Explicatione super Apocalypsin
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Explicação do Apocalipse
(Apocalipse Explicado)
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O Apocalipse explicado de acordo com o sentido espiritual,
em que são desvendados os arcanos ali preditos
e que têm estado ocultos até agora.
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Obra póstuma de
Emanuel Swedenborg
Volume VI
Parágrafos 1028 a
Apocalipse, Capítulos 13 e
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Tradução por C. R. Nobre
Edições das Doutrinas Celestes para a Nova Jerusalém
Brasil, 2014
Explicação do Apocalipse
(Apocalipse Explicado)
Traduzido do latim
Explicatione super Apocalypsin
(O Apocalipse explicado de acordo com o sentido espiritual, em que são desvendados os arcanos ali preditos e que têm estado ocultos até agora).
Obra póstuma de Emanuel Swedenborg
Tradução:
Cristóvão Rabelo Nobre
Revisão:
Direitos reservados às
Edições das Doutrinas Celestes para a Nova Jerusalém
Brasil, 2014
Apocalipse
Capítulo XVII
1. E veio um dos sete anjos que têm as sete taças, e falou comigo, dizendo-me: Vem! Mostrar-te-ei o julgamento da grande meretriz que se assenta sobre muitas águas;
2. Com a qual praticaram escortação os reis da terra, e se embriagaram com o vinho de sua escortação os que habitam a terra.
3. E transportou-me em espírito ao deserto, e vi uma mulher sentada sobre uma besta escarlate, cheia de nomes de blasfêmia, tendo sete cabeças e dez chifres.
4. E a mulher [estava] envolta em púrpura e escarlate, e ornada de ouro, e de pedra preciosa, e de pérolas, tendo um copo de ouro em sua mão, cheio das abominações e da imundície de suas escortações.
5. E sobre a sua fronte um nome escrito: Mistério, grande Babilônia, mãe das escortações e das abominações da terra.
6. E vi a mulher embriagada com o sangue dos santos, e do sangue das testemunhas de Jesus. Ao vê-la, e admirei-me com grande admiração.
7. E disse-me o anjo: Por que [te] admiras? Eu te direi o mistério da mulher, e da besta que a carrega, tendo sete cabeças e dez chifres.
8. A besta que viste era e não é, e há de subir do abismo e ir para a destruição; e os habitantes sobre a terra (cujos nomes não foram escritos no livro da vida desde a fundação do mundo) ficarão admirados ao verem a besta, que era e não é, entretanto é.
9. Esta é a mente que tem sabedoria: as sete cabeças são sete montes, onde a mulher se senta sobre eles.
10. E os reis são sete; cinco caíram, e um é, e o outro ainda não veio; e quando vier, importa que ele permaneça pouco tempo.
11. E a besta, que era e não é, a mesma é o oitavo, e é [parte] dos sete, e vai para a destruição.
12. E os dez chifres que viste são dez reis, que ainda não receberam o reino, mas recebem autoridade como reis por uma hora, com a besta.
13. Estes têm uma só sentença, e darão seu poder e autoridade à besta.
14. Estes lutarão com o Cordeiro, mas o Cordeiro os vencerá, porque é o Senhor dos senhores, e o Rei dos reis; e os que estão com Ele são os chamados, e os eleitos e os fiéis.
15. E disse-me: As águas que viste, onde a meretriz se senta, são os povos e multidões, e nações e línguas.
16. E os dez chifres que viste sobre a besta, estes terão ódio à meretriz, e a farão devastada, e nua, e comerão as suas carnes, e a queimarão no fogo.
17. Porque Deus pôs nos corações deles dar a sua sentença, e dar uma só sentença, e dar seu reino à besta, até que sejam consumadas as palavras de Deus.
18. E a mulher que viste é a grande cidade, que tem reino sobre os reis da terra.
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1029. Visto que neste capítulo e no seguinte se trata da Babilônia, por isso, antes da explicação destes capítulos dir-se-á o que se entende em geral e em particular por ‘Babilônia’, qual ela é no princípio e qual ela se torna gradualmente depois. Por ‘Babilônia’ ou por ‘Babel’ se entende a igreja constituída por aqueles que pelas coisas santas da igreja ambicionam o domínio sobre as almas dos homens, reivindicando para si a autoridade de salvar a qualquer um que queiram, e, finalmente, buscam e também apropriam a si o domínio sobre o céu e o inferno. Para esse fim eles derivam e transferem a si toda autoridade do Senhor, como se lhe fosse dada por Ele. A igreja constituída pelos tais não é semelhante no início ao que se tornou na progressão do tempo. No início eles estão como se no zelo em favor do Senhor, da Palavra, do amor e da fé, e principalmente da salvação dos homens. Nesse zelo, porém, jaz o fogo de dominar, que, na progressão do tempo, se irrompe conforme aumenta o domínio. E assim como vem ao ato, as coisas santas da igreja se tornam meios, e o domínio mesmo se torna o fim; e quando o domínio se torna o fim, então as coisas santas da igreja são aplicadas ao fim, por conseguinte, a eles; e, então, não somente fazem a salvação das almas de sua autoridade, mas também se apropriam de todo poder Divino do Senhor; e, quando fazem isso, então pervertem todo bem e vero da igreja, e assim profanas as coisas santas da igreja. Estas coisas são a Babilônia.
