. “Cujos nomes não foram escritos no livro da vida desde a fundação do mundo”. Que isto signifique que são os que não reconhecem a autoridade Divina do Senhor sobre o céu e sobre a terra, mas ela transferida a um certo substituto e, deste, ao seu substituto, vê-se pela significação de ‘nomes não escritos no livro da vida’, que são aqueles que não são recebidos no céu (de que se tratou nos n. 199, 222 e 299); e visto que não são recebidos no céu aqueles que não reconhecem a autoridade Divina do Senhor sobre o céu e sobre a terra, por isso são esses que se entendem [aqui]; e pela significação de ‘fundação do mundo’, que é desde a instauração da igreja. Pela ‘fundação do mundo’ entende-se, no sentido da letra ou natural, a criação do mundo; mas, no sentido interno espiritual, entende-se a instauração da igreja, pois o sentido espiritual trata das coisas espirituais, e o sentido natural, das naturais, que são do mundo. Daí é que pela ‘criação do céu e da terra’, no primeiro capítulo de Gênesis, se descreve no sentido espiritual a nova criação ou instauração da primeira e antiquíssima igreja neste planeta [tellure]; (que isto seja descrito pela ‘criação do céu e da terra’ no primeiro capítulo de Gênesis vê-se nos Arcanos Celestes, onde foram explicadas as coisas que se leem nesse capítulo). Além disso, por ‘criar’, na Palavra, é significado reformar, e por ‘Criador’, o Senhor como Reformador e Salvador. (Que ‘criar’ signifique reformar, e que a ‘criação do céu e da terra’, no primeiro capítulo de Gênesis, se descreva no sentido espiritual a instauração da Igreja Antiquíssima, vide acima, n. 294 e 739). [2] A instauração da igreja também é descrita pela ‘fundação do mundo’ nestas passagens na Palavra: “O Rei dirá àqueles que... à direita: Vinde... e possuí como herança o reino preparado para vós desde a fundação do mundo” (Mt. 25:34); Jesus, orando, disse: “Pai... porque Me amaste antes da fundação do mundo” (Jo. 17:24); Jesus disse: “O sangue derramado de todos os profetas desde a fundação do mundo será requerido desta geração” (Lc. 11:50). que a instauração da igreja se entenda pela ‘fundação do mundo’ vê-se pelas passagens na Palavra onde se diz ‘fundar a terra’, ‘fundação da terra’ e ‘fundamento da terra’, pelas quais não se entende a fundação ou criação da terra, mas a instauração ou criação da igreja sobre a terra. Como em Zacarias: “Jehovah, que estende os céus, e funda a terra, e forma o espírito do homem no meio dele” (Zc. 12:1), onde por ‘estender o céu e fundar a terra’ não se entende estender o céu visível e fundar a terra habitável, mas a igreja quanto aos seus internos, que se chamam espirituais, e quanto aos seus externos, que se chamam naturais; fundar estes e estender aqueles é instaurar; por isso também se diz que ‘forma o espírito do homem no meio dele’, pelo que é significada a sua reforma e regeneração. [3] Em Isaías: “Escuta-Me, ó Jacob, e [tu], ó Israel... Minha mão fundou a terra, e a Minha destra espalmou os céus” (Is. 48:12, 13); por ‘a mão fundar a terra, e a destra espalmar os céus’ são significadas coisas semelhantes às de logo acima, como se pode ver que antecede e se segue nesse capítulo, onde se trata da instauração de uma nova igreja pelo Senhor. No mesmo: “Porventura te esqueceste de Jehovah, o teu Feitor, que expande os céus e funda a terra[?]” (Is. 51:13); também aqui, por ‘céus e terra’ é significada a igreja quanto aos seus internos ou espirituais, e quanto aos seus externos ou naturais, e por ‘expandir e fundar’ é significado instaurar. [4] No mesmo: “Porei as Minhas palavras na tua boca, e com a sombra de Minha mão te cobrirei, para plantar os céus, e