. (Vers. 10) “E os reis são sete”. Que isto signifique também os veros da Palavra falsificados e profanados por eles, vê-se pela significação de ‘reis’, que são os veros da Palavra (de que se tratou nos n. 29, 31, 625 e 1034); e pela atribuição de ‘sete’, que se atribui ao que é santo e, no sentido oposto, ao profano; daí é que pelos ‘sete reis’ são significados os veros da Palavra falsificados e profanados. Que estes sejam significados pelos ‘sete reis’ é porque pelos ‘sete montes’, logo acima, são significados os bens da Palavra adulterados e profanados, pois, na Palavra, onde se trata do bem, também se trata do vero, por causa do casamento celeste, que é o do bem e do vero em cada uma de suas coisas (vide acima, n. 238, 660 e 775). [2] Quem não sabe que pelos ‘reis’ na Palavra são significados os veros, nunca pode saber o que se entende por ‘reis’ em muitas passagens na Palavra, como em Daniel, ontem também se diz que As cabeças e os chifres das bestas são reis ou reinos (Dn. 7:17, 24), como também no Apocalipse (16:12, 14; 18:3; 19:19; 21:24) e outras passagens. E, neste capítulo, As sete cabeças ‘são sete reis; cinco caíram, e um é, e o outro ainda não veio;... e a besta, que era e não é, é o oitavo” rei, “e é [parte] dos sete, e vai para a destruição. E os dez chifres... são dez reis, que ainda não receberam o reino” e muitas coisas que seguem (Ap. 17:10-12). Porque, se pelos ‘reis’ aqui se entendessem reis, nenhuma conjectura poderia jamais adivinhar o que se entende por tais coisas. Mas, quando se sabe que pelos ‘reis’ são significados os veros da Palavra e, daí, os veros da igreja, vê-se claramente o que se entende. Depois, também, pelos números não se devem entender tantos veros, mas os veros tais que são significados pelo ‘número’ no sentido espiritual. Se, pois, pelos ‘sete reis’ fossem entendidos sete veros, e pelos ‘cinco reis’ que caíram, cinco veros, e, também, pelos ‘dez reis’ e tantos ‘chifres’, dez veros, nenhum sentido espiritual poderia jamais resultar daí. Por esse motivo, cumpre definitivamente saber que todos os números na Palavra significam as qualidades das coisas que são descritas. * * * * * * * [3] Continuação sobre o quarto gênero de profanação Deste gênero de profanação são principalmente aqueles que leem a Palavra e conhecem a respeito do Senhor, porque do Senhor, pela Palavra, há todas as coisas santas que podem ser profanadas; as que não vêm daí, não o podem. Chama-se profano o que é oposto ao santo, e faz violência o santo e o destrói. Daí se segue que não são deste gênero de profanação aqueles que não leem a Palavra e não se dirigem ao Senhor, como os católicos, e ainda menos aqueles que nada sabem do Senhor nem da Palavra, como os gentios. Os que são deste gênero de profanação aparecem, após a morte, com uma face de cor humana, em volta da qual flutuam muitas estrelas errantes. E os deste gênero que foram chefes aparecem às vezes com bocas luzentes, mas, quando, assim que são levados à luz do céu, as estrelas e o luzente da boca desvanecem, e a cor da face se torna negra, igualmente às suas vetes. Mas o negrume dos profanadores deriva do azul, enquanto o negrume do gênero anterior de profanadores deriva do vermelho, porque estes profanam os bens da Palavra e da igreja, e aqueles, os seus veros. Com efeito, o vermelho deriva do sol o fato de significar o bem, e o azul, do céu, o fato de significar o vero.