[2] Foi demonstrado ao vivo que isto se passa assim. Havia no mundo espiritual tais pessoas que ambicionaram um domínio semelhante; e como tinham sabido que toda autoridade é somente do Senhor, então se imbuíram como que de um zelo por Ele e pelo céu e pela igreja, e fizeram todas as obras para que adorassem o Senhor somente e observassem santamente todas as coisas da Palavra. Também ordenaram que a santidade e a integridade reinassem em todas as coisas. Mas foi dado saber que nesse zelo havia uma cupidez ardente de dominar sobre todos os outros, crendo que as coisas que tinham ordenado fossem aceitas pelo Senhor. Porque, assim que começaram a dominar, foi gradativamente revelado o fim, que era que não o Senhor, mas eles imperassem, e, assim, que o Senhor lhes servissem e não eles ao Senhor. Ficaram indignados por não lhes ser permitidos dispor todas as coisas a seu bel-prazer, como deuses. Foi mesmo percebido que vilipendiariam e, até, rejeitariam o Senhor, se não lhes fosse dada a autoridade de fazer todas as coisas ao seu alvedrio, e se Ele não consentisse com todo livre arbítrio deles. Foi percebido também que queriam de algum modo transferir para si a autoridade Divina d’Ele, se ousassem, pois temiam fazê-lo por causa da expulsão para o inferno. Por este modo foi mostrado de que maneira a Babilônia começa e de que maneira termina. Por aí também foi dado concluir que, quando o domínio se torna fim e as coisas santas da igreja se tornam meios, o culto de Deus se muda, de várias maneiras, em culto de homens, de sorte que eles mesmos sejam deuses de fato, e o Senhor seja Deus não seja Deus de fato, assim chamado por formalidade.
[3] Ora, visto que o domínio , pelas coisas santas da igreja, sobre as almas dos homens, sobre o céu e sobre o Senhor mesmo, é interiormente profano, segue-se que é infernal, pois os diabos que estão no inferno nada desejam mais senão dominar sobre o céu e sobre o Senhor mesmo; e também tentam fazer isso de várias maneiras, mas, quando o tentam, são engolidos pelo inferno. Uma vez que, no mundo, aqueles que expulsam o Senhor do trono de Seu reino e sobre esse trono se põem são semelhantes diabos no coração, é evidente que no decorrer do tempo a igreja é devastada por eles quanto a todo o seu bem e quanto a todo o seu vero. Este é o seu fim. Que eles sejam diabos, vê-se pelos mesmos no mundo: aqueles que exerceram no mundo a Divina autoridade do Senhor, após a morte falam santissimamente do Senhor e O adoram com toda devoção externa; quando, porém, os seus interiores são inspecionados – pois estes podem ser descobertos e inspecionados no mundo espiritual – foi dado ver que eram profanos, por serem ateísticos, nos quais havia astúcia diabólica. Daí se tornou evidente para mim que as coisas santas externas lhes tinham servido de meios para um fim, que era o domínio. Certa vez surgiu um debate entre espíritos se algum diabo no inferno poderia fazer o mesmo. Por isso foi trazido de lá um dos piores e foi-lhe dito que receberia domínio sobre muitos se pudesse adorar santamente o Senhor e reconhecer o Seu Divino como igual ao Divino do Pai, e ao mesmo tempo guardar todas as coisas do culto. Quando ele ouviu ‘domínio sobre muitos’, imediatamente dispôs os seus interiores em astúcia e os exteriores em santidade, e adorou ao Senhor mais santamente do que muitos anjos, inflamando-se contra todos os que não O adoram. Mas assim que percebeu que não lhe era dado o domínio, inflamou-se contra o Senhor mesmo e negou não só o Senhor mesmo e também o Divino do Pai, mas também lançou insultos contra ambos, pois era um ateu.
[4] Que a Babilônia de seja tal vê-se manifestamente pelo fato de que, sob o pretexto das chaves dada a Pedro, eles transferirem a si todo o poder Divino do Senhor, fecharem o Divino Vero ao povo pela retenção da Palavra e acrescentarem aos ditames do papa uma santidade igual à santidade da Palavra, e mesmo uma superior; pouco ou nada ensinam sobre o temor e o culto a Deus, mas o temor e o culto a si, e também o culto dos santos por causa de si mesmos. Daí é evidente que a Babilônia em seu fim é uma igreja vácua e vazia de todo bem do amor a Deus e de todo bem do amor para com o próximo, e, consequentemente, de todo vero. Daí não é mais uma igreja, mas uma idolatria, e, por isso, pouco diferente do paganismo dos antigos que cultuavam Babel, Astaroth, Belzebu e muitos outros, e, todavia, tinham tempos, festas marcadas, altares, sacrifícios, incensos, libações e outras coisas semelhantes, como tinha a Igreja Judaica. Estas coisas foram ditas a respeito da Babilônia em seu início e a respeito dela em seu fim para que se saiba de onde vem que ‘Babel’, na Palavra, é ora elevada até o céu e ora precipitada até o inferno.
