. “E do sangue das testemunhas de Jesus.” Que isto signifique a violência feita aos veros da Palavra, que ensinam que se deve adorar ao Senhor, somente, vê-se pela significação de ‘sangue’, que é o Divino Vero da Palavra e a violência que lhe é feita (como logo acima); e pela significação de ‘testemunhas de Jesus’, que são aqueles que de coração reconhecem o Senhor somente a Ele adoram e prestam culto. Que ‘testificar’ seja reconhecer de coração, e que o ‘testemunho de Jesus’ seja o reconhecimento do Divino do Senhor em Seu Humano, e que somente a Ele se deve prestar culto e adorar, vide [acima] (n. 10, 27, 228, 392, 635, 649 e 749). Que os veros da Palavra, que ensinam sobre o Senhor, tenham sido violentados pela Babilônia é claramente evidente pelo fato de terem transferido a autoridade Divina do Senhor ao papa, como seu substituto, e com ela o culto e a adoração juntamente. E, para esse fim, separaram o Divino do Senhor de Seu Humano, para que pudessem dizer que assumiram não a autoridade Divina d’Ele, mas a Sua autoridade humana, não querendo saber que a autoridade Divina consiste principalmente no poder [potestate] de salvar o gênero humano, poder esse que os babilônicos apropriam a si. Mas, a respeito deste assunto, muitas coisas serão ditas em outro lugar. * * * * * * * Continuação a respeito da profanação [2] Também será desvendada a razão de haver um estado tão horrendo para os profanadores após a morte. O homem tem duas mentes, a natural e a espiritual. A mente natural lhe é aberta por meio dos conhecimentos e das cognições do vero e do bem, e a mente espiritual é aberto por meio de uma vida segundo os conhecimentos e as cognições, o que acontece naqueles que conhecem e reconhecem os veros da Palavra, neles creem e segundo eles vivem. Em outros essa mente não é aberta. Quando a mente espiritual é aberta, então a luz do céu, que é o Divino Vero, influi por ela na mente natural e aí dispõe os veros em correspondências. Quando, pois, o homem vai em sentido contrário e, seja pela fé, seja pela vida, nega os veros da Palavra anteriormente reconhecidos, então as coisas que estão na mente natural não mais correspondem às que estão na mente espiritual. Daí o céu, por sua luz, influi pela mente espiritual não em correspondência, e nos opostos na mente natural, pelo que surgem fantasias tão medonhas que eles se veem a voar no ar como dragões, de modo que chumaços e palhas lhes aparecem como gigantes e turbas, e uma bolinha como o globo todo, e muitas coisas semelhantes. A razão disso é que assim o céu está neles na mente espiritual, e o inferno na mente natural; e quando o céu, que está na mente espiritual, age no inferno, que está na mente natural, tais coisas então aparecem. Visto que assim é destruído o entendimento quanto a todas as coisas, e, com o entendimento, também a vontade, por isso o homem se torna não mais homem. Por isso que o profano não mais é chamado homem, nem ele ou ela, mas isto, pois é um bruto.