para fundar a terra, e para dizer a Sião: Meu povo [és] tu. Desperta, desperta, levanta-te ó Jerusalém.” (Is. 51:16, 17); aqui, ‘plantar os céus e fundar a terra’ está claramente em lugar de instaurar a igreja, pois é dito ao profeta que ‘em sua boca seria posta a Palavra, e ele seria coberto com a sombra da mão para plantar os céus e para fundar a terra’; pelo profeta a terra não pode ser fundada, mas a igreja, sim. Por isso também se acrescenta: ‘para dizer a Sião: Meu povo [és] tu’ e, também: ‘Desperta, desperta. Levanta-te ó Jerusalém’, pois por ‘Sião’ e por ‘Jerusalém’ na Palavra se entende a igreja. Em David: “Tu fundaste o céu e a terra, o mundo e a sua plenitude” (Sl. 89:11); aqui, semelhantemente, por ‘céu e terra’ é significada a igreja; por ‘mundo’ a igreja quanto ao bem, e por ‘sua plenitude’ são significados todos os bens e veros da igreja. [5] No mesmo: Jehovah “sobre os mares fundou... e sobre os rios estabeleceu” a terra e o mundo. ... Quem subirá ao monte de Jehovah, e quem estará no lugar de Sua santidade?” (Sl. 24:2, 3). Que a instauração da igreja seja descrita por ‘fundar a terra e o mundo sobre os mares... e estabelecer sobre os rios’ vinda acima (n. 304, 518 e 741). Que seja significada a instauração da igreja é evidente pelo que se segue ali, a saber, ‘Quem subirá ao monte de Jehovah, e quem estará no lugar de Sua santidade?’ Por ‘monte de Jehovah’ se entende Sião, pela qual é significado onde o Senhor reina pelo Divino Vero; e pelo ‘lugar de santidade’ se entende Jerusalém, onde havia o templo, pela qual também é significada a igreja quanto à doutrina. Por aí é evidente que por ‘fundação do mundo’ é significada a instauração da igreja, pois pelo ‘ mundo’ se entende o mesmo que por ‘céu e terra’. E diz-se ‘fundar a terra’ porque pela ‘terra’ é significada a igreja nas terras, e sobre a igreja é fundado o céu quanto às suas coisas santas. Por aí é também evidente o que é significado pelos ‘fundamentos da terra’ nas seguintes passagens. Em Isaías: “Porventura não sabeis? porventura não ouvis? porventura não vos foi notificado desde o início? porventura entendeis os fundamentos da terra?” (Is. 40:21); no mesmo: “Foram corrompidos os fundamentos da terra” (Is. 24:18). (Igualmente a Is. 63:12; Jr. 31:37; Mc. 6:2; Sl. 18:7, 15; 82:5 e outras passagens). * * * * * * * [6] (Continuação a respeito do segundo gênero de profanação) Que os profanadores deste gênero sejam estúpidos e tolos nas coisas espirituais, mas astutos e engenhosos nas coisas mundanas é porque eles fazem um só com os diabos no inferno, e porque, como foi dito acima, eles são meramente sensuais e, daí, estão em seu proprium, o qual deriva o seu prazer da vida de eflúvios imundos que exalam de excreções do corpo e emanados de esterco. Disso resulta a tumefação de seu peito quando estão no orgulho, e o da titilação deles, o prazer. (???) [7] Que seja proveniente disso é evidente por seus prazeres após a morte, quando vivem como espíritos. Então, mais do que os odores aromáticos, eles amam os odores fétidos de flatulências do vente e de latrinas, que para eles são mais aromáticos do que o tomilho. Da exalação e do contato com tais coisas os interiores de sua mente são fechados, e os exteriores que são do corpo são abertos. Daí eles têm vivacidade nas coisas mundanas e torpor nas espirituais. Em suma, o amor da dominação por meio das coisas santas da igreja corresponde ao fedor, e o seu prazer a um mau cheiro inexprimível por palavras, ao qual os anjos têm horror. Isto se exala dos infernos deles, quando abertos. Mas, por causa do defluxo e, às vezes, do torpor vindos daí, eles são mantidos fechados.