[5] Que Babel seja tal pode-se ver claramente por suas descrições e representações nos Profetas, principalmente em Daniel. Em primeiro lugar, pela ‘estátua’ do rei Nebuchadnezar, em Daniel:
Foi vista em sonho pelo rei Nebuchadnezar, uma estátua posta defronte o rei; “sua cabeça era de ouro bom, seu peito e braços de prata, seu ventre e coxas de bronze, suas pernas de ferro e seus pés em parte de ferro e em parte de barro”. Em seguida “foi cortada uma Pedra não por mãos, e ela feriu a estátua sobre os seus pés, que eram ferro e barro, e os triturou; e então foram juntamente esmiuçados o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro, e tornou-se como palha das eiras de estio, e assim também a levou o vento, e não se achou lugar algum para eles. Mas a Pedra que feriu a estátua se tornou uma grande Rocha” (Dn. 2:31-35).
Pela interpretação desse sonho por Daniel é evidente que era descrito, do princípio até o seu fim, o estado da igreja que se tornou Babilônia. Que seja a Babilônia que tenha sido descrita é porque o rei de Babel a viu em sonhos, e porque viu a estátua defronte de si. E também porque Daniel disse abertamente ao rei:
“Tu és a cabeça, que é ouro” (vers. 38).
Os estados sucessivos dessa igreja, até o último, foram descritos pela cabeça, o peito, os braços, o ventre, as coxas, as pernas e os pés dessa estátua, e também pelo ouro, a prata, o bronze, o ferro e o barro, de que consistia a estátua, de cima até abaixo. Por estes objetos é evidente que essa igreja no seu princípio foi cheia de sabedoria proveniente do bem do amor ao Senhor, pois a sua ‘cabeça’, que é o supremo, significa a sabedoria, e o ‘ouro’, o bem do amor ao Senhor. Que o último estado dessa igreja seria desprovido de todo bem do amor e de toda sabedoria é significado pelo fato de os ‘dedos dos pés serem em parte de ferro e em parte de barro’, porque tais coisas foram assim interpretadas por Daniel:
“O ferro que viste misturado com lama de barro, eles misturarão com semente de homem, mas não serão coerentes um com o outro, assim como o ferro não se mistura com o barro” (vers. 43);
a ‘semente de homem’ significa o Divino Vero, assim, o vero da Palavra; e por este não se faz coerência, porque no fim da igreja será falsificado pelo aplicação ao culto de homens. A destruição dessa igreja é descrita pelo fato de ‘uma Pedra ter esmiuçado todas as coisas da estátua’. Pela ‘Pedra’ é significado o Divino Vero, e pela ‘Rocha’ em que a Pedra se tornou é significado o Senhor quanto ao Divino Vero. A destruição dela é o juízo final. A Nova Igreja, que então será instaurada pelo Senhor, é descrita por estas palavras:
“O Deus dos céus fará surgir um reino que não perecerá nos séculos, e o seu reino não será entregue a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos, mas ele subsistirá nos séculos” (vers. 44);
pelo ‘reino’, aqui e em outras passagens na Palavra, é significada a igreja; semelhantemente pelo ‘homem’, em cuja forma era a estátua.
[6] A igreja que depois se tornou Babilônia é também descrita pela ‘árvore’ vista em sonho pelo rei Nebuchadnezar, em Daniel:
“Estive vendo, quando eis uma árvore no meio da terra, e sua altura era grande. A árvore cresceu e se fez robusta, de modo que sua altura chegou até o céu, e sua aparência era até o fim de toda a terra; sua folhagem era bela, e sua flor, muita. Debaixo dela tinha sombra toda besta do campo, e em seus ramos habitavam as aves do céu, e de dela se alimentava toda carne. ... Mas eis que um vigia, um santo, desceu do céu, clamando com força... dizendo assim: Cortai a árvore, e decepai os seus ramos, e dispersai a sua flor; fuja de debaixo dela toda besta, e as aves de seus ramos; mas deixai a cepa de suas raízes na terra, e numa corrente de ferro e bronze, na erva do campo, e seja tingida no orvalho dos céus, e com a besta seja a sua parte na grama da terra. Mudarão seu coração de homem, e ser-lhe-á dado um coração de besta, até que sete tempos passem sobre ele; ... até que conheçam os viventes que o Senhor é altíssimo no reino do homem” (Dn. 4:10-17).
Que o rei Nebuchadnezar e, por conseguinte, Babel, se entendam por essa árvore e por todas as coisas delas é dito em palavras abertas (vers. 20 a 22); e que as coisas que foram ditas tenham acontecido ao rei, a saber, que ‘foi expulso do homem’, ‘habitou com a besta do campo’, ‘comeu erva como bois até terem passados sete tempos’ vê-se pelos vers. 32 a 34 deste capítulo. Que essas coisas lhe tenham sucedido por causa do amor de si e do orgulho de seu domínio vê-se por estas palavras:
“Não é esta a grande Babel, que eu edifiquei para a casa do reino, pela força de minha fortaleza e para a glória de minha honra?” (vers. 30);
e, depois, quando foi restituído:
“Eu, Nebuchadnezar... que honro o Rei dos céus, cujas obras todas são verdade, e os Seus caminhos, juízo; e pode humilhar os que andam em soberba” (vers. 37).
Por este estado de Nebuchadnezar se descreve o estado depois da morte daqueles que se exaltam como deuses sobre todas as coisas da igreja, a saber, ‘são expelidos do homem’, isto é, que não são mais homens quanto ao entendimento; que ‘se tornam bestas e comem grama como bois’ e que ‘e que seus cabelos crescem como os das águias, e suas unham como de aves’, pelo que é significado que são completamente sensuais, que em lugar de inteligência eles têm tolice, e em lugar de sabedoria, insanidade; ‘comer grama’, ‘cabelos como de águias e unhas como de aves’ significa tornarem-se sensuais.
