadeiras. E, depois que morreram, foram ajuntadas em montões, e a terra cheirou mal (Êx. 8:1-14). Que as ‘rãs’ aqui signifiquem os raciocínios do homem natural pelos falsos contra os Divinos veros pode-se ver pela explicação de tudo isto nos Arcanos Celestes (n. 7345-7357 e 7379-7409). [3] Também em David: “Converteu as águas deles em sangue, e matou o peixe deles; fez jorrar rãs na terra deles, nos quartos dos reis deles” (Sl. 105:29, 30). Essas palavras são a respeito das pragas no Egito. Pelas ‘águas convertidas em sangue’ são significados os veros falsificados; pelos ‘peixes mortos’ são significados os conhecimentos verdadeiros e as cognições do homem natural, que eles destruíram; pelas ‘rãs jorrando nas terras’ são significados os raciocínios do homem natural pelos falsos; os ‘quartos dos reis’ significam os veros interiores, que eles perverteram pelos raciocínios dos falsos (os ‘quartos’ são os interiores, e os ‘reis’ são os veros). Coisas semelhantes são significadas pelo fato de ‘as rãs terem subido à casa do faraó, em seus quartos de dormir e em seu leito’. Por aí é agora evidente o que é significado pelos ‘três espíritos imundos semelhantes a rãs’, que saíram da boca do dragão, da besta e do falso profeta. * * * * * * * Continuação sobre o Sexto Preceito [4] Os que estão no amor verdadeiramente conjugal, após a morte, quando se tornam anjos, retornam à sua juventude e adolescência. Os homens, por mais envelhecidos que sejam, se tornam jovens, e as esposas, envelhecidas se tornam adolescentes. Ambos os cônjuges retornam à flor e ao regozijo da idade quando o amor conjugal começa a exaltar a vida com novos prazeres e a inspirar as graças por causa da prolificação. A esse estado vem primeiro interiormente, em seguida cada vez mais interiormente pela eternidade o homem que fugiu dos adultérios como pecados e no mundo foi iniciado no amor conjugal pelo Senhor. Visto que sempre rejuvenescem interiormente, segue-se que o amor verdadeiramente conjugal aumenta continuamente e entra em suas delícias e felicidades, que foram providas desde a criação do mundo, delícias e felicidades essas que são oriundas do céu íntimo pelo amor do Senhor para com o céu e a igreja e, daí, do amor do bem e do vero entre si. Desses amores vem todo regozijo nos céus. Que o homem assim rejuvenesça no céu é porque então entra no casamento do bem e do vero, e o bem está no esforço de amar o vero continuamente, e o vero está no esforço de amar o bem continuamente; e, então, a esposa é o bem em forma, e o varão é o vero em forma. Por esse esforço o homem deixa toda dureza, tristeza e secura senil, e se reveste do que é vívido, alegre e de frescor juvenil, pelo que o esforço vive e se torna regozijo. [5] Foi-me dito do céu que eles então têm a vida do amor que não pode ser descrita de outro modo senão que é a vida de seu regozijo mesmo. Que o homem que vive no amor verdadeiramente conjugal no mundo venha após a morte ao casamento celeste, que é o do bem e do vero, oriundo do casamento do Senhor com a igreja, é claramente evidente pelo fato de que dos cônjuges nos céus – embora os cônjuges ali se consociem como nas terras – não nascem filhos, mas, em lugar de filhos, bens e veros e, daí, sabedoria, como anteriormente foi dito. Daí é que pelos ‘partos’, ‘nascimentos’ e ‘gerações’ na Palavra, em seu sentido espiritual, entendem-se os partos, nascimentos e gerações espirituais; pelos ‘filhos e filhas’, os veros e bens da igreja, e outras coisas, mas semelhantes, por ‘nora’, ‘sogra’ e ‘sogro’. Por aí também se pode ver claramente que os casamentos nas terras correspondem aos casamentos nos céus, e que o homem, após a morte, vem a essa correspondência, a saber, do casamento natural corpóreo ao casamento espiritual celeste, que é o céu mesmo e o regozijo do céu.