. “Tal como nunca houve desde que os homens foram feitos sobre a terra”. Que isto signifique que foi plenamente invertido, mais do que até hoje houve nas terras onde há a igreja, vê-se pela significação de ‘terremoto tal como nunca houve’, que é o estado da igreja tão mudado que até hoje {não houve igual}, assim, plenamente invertido; e pela significação de ‘homens feitos sobre a terra’, que é naqueles que são da igreja, assim, nas terras onde há a igreja. Aqui se trata principalmente do estado da igreja nos reformados, não nos babilônicos, pois destes se tratará na sequência. Que o estado da igreja se tenha convertido no contrário é evidente pelo fato de hoje não se saber o que é o bem nem o que é o vero, nem mesmo o que é o amor e o que é a fé, pois ao amar chamam fé, às obras chamam fé, ao bem chamam fé, ao vero chamam fé, e nada veem senão a fé aceita, na qual se resume que tudo da igreja é a fé do vero, porque consiste meramente de coisas incompreensíveis. * * * * * * * Continuação sobre o Sétimo Preceito [2] Visto que o ódio é o fogo infernal, é evidente que ele deve ser removido antes que o amor, que é o fogo celeste, possa influir e, pela luz de si, vivificar o homem. E esse fogo infernal não pode de modo algum ser removido a menos que o saiba de onde vem o ódio e o que é o ódio, e em seguida o tenha em aversão e fuja dele. Cada homem tem, pelo hereditário, ódio contra o próximo, pois todo homem nasce no amor de si e do mundo, pelo que concebe o ódio e, por ele, se abrasa contra todos os que não fazem um com ele e o {não} favorecem, principalmente aqueles que se opõem ás suas concupiscências. Com efeito, ninguém pode amar a si sobre todas as coisas e amar ao mesmo tempo o Senhor, e ninguém pode amar o mundo sobre todas as coisas e ao mesmo tempo amar o próximo, porque ninguém pode servir ao mesmo tempo a dois senhores, pois terá ódio e desprezo a um e amará e honrará o outro. O ódio está principalmente naqueles que estão no amor de dominar sobre todo; nos outros há a inimizade. [3] Dir-se-á também o que é o ódio. O ódio tem em si um fogo que é o esforço de matar o homem. Esse fogo é manifesto pela ira. Existe uma espécie de ódio e, daí, de ira nos bons contra o mal, mas não é ódio e, sim, uma aversão ao mal, e não é ira, mas o zelo pelo bem, nos quais se encerra interiormente o fogo celeste, pois eles têm aversão ao mal e ira, por assim dizer, contra o próximo, para que removam o mal e, assim, considerem o bem do próximo.