[7] Os estados sucessivos da igreja que finalmente se tornou Babilônia também é descrito pelas ‘quatro bestas que sobem do mar’, em Daniel:
Ele viu quatro bestas que subiam do mar; ‘a primeira tinha asas como de águia... mas foram arrancadas as suas asas e foi erguida da terra e foi posta de pé como homem, e foi-lhe dado um coração de homem. Em seguida... outra besta, a segunda, semelhante a urso, e ergueu-se de um lado... três costelas em sua boca, entre seus dentes, e lhe disseram assim: Levanta, come muita carne. Depois destas coisas... eis outra [besta] como leopardo, que tinha quatro asas, como as aves, sobre as costas...” e tinha “quatro cabeças; e foi-lhe dado o domínio. Depois... uma quarta besta, terrível e espantosa, e muito forte, que tinha grandes dentes de ferro; comeu e esmiuçou, e os restantes pisoteou com seus pés” (Dn. 7:3-7).
Que por essas bestas também sejam descritos os estados sucessivos da igreja, do primeiro até o último, vê-se acima (n. 316, 556, 650, 780 e 781). Que no primeiro estado eles tenham estado nos veros e, daí, na inteligência, é significado pelo ‘leão que tinha asas de águia’ e que, depois, ‘apareceu como homem e lhe foi dado um coração de homem’. Que no último estado eles estejam em todo gênero de falso do mal é significado pela ‘quarta besta, que era terrível, e que comeu e esmiuçou, e aos restos pisoteou com seus pés’, besta da qual se dizem várias coisas nos vers. 23 a 25.
[8] Que então essa igreja, que se tornou Babilônia, seria destruída e seria instaurada uma nova igreja que adorasse o Senhor entende-se pelas seguintes palavras ali:
“Estive vendo... e eis com as nuvens dos céus um como o Filho do homem... ao Qual foi dado o domínio... a glória e o reino, e todos os povos, nações e línguas O adorarão. Seu domínio será um domínio do século, que não passará, e o Seu reino um que não perecerá. ... E o reino e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todos os céus serão dado ao povo dos santos dos altíssimos, cujo reino será um reino do século, e a Ele adorarão sobre todas as coisas, e [Lhe] obedecerão” (Dn. 7:13, 14, 27).
Pelo ‘Filho do homem’ se entende o Senhor quanto ao Divino Humano e quanto à Palavra; que havia de ser instaurada por Ele uma igreja que O adorasse entende-se pelo fato de ‘a Ele ser dado o domínio, e a glória e o reino’ e de ‘Seu domínio ser um domínio do século, que não passará’; e a igreja a ser instaurada por Ele se entende pelo ‘reino dado ao povo dos santos’. Que isto aconteceria quando a igreja se tornasse Babilônia, isto é, tão devastada que não restasse mais bem algum nem vero, é porque então seria o seu fim; assim, quando não houvesse mais ali igreja alguma. Esse fim se entende pelo ‘fim da Babilônia’. Não que o culto idolátrico deles no mundo seja destruído com eles, pois isto há de permanecer, mas não como um culto de alguma igreja, mas como culto do paganismo. Por isso, também, após a morte os mesmos estarão entre os pagãos e não mais entre os cristãos. Daqueles, porém, que não tiverem adorado o papa, nem os santos e as imagens de esculturas, mas o Senhor, a nova igreja será congregada pelo Senhor.
[9] A idolatria babilônica é descrita em Daniel
Pela alta estátua que o rei Nebuchadnezar erigiu e sobre a qual fez um edito para que todos prostrassem e a adorassem, e que aqueles que não fizessem isso fossem lançados no meio da fornalha de fogo ardente (Dn. 3:1-7).
A mesma [idolatria] é também descrita no mesmo [profeta]
Pela estátua que Dario, o medo, erigiu, e que ninguém fizesse petição a deus algum ou a homem algum, senão ao rei; e que por trinta dias quem fizesse alguma petição a um deus ou um homem fosse lançado na cova dos leões (Dn. 6:7-9).
Por essas coisas se descreve Babel ou Babilônia quanto ao domínio sobre as coisas santas e quanto à arrogação da autoridade Divina; e a destruição deles é descrita pelo fato de que todos aqueles que persuadiram Dario a fazer aquele estatuto serem lançados na cova dos leões e devorados.
[10] Babel também é descrita em Daniel
Pelo fato de o rei Belsazar, seus grandes, suas esposas e suas concubinas beberem vinho nos vasos de ouro e de prata que Nebuchadnezar, seu pai, tirara do templo de Jerusalém, e ao mesmo tempo louvarem a deuses de ouro e de prata, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra, e que então uma escritura apareceu na parede; depois disso, o rei foi morto naquela noite (Dn. 5:1 ao fim).
Por essas coisas era representada e, daí, significada a profanação das coisas santas da igreja por aqueles que são da Babilônia e estendem o domínio até o céu, pois é dito:
“Acima do Senhor dos céus te exaltaste, quando os vasos da Sua casa foram trazidos diante de ti” (Dn. 5:23).
