. (Vers. 16) “E os ajuntou no lugar chamado em hebraico Armageddon.” Que isto signifique o estado da luta pelos falsos contra os veros, oriundo do amor de si nos homens da igreja, vê-se pela significação de ‘ajuntá-los no lugar, a saber, para a batalha, que se dispor para lutar pelos falsos contra os veros. Que seja o estado de luta é porque ‘lugar’ significa o estado da coisa; e que seja pelos falsos contra os veros é porque se entende que o ‘dragão’ os ajuntou, pois no cap. 12 é dito
Que o dragão saiu para fazer guerra aos restantes da semente de mulher, os que observam os mandamentos de Deus e que têm o testemunho de Jesus Cristo (Ap. 12:17);
e, de sua besta que sobe do mar, no cap. 13,
Que foi-lhe dado fazer guerra aos santos e vencê-los (Ap. 13:7).
Aqui, pois, é nomeado o lugar onde foram ajuntados e iniciaram a batalha. Acredita-se que por ‘Armageddon’ se entende Megiddon, onde Josias, o rei de Judah, lutando contra o faraó, foi derrotado ( de que se trata em 2 Re. 23:29, 30; 2 Cr. 35:20-24; e também em Zc. 12). Mas ainda se desconhece o que é significado aí por ‘Megiddon’ no sentido espiritual, pelo que será dito. Por ‘Armageddon’ é significado o amor da honra, do domínio e da sobre-eminência. Esse amor é também significado por Megiddon na antiga língua hebraica, como é evidente pela significação dessa palavra na língua arábica. Nenhuma outra coisa se entende nos céus por ‘Armageddon’, pois todos os lugares nomeados na Palavra significam coisas e estados.
[2] Que o amor da honra, do domínio e da sobre-eminência seja o último estado da igreja, quando os falsos hão de combater os veros, é porque esse amor há de reinar na igreja, em seus últimos tempos, e quando esse amor reina, então reina o falso do mal, e este vence o vero, porque tal amor, mais do que todos os outros amores, extingue a luz do céu e induz as trevas do inferno. A razão disso é que esse amor é o proprium mesmo do homem, e o homem, por seu proprium, não pode por força alguma ser sujeitado e elevado ao céu enquanto esse amor reinar. E o proprium, no qual esse amor mergulha inteiramente o homem, não é senão o mal e o falso. Que o homem, por esse amor, esteja na escuridão quanto a todas as coisas que são do céu, consequentemente, em meros falsos, isto não se mostra ao homem que nele está, porque o lume natural neles brilha tanto quanto a luz espiritual é extinta. Mas esse brilho vem de um lume fátuo, pois é o lume aceso pelo amor da glória, assim, pelo amor da própria inteligência; essa inteligência, vista no céu, é insanidade e fatuidade. Quando, pois, esse amor reina na igreja, então ela chega ao fim, pois não há mais entendimento algum do vero nem vontade do bem, porque, a honra, o domínio e a sobre-eminência são a máxima volúpia e são sentidas como o máximo bem; e o que é a máxima volúpia e o máximo bem é também o fim pelo qual todas as coisas {são consideradas}. E, então, todos os bens e veros, tanto os civis e morais quanto os espirituais, servem como meios, e os meios são amados somente por causa do fim e enquanto servem ao fim. E, se não servem, são completamente vilipendiados e rejeitados, assim também todos os usos civis, morais e espirituais. Dá-se diferentemente quando os usos são considerados como fins, e o homem não atribui glória e honra à sua pessoa, mas aos usos mesmos segundo a excelência deles. Então a honra, o domínio e a sobre-eminência são meios, e não são estimados senão enquanto servem aos usos como meios. Por aí se pode de algum modo ver o que se entende por ‘Armageddon’.
[3] Também foi mostrado ao vivo que esse amor tem devastado a igreja e adulterado todos os seus bens e veros, não somente no reino da Babilônia, mas também nos demais reinos. Praticamente cada um hoje, após a morte, quando vem ao mundo espiritual, traz consigo do mundo o natural a condição de querer ser honrado, de dominar e ser sobre-eminente, e pouquíssimos são os que amam os usos por causa dos usos. Pois eles querem que os usos sirvam, e que a honra, que não é o uso, impere; e quando isto reina, o que é separado do uso nada é, e eles não podem ter sorte e herança nos céus, onde somente os usos reinam, pois o reino do Senhor é o reino dos usos, porque, quando os usos reinam, então o Senhor reina, pois os usos são bens e todo bem vem do Senhor. Este é, pois, o estado da igreja manifestado quanto às coisas racionais, estado esse que é significado pelo ‘sexto anjo derramando a sua taça sobre o grande rio Eufrates’, estado esse de que agora se tratou.
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Continuação sobre o Sexto Preceito
[4] Estas coisas foram ditas a respeito dos adultérios. Dir-se-á agora, também, o que é o adultério é. Adultérios são todas as escortações que destroem o amor conjugal. A escortação de um marido coma esposa de outro, ou com uma mulher, seja viúva, seja virgem, seja meretriz, é adultério, quando se faz pela repugnância ou pela aversão ao casamento. Semelhantemente, a escortação de uma esposa com o varão casado ou com um varão solteiro, quando se faz pela mesma razão. Também as escortações de cada varão não casado com a esposa de outro, e de cada mulher não casada com o varão de outra, são adultérios, porque destroem o amor conjugal, desviando as mentes deles do casamento para o adultério. Os prazeres das variedades com prostitutas são também prazeres do adultério, porque o prazer da variedade destrói o prazer do casamento. O prazer de deflorar virgens sem propósito de casamento é, também, prazer de adultério, pois os que estão nesse prazer querem o casamento, depois, somente por causa da defloração, que, quando pratica, eles têm repugnância ao casamento. Em suma, toda escortação que destrói o conjugal e extingue o seu amor é adultério ou do adultério. O que, porém, não destrói o conjugal nem extingue o seu amor é a fornicação que brota de um determinado instinto da natureza em relação ao casamento, que, por várias razões, não pode ainda ser contraído.
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