. “E disse-me o anjo: Por que [te] admiras? Eu te direi o mistério da mulher, e da besta que a carrega, tendo sete cabeças e dez chifres.” Que isto signifique a manifestação de tudo, vê-se sem explicação. Mas, o que cada coisa significa, a saber, o que significam ‘admirar-se’, ‘mistério da mulher’, ‘besta escarlate’, ‘sete cabeças’ e ‘dez chifres’ foi mostrado no que antecedeu e será explicado mais amplamente no que se segue. * * * * * * * [2] Do segundo gênero de profanação Há um outro gênero de profanação das coisas santas, que acontece com aqueles que têm a dominação como fim e as coisas santas da Palavra, da igreja e do culto como meios. É segundo a Ordem Divina que o céu e a igreja sejam o fim, consequentemente, as coisas santas do céu e da igreja, e a dominação seja o meio para promover o fim. Quando pois, as coisas santas são os fins e a dominação é o meio, então o Senhor é cultuado e adorado; quando, porém, a dominação é o fim e as coisas santas os meios, então o homem é cultuado e adorado em lugar do Senhor, porque os meios consideram o fim como os servos visam o senhor, e o fim considera os meios como o senhor visa os servos. Por isso, assim como um senhor estima e ama os servos segundo os serviços que prestam por sua vontade, assim também o homem que tem por fim a dominação ama e estima as coisas santas da Palavra, da igreja e do culto segundo os serviços que estes prestam ao fim, que é a dominação. [3] E, vice-versa, assim como o senhor despreza e rejeita os servos, e toma outros em lugar deles, se não servirem à sua vontade, assim também o homem que tem por fim a dominação despreza e rejeita as coisas santas da igreja e toma outras coisas em lugar deles, se não servem ao seu fim, que é a dominação. Daí é evidente que as coisas santas, naqueles que têm por fim a dominação, nada são, a não ser à medida que servem ao fim. E, também, se servem ao fim com eles, não são, todavia, santos, mas profanos. A razão disso é porque o fim, quando é a dominação, é o homem mesmo; e, como é de seu amor, é o seu proprium; e o proprium do homem, considerado em si mesmo, não é outra coisa senão o mal e, mesmo, profano. O fim conjunge os mios a si, para que sejam como um só. Neste gênero de profanação estão todos aqueles que estão nos ministérios sagrados e, pelas coisas santas da igreja, buscam para si a honra e a glória, e por isso se regozijam de coração, e não pelo uso, que é a salvação das almas.