Por esses textos em Daniel pode-se ver que por ‘Babilônia’ ou ‘Babel’ se entende na Palavra o amor de dominar sobre todo o globo [orbem terrarum], depois sobre o céu e sobre o Senhor mesmo; e que a igreja do Senhor se torna sucessivamente Babilônia; e que, à medida que se torna Babilônia, assim também é devastada quanto a todo bem do amor e todo vero da fé, e que isto é o seu fim, a saber, que não é mais uma igreja; e quando não é mais uma igreja, é contada entre as nações idólatras, exceto aqueles que adoram o Senhor, têm a Palavra como santa e dela recebem a instrução.
[11] Babel ou Babilônia também é descrita em Isaías:
“Jehovah terá misericórdia de Jacob, e escolherá de novo a Israel, para os pôr na terra deles. ... Acontecerá naquele dia que Jehovah te dará repouso da tua dor... para que enuncies esta parábola sobre o rei de Babel. ... Como cessou o opressor! Cessou a cupidez de ouro! Jehovah quebrou o cajado dos ímpios, a vara dos dominantes;” pelo que “repousou e está quieta toda a terra; ressoaram com júbilo. Até os carvalhos se regozijarão por causa de ti, os cedros do Líbano: Desde que tu caíste, não subirá cortador sobre nós. O inferno inferior se abalou por causa de ti, vindo ao encontro de ti. Despertou os refaíns por causa de ti, todos os poderosos da terra; fez levantar de seus tronos todos os reis das nações; todos responderão e dirão a ti: Não ficaste fraco como nós? [Não te] assemelhaste a nós? Foi jogada no inferno a tua magnificência, o alarido dos teus saltérios; debaixo de ti se estende os vermes, e os vermículos te cobrem. Como caíste do céu, ó Lúcifer, filho da aurora! Estás cortado da terra, enfraquecido debaixo das nações. Todavia tu disseste em teu coração: Aos céus subirei, acima das estrelas” do céu “exaltarei o meu trono, e [me] assentarei no monte da assembleia, nos lados do setentrião; subirei acima das alturas das nuvens, tornar-me-ei semelhante ao Altíssimo. No entanto, no inferno foste jogado, aos lados da cova. Os que te veem te contemplam: Não é este o varão que abala a terra, que faz estremecerem os reinos, que fez da terra um deserto e destruiu as suas cidades? ... Tu foste lançado de teu sepulcro, como um rebento abominável, vestimenta dos mortos, os traspassados à espada, que descem às pedras da cova, como cadáver pisoteado. A eles não te ajuntarás no sepulcro, pois destruíste a tua terra, mataste o teu povo; não será nomeada eternamente a semente dos maliciosos. Prepara os seus filhos para a matança, por causa da iniquidade dos seus pais, para que não ressurjam e possuam a terra, e encham de cidades as faces da terra. Levantar-me-ei pois contra eles, dito de Jehovah Zebaoth, e cortarei o nome de Babel e o resto, e o filho e o neto. ... Pôr-te-ei por herança de corujas [anataria], e lagos de águas, e varrê-la-ei com vassoura de destruição. ... E quebrarei a Assíria na Minha terra, e sobre os Meus montes a pisarei” (Is. 14:1-25).
Todas essas palavras foram ditas a respeito de Babel e não a respeito de algum diabo que foi criado anjo de luz e, fazendo-se rebelde, foi lançado no inferno, e por seu estado original foi chamado ‘Lúcifer, filho da aurora’. Que aqui seja descrita Babel vê-se perlo versículo 4 e pelo 22 desse capítulo, onde o rei de Babel e Babel são nomeados, pois é dito: ‘Enuncies esta parábola a respeito do rei de Babel’, e, depois, ‘Cortarei de Babel o nome e o resto’. Cumpre saber que na Palavra pelo ‘rei’ é significado o mesmo que por seu ‘reino’. Que Babel seja chamada ‘Lúcifer, filho da aurora’ é porque, como foi dito acima, Babel no princípio é a igreja que está no zelo em relação ao Senhor, em relação ao bem do amor e aos veros da fé, embora interiormente no zelo dos pastores se encerre o fogo de dominar por meio das coisas santas da igreja sobre todos aqueles que podem sujeitar a si. Daí é que Babel é chamada ‘Lúcifer, filho da aurora’, pelo que também é chamada
‘Rei dos reis” (Dn. 2:37),
em cujas mãos foram das todas as coisas, e também chamada
‘Cabeça da estátua, que era de ouro” (Dn. 2:38),
depois, também,
“Árvore no meio da terra, grande em altura” (Dn. 4:10, 22).
[12] Babel, no início, também se entendeu pelo
Leão que tinha asas de águia e que depois apareceu como homem, e lhe foi dado um coração de homem (Dn. 7:4);
e chamada
Ornamento dos reinos, e decoro de magnificência dos caldeus (Is. 13:19),
e lembrada entre
Os que conhecem Jehovah (Sl. 87:4).
Ora, visto que por ‘Babel’, no início, é significada tal igreja, por isso o rei de Babel é aqui chamado ‘Lúcifer, o filho da aurora’; ‘Lúcifer’ por causa da luz do vero que então havia, e ‘filho da aurora’ por causa do começo da luz ou do dia, pois ‘aurora’ é a igreja em seu início. Todavia, nesse capítulo se descreve essa igreja quanto ao seu estado no fim, quando se tornou a ‘meretriz Babilônia’, estado esse que é quando não há bem algum do amor nem vero algum da fé. Esse seu estado é que se entende pela destruição e por sua condenação ao inferno. A destruição deles no mundo não é outra senão que após a morte há o inferno para aqueles que tinham arrogado para si a autoridade Divina e a exerceram, e para esse fim mantiveram os povos da terra em dessa escuridão ou cegueira, e no culto idolátrico, principalmente aqueles que afastaram os homens do culto ao Senhor.
