. “Porque muito grande era a sua praga.” Que isto signifique a destruição total do vero genuíno vê-se pela significação de ‘praga de saraiva’, que é a falsificação da Palavra (de que se tratou logo acima). Daí, ‘muito grande era a sua praga’ significa a mais pesada falsificação, que é a Palavra ser falsificada até a destruição de todo vero genuíno. De que modo a Palavra é falsificada até a destruição do vero genuíno, e que por isso o céu é fechado para o homem, vide nos n. 719, 778, 888, 914, 916 e 950. * * * * * * * Sobre os Preceitos do Decálogo em Geral [2] Alguns dizem que quem peca contra um só preceito do Decálogo peca também contra os restantes; assim, que é culpado de todos aquele que é culpado de um. Dir-se-á, porém, de que maneira isto concorda com a verdade. Quem transgride um só preceito, confirmando em si que não é pecado, e assim o comete sem temor de Deus, esse, porque rejeita o temor de Deus, tampouco teme transgredir os preceitos restantes, ainda que em realidade não transgrida. [3] Como, por exemplo, quem não considera como pecados as fraudes e os ganhos ilícitos, que em si são furtos, esse tampouco considera como pecados adulterar com a esposa de outro, ter ódio de um homem até à morte, mentir a ele, cobiçar a sua casa e as várias coisas que são dele, pois nega que haja algum pecado quando em um preceito rejeita de coração o temor de Deus. Daí está em comunhão com aqueles que semelhantemente transgridem os demais preceitos. É como um espírito infernal, que está no inferno dos ladrões. Esse, ainda que não seja adúltero, homicida e falsa testemunha, está, todavia, em comunhão com eles, e pode por eles ser persuadido a crer que tais coisas não são males, e pode também ser levado a fazê-las. Porque, quem se tornou espírito infernal pela transgressão de um só preceito, esse não mais crê que seja algum pecado fazer algo contra Deus e fazer algo contra o próximo. [4] O contrário acontece com aqueles que se abstêm do mal de um só preceito, fogem disto como pecado e, em seguida, têm aversão a isto. Esses, porque temem a Deus, entram em comunhão com os anjos dos céu, e são levados pelo Senhor a se absterem dos males dos demais preceitos, a fugir deles e, finalmente, a terem aversão a eles como pecados. E se, talvez, pecarem contra eles, ainda assim fazem penitência, e desse modo são tirados gradativamente deles. * * * * * * * [Fim do Quinto Volume] ******** INICIO DE VOLUME VI