. “E a grande Babilônia veio à lembrança diante de Deus”. Que isto signifique que até aqui se tratou da igreja com os reformados e de sua devastação, e que em seguida se tratará da igreja com os católicos e de sua devastação vê-se pela significação de ‘Babilônia’, que é a igreja com os católicos, porquanto pela ‘Babilônia’ é significado o amor de dominar sobre o céu e sobre a terra pelas coisas santas da igreja, e esse amor domina principalmente nos católicos. Que por essas palavras se entenda também que até aqui se tratou da igreja com os reformados e de sua devastação é evidente pelas coisas que precedem e pelas que se seguem. Nas que precedem se tratou do ‘dragão’ e das ‘duas bestas’, pelos quais foi descrita a igreja com os reformados; e pelos ‘sete anjos que derramam sete taças’ foi descrita a sua devastação (como também se pode ver pelo versículo 13 deste capítulo). Nas coisas que se seguem será descrita a igreja com os católicos; no capítulo 17, pela ‘meretriz que se assenta sobre a besta escarlate’, e no capítulo 18 se descreve a sua devastação. Daí é evidente que ‘a grande Babilônia ter vindo à lembrança diante de Deus’ significa que até aqui se tratou da igreja com os reformados e de sua devastação, e que em seguida se tratará da igreja com os católicos e de sua devastação. * * * * * * * {Sobre o Nono Preceito} [2] Tratar-se-á aqui do nono preceito, “não cobiçarás a casa do próximo’. Há dois amores de que todas as concupiscências emanam perenemente, como rios que jorram de suas fontes; esses amores se chamam amor do mundo e amor de si. A concupiscência é o amor continuamente querendo, pois aquilo que o homem ama, isso ele continuamente cobiça; mas as concupiscência pertencem ao amor do mal, enquanto os desejos e as afeições pertencem ao amor do bem. Ora, visto que o amor do mundo e o amor de si são as fontes de todas as concupiscências, e todas as concupiscências más estão proibidas nesses dois últimos preceitos, segue-se que o novo preceito proíbe as concupiscências que procedem do amor do mundo, enquanto o décimo preceito proíbe as concupiscências oriundas do amor de si. Por ‘não cobiçar a casa do próximo’ entende-se não cobiçar os seus bens, que são, em geral, as posses e as riquezas, e apropriar-se delas por artifícios maus. Esta concupiscência pertence ao amor do mundo.