[13] Visto que são essas coisas que se descrevem neste capítulo, vou explicar brevemente as expressões que daí foram citadas. ‘Jehovah terá misericórdia de Jacob, e escolherá de novo a Israel, para o pôr na terra deles’ significa uma nova igreja a ser instaurada pelo Senhor após o fim da Babilônia; ‘Acontecerá naquele dia que enunciarias esta parábola sobre o rei de Babel, e dirás: Como cessou o opressor! Cessou a cupidez de ouro!’ significa a libertação do cativeiro e da servidão espiritual na qual estiveram os que estavam sob o domínio deles; ‘Jehovah quebrou o cajado dos ímpios, a vara dos dominantes’ significa que eles não têm mais poder algum pelos veros do bem, porque estão em meros falsos do mal; esse poder eles têm no mundo espiritual; ‘repousou e toda a terra; ressoaram com júbilo; até os carvalhos se regozijarão por causa de ti, os cedros do Líbano: Desde que tu caíste, não subirá cortador sobre nós’ significa que aqueles que estão nas cognições do bem e do vero não serão mais infestados por eles; a ‘terra’ é a nova igreja, estará em repouso em relação a eles; os ‘carvalhos’ e os ‘cedros do Líbano’ são as cognições do bem e do vero no sentido externo e interno; ‘não subirá cortador’ é que não haverá mais infestação; ‘o inferno inferior se abalou por causa de ti, vindo ao encontro de ti. Despertou os refaíns por causa de ti, todos os poderosos da terra; fez levantar de seus tronos todos os reis das nações’ significa o prazer da vingança daqueles que estão no inferno; ‘todos responderão e dirão a ti: Não ficaste fraco como nós? [Não te] assemelhaste a nós? Foi jogada no inferno a tua magnificência, o alarido dos teus saltérios’ significa esse prazer pelo fato de se ter feito semelhante a eles, e por estar semelhantemente nos falsos do mal; ‘como caíste do céu, ó Lúcifer, filho da aurora! Estás cortado da terra, enfraquecido debaixo das nações’ significa a zombaria por ter se tornado tal, embora no princípio estivesse no céu, porque estava no bem do amor e nos veros da fé; essas coisas foram ditas por aqueles que estão no inferno, porque os que ali estão não têm prazer maior senão o de poderem retirar alguém do céu e destruir pelos falsos do mal; ‘Todavia tu disseste em teu coração: Acima das estrelas do céu exaltarei o meu trono, e [me] assentarei no monte da assembleia, nos lados do setentrião; subirei acima das alturas das nuvens, tornar-me-ei semelhante ao Altíssimo’ são também palavras de zombaria a respeito do orgulho do domínio deles, o qual estendem até o céu e arrogam a si a autoridade Divina, e assim sujeitam todas as coisas do céu e todas as coisas da igreja ao seu arbítrio, a fim de serem cultuados e adorados como deuses; ‘o monte da assembleia para os lados do setentrião’ é onde há a subida aos céus; ‘acima das estrelas e acima das alturas das nuvens’ é acima do Divino Vero (‘estrelas’ são as cognições do bem e do vero’, ‘alturas das nuvens’ são os veros interiores da Palavra); ‘no entanto, no inferno foste jogado, aos lados da cova. Os que te veem te contemplam: Não é este o varão que abala a terra, que faz estremecerem os reinos, que fez da terra um deserto e destruiu as suas cidades?’ é a continuação da zombaria por aqueles que estão no inferno e, também, o escárnio daí, por ter sido precipitado do céu; os ‘lados da cova’ são os lugares no inferno onde há meros falsos do mal; ‘terra’, ‘reinos’ e ‘mundo’ significam a igreja, e as ‘cidades’ significam os doutrinais; ‘tu foste lançado de teu sepulcro, como um rebento abominável, vestimenta dos mortos, os traspassados à espada, que descem às pedras da cova, como cadáver pisoteado’ significa o estado de danação deles; ‘vestimenta dos mortos’, ‘traspassados à espada’ e ‘cadáver pisoteado’ significam a danação da profanação do vero; ‘a eles não te ajuntarás no sepulcro, pois destruíste a tua terra, mataste o teu povo; não será nomeada eternamente a semente dos maliciosos’ significa a danação mais grave do que a dos demais, porque extinguiram todas as coisas da igreja; ‘prepara os seus filhos para a matança, por causa da iniquidade dos seus pais, para que não ressurjam e possuam a terra, e encham de cidades as faces da terra’ significa a destruição deles eternamente; ‘cortarei o nome de Babel e o resto, e o filho e o neto’ significa a total destruição, porque eles nada mais têm do bem e do vero; ‘pôr-te-ei por herança de corujas [anataria], e lagos de águas, e varrê-la-ei com vassoura de destruição’ significa o falso infernal pela destruição do vero; ‘quebrarei a Assíria na Minha terra, e sobre os Meus montes a pisarei’ significa que na nova igreja não existirão quaisquer raciocínios pelos falsos contra os veros e bens. Além das coisas que estão nesse capítulo, mais particularidades se veem explicadas em outras passagens deste livro (como n. 208, 223, 304, 331, 386, 405, 539, 589, 594, 608, 659, 687, 697, 724, 727, 730, 741, 768 e 811).
