. “Para dar-lhe o copo da inflamação de Sua ira.” Que isto signifique a devastação por medonhos falsos do mal vê-se pela significação de ‘copo’, que é falso vindo do inferno, que é o falso do mal (de que se tratou no n. 960); e visto que parece que Deus Se inflama e tem ira por causa disso, é dito ‘copo da inflamação da ira de Deus’; ‘inflamação’ por causa do falso, e ‘ira’ por causa do mal. Daí, ‘dar-lhes o copo’ significa devastar, pois o falso do mal oriundo inferno devasta a igreja quanto a todo bem e vero. Que a igreja que se entende por ‘Babilônia’ esteja assim devastada ver-se-á pelos dois capítulos seguintes. * * * * * * * {Sobre o Décimo Preceito} [2] Sobre o décimo preceito, “não cobiçarás (ou desejarás) a esposa de teu companheiro, a ou seu servo ou a sua escrava, o seu boi ou seu jumento”. Essas concupiscências se referem ao proprium do homem, porque a esposa, o servo, a escrava, o boi e o jumento estão dentro de sua casa, e pelas coisas que estão dentro da casa do homem se entendem, no sentido espiritual interno, as de seu proprium, a saber, pela ‘esposa’ a afeição do vero e do bem espiritual, pelo ‘servo’ e pela ‘escrava’ a afeição do vero e do bem racional que servem ao espiritual, e pelo ‘boi’ e o ‘jumento’ a afeição do bem e do vero natural. Essas afeições são significadas por essas coisas na Palavra. Mas, visto que cobiçar e desejar essas afeições é querer e cobiçar sujeitar o homem à sua autoridade, ou fazê-lo de seu direito, segue-se daí que pelas concupiscências em relação a elas se entendem as concupiscências do amor de si, isto é, do amor de dominar, pois assim se faz suas as coisas próprias do companheiro. [3] Por aí se pode ver agora que a concupiscência do nono preceito é a concupiscência do amor do mundo, e a concupiscência deste {décimo} preceito são as concupiscências do amor de si, porque, como foi dito anteriormente, todas as concupiscências pertencem ao amor, porquanto é o amor que cobiça; e como é aos dois amores do mal a que todas as concupiscências se referem, a saber, ao amor do mundo e ao amor de si, segue-se que a concupiscência do nono preceito se refere ao amor do mundo, e as concupiscências deste {décimo} preceito se referem ao amor de si, particularmente ao amor de dominar. (Que desses dois amores brotem todos os males e os falsos daí vê-se acima, n. 159, 171, 394, 506, 517, 650, 950, 951, 973, 982, 1010 e 1016, e na Doutrina da Nova Jerusalém, n. 65-83). * * * * * * *