[14] No mesmo:
“Assim Babel, ornamento dos reinos e decoro de magnificência dos caldeus, será ruína [vinda] de Deus, Sodoma e Gomorra; não será habitada eternamente, nem quem more nela de geração em geração, de sorte que não more ali o árabe, e os pastores não façam deitar; mas deitarão ali os tziim, e as casas se encherão de ochim, e habitarão ali as filhas da coruja, e saltarão ali os sátiros. Também responderão os ijim em seus palácios, e os dragões nos palácios de suas delícias. Perto está o seu tempo, para que venha, e os seu dia não será prolongado” (Is. 13:19-22).
Em todo esse capítulo se trata da devastação total de tudo do bem e tudo do vero da igreja naqueles que são da Babilônia. Por ‘assim será Babel’ se entende, no sentido da letra, a grande cidade chamada Babel, mas por ela, no sentido espiritual, se entende a igreja que se tornou Babilônia. Babel é chamada ‘ornamento dos reinos e decoro de magnificência dos caldeus’ por causa da sabedoria dessa igreja em seu princípio, como foi dito anteriormente; mas, em geral, por ‘Babel’ ou ‘Babilônia’ se entendimento a igreja na qual todos os bens do amor foram destruídos e finalmente profanados, e pelos ‘caldeus’ a igreja em que todos os veros da fé foram destruídos e finalmente profanados. Daí é que se chama ‘ruína [vinda] de Deus, Sodoma e Gomorra’; ‘Sodoma’ também significa a destruição de todo bem pelo amor de si, e ‘Gomorra’ a destruição de todo vero daí. ‘Não será habitada eternamente, nem quem more nela de geração em geração’ significa a sua destruição na eternidade; ‘não ser habitada na eternidade’ se refere ‘a destruição do bem’ e ‘não quem more de geração em geração’ se refere à destruição do vero, pois aqueles que destroem o bem e o vero, e depois abraçam em lugar deles o mal e o falso, não podem ser reformados. Dá-se diferentemente com aqueles que estão nos males e falsos e não destruíram o bem e o vero, como são os gentios, que ignoram o bem e o vero. ‘Não morará ali o árabe, e os pastores não farão deitar’ significa que a igreja se tornará tal deserto; o ‘árabe’ é o que vive no deserto, mas, como ali não há grão ou fruto, não morará ali; o mesmo se dá com o rebanho dos pastores, quando não há pasto. ‘Deitarão ali os tziim, e as casas se encherão de ochim’ significa os falsos e males infernais que eles têm; ‘tziim’ são os falsos infernos, ‘ochim’ são os males infernais e a ‘casa’ é a mente daqueles que são tais. ‘E habitarão1 ali as filhas da coruja, e saltarão ali os sátiros’ significa que ali haverá veros falsificados e bens adulterados; os veros falsificados são as ‘filhas da coruja’, e os bens adulterados, os ‘sátiros’; ‘saltar’ é o regozijo pelo amor imundo que adulterou o bem do amor; ‘responderão os ijim em seus palácios, e os dragões nos palácios de delícias significa tais coisas adulteradas e falsificadas em suas doutrinas.
[15] Babel é semelhantemente descrita em outras passagens nos Profetas. Como em Jeremias:
Ó, espada! Contra Babel! “Ó, espada! Contra os seus tesouros, para que sejam pilhados; seca sobre as águas, para que se sequem; porque a terra é uma imagem de escultura, de coisas horrendas se gloriam; por isso habitarão os tziim com o ijim, e habitarão nela as filhas da coruja; não se assentará mais eternamente, nem será habitada de geração em geração. Assim como a ruína [vinda] de Deus, Sodoma e Gomorra, e suas vizinhas... não habitará ali varão, nem morará nela filho de homem” (Jr. 50:37-40).
No mesmo:
“Fugi do meio de Babel, e arrebata o varão a sua alma, para que não sejais cortados por causa de sua iniquidade. ... Cálice de ouro era Babel na mão de Jehovah, que embriaga toda a terra; de seu vinho beberão as nações, pelo que as nações enlouquecem. De súbito caiu babel, e foi despedaçada. … Eis que Eu estou contra ti, monte que destrói, dito de Jehovah, que destrói toda a terra. E estenderei Minha mão contra ti, para que te rolem das rochas, e farei de ti um monte de combustão. Não tomam de ti a pedra para a esquina. ... Babel será por montões, habitáculos de dragões, espanto e assobio, sem habitante” (Jr. 51:6-8, 25, 26, 37).
Em Isaías:
“Agora ouve”, ó Babel “a que se assenta segura, dizendo em seu coração: Eu, e além de mim não há como eu, que mão me assentarei viúva e não conhecerei a perda de filhos. Contudo virão a ti essas dois coisas num só momento, num só dia: a perda de filhos e a viuvez; plenamente virão sobre ti, por causa da multidão das tuas feitiçarias, e por causa da grande multidão de teus encantamentos. Pois estás confiada na tua malícia; (disseste): Ninguém me vê. Tua sabedoria e teu conhecimento te seduziram, pois disseste em teu coração: Eu, e além de mim não há como eu. Por isso virá sobre ti o mal, do qual não saberás escapar, e cairá sobre ti a calamidade, que não poderás expiar; e virá de súbito sobre ti a devastação, que não conhecerás” (Is. 47:8-11).
Assim é descrita a destruição de Babel, não somente aí, mas também em todo o capítulo 47 em Isaías, em todo o capítulo 50 e em todo o capítulo 51 em Jeremias; também no cap. 21:8, 9 em Isaías, e no Salmo 137:1, 8, 9 em David. Também a adulteração do bem e a falsificação do vero pelos judeus são descritas pelas escortações deles no Egito, em seguida com as filhas da Assíria e, finalmente, com as filhas de Babel e com os caldeus (Ez. cap. 16:1 até o fim, e cap. 23:1 até o fim). Pela ‘escortação no Egito’ se entende a falsificação do vero pelo homem natural, o que se faz por meio de falácias, aparências e conhecimentos; pela ‘escortação deles com os filhos da Assíria’ é significada a falsificação do vero pelo homem racional, o que se faz pelos raciocínios e por conclusões oriundas de falácias, aparências e conhecimentos; e pela ‘escortação deles com as filhas de Babel e com os caldeus’ é significada a adulteração do bem e profanação do vero.
[16] Quando, pois, os filhos de Israel se desviaram completamente dos estatutos que eram representativos de coisas espirituais celestes, pelos quais eles tiveram comunicação com o céu, então eles foram todos entregues na mão do rei da assíria, porque não havia mais com eles igreja representativa alguma e, daí, nem comunicação alguma com o céu. A respeito da prevaricação deles e da remoção deles pelo rei da Assíria para as suas cidades, e também para Babel, vide 2 Reis 7:1 atoe o fim. O mesmo aconteceu com os judeus. Após eles terem adulterado e profanado tanto todos os estatutos, juízos e leis, que representavam o bem do amor e o vero da fé, de modo que nada do bem e do vero restava, e quando daí a igreja deles se tornou Babilônia, então eles foram entregues na mão de Nebuchadnezar, rei de Babel, não somente os reis e os príncipes deles, e todo o povo, mas também todo o tesouro da casa de Jehovah e, depois, todos os seus vasos de ouro e, além disso, o templo foi queimado (a cujo respeito se vê em 2 Re. 24:1-20; 25:1-26; também Is. 20:17, 18; 39:6, 7; Jr. 20:4, 5; 21:4-10; 25:1-12; 27:6-22; 28:1-16; 29:1-21; 32:1-5; 34:1-7, 18-22; 35:11; 38:17-23; 39:2-18; 41:1-12; 52:1até o fim). As transgressões deles foram:
Que encheram Jerusalém de sangue inocente (2 Re. 24:4);
Que ofereceram incenso a Baal, fizeram libações a outros Deus, puseram abominações na casa de Jehovah, edificaram altos a Baal e, no vale de Hinnom, entregaram seus filhos e filhas a Maloque (Jr. 32:29-35),
coisas pelas quais é significada a profanação das coisas santas da igreja, profanação essa que é significada também por ‘Babel’. Por isso, para que a terra, pela qual era significada a igreja, não fosse mais profanada por eles, e também para que Babel daí tomasse plenamente sua representação, foi-lhes dito por Jeremias que espontaneamente se entregassem na mão do rei de Babel e que, se não se entregasse, mas permanecessem na terra, morreriam a espada, fome e peste (Jr. 25:1-11).
[17] Como, porém, o Senhor nasceria naquela nação e Se manifestaria onde então houve a igreja e onde esteve a Sua Palavra, por isso nação foi trazida de volta do cativeiro em Babel após setenta anos e o templo foi reedificado. Não obstante, nenhuma igreja restou com eles senão uma semelhante à igreja que é chamada ‘Babilônia’, como se pode ver pelas muitas vezes que o Senhor falou a respeito daquela nação e da maneira como eles O receberam. Por isso Jerusalém foi de novo destruída e o templo queimado no fogo.
[18] Cumpre saber que, em geral, toda igreja no princípio é como uma virgem, mas, no decorrer do tempo, se torna meretriz, porque gradativamente entra na vida do mal e, daí, abraça a doutrina do falso, conforme gradualmente começa a amar a si e ao mundo. E, então, de igreja ela se torna ou Babilônia ou Filístia; Babilônia, aqueles que amam a si mesmos sobre todas as coisas, e Filístia, aqueles que amam o mundo sobre todas as coisas, pois conforme esses dois amores aumentam, assim os homens da igreja adulteram e falsificam os bens e veros da Palavra, o que é de virgem se tornar meretriz.
[19] Que a primeira igreja após o dilúvio também se tornaria Babilônia se o Senhor não tivesse impedido o esforço deles pela dispersão da religião, é representado e significado pela ‘torre que atingisse até o céu’, que a descendência de Noé começou a edificar (de que se trata em Gênesis 11:1-9, coisas que foram detalhadamente explicadas nos Arcanos Celestes, n. 1283 a 1328). Após ter sido demonstrado pela Palavra o que é significado em geral e em particular por ‘Babel’ ou ‘Babilônia’, podemos passar preparados para a explicação das coisas que foram preditas neste e no capítulo seguinte a respeito da Babilônia e de sua destruição.
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