AE 1069

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. (Vers. 12) “E os dez chifres que viste são dez reis”. Que isto signifique os veros da Palavra quanto ao poder, vê-se pela significação de ‘chifres’, que são o poder do vero, de que se tratou (acima) (n. 316, 567, 776 e 1041); que fossem ‘dez chifres’ é porque por ‘dez’ são significados muitos e, também, muitas coisas, assim também todos e todas as coisas (vide acima, n. 675); daí, ‘dez chifres’, quando se trata dos veros da Palavra, significa todo o poder; e pela significação de ‘dez reis’, que são os veros da Palavra e, daí, da igreja (de que se tratou em vários lugares acima). Nesses três versículos, e, também, nos versículos 16 e 17, explica-se o que é significado pelos ‘dez chifres da besta’, a saber, são os Divinos veros que a gente babilônica profanou, os quais são, principalmente, que o Senhor tem autoridade sobre o céu e sobre a terra, e que somente é santa e Divina, pois estes dois fazem a igreja mesma do Senhor nas terras, porque a igreja é igreja pelo fato de que o Senhor é adorado e a Palavra é lida. Com efeito, o Senhor reforma o homem, e a Palavra ensina de que maneira o homem deve viver para ser reformado pelo Senhor; por isso, se esses dois veros não forem reconhecidos e recebidos, a igreja mesma perece, porque a igreja se fundamente sobre esses dois veros. Disto vem que, pela Divina Providência do Senhor, aconteceu que algumas igrejas se separaram da babilônica, as quais reconhecem a autoridade Divina do Senhor sobre o céu e sobre a terra igual ao poder de Deus Pai, e, também, atribuem a santidade Divina somente à Palavra. Isto foi provido pelo Senhor a fim de que Igreja cristão não caísse completamente no mundo europeu. Que sejam essas coisas que são significadas pelos ‘dez chifres, que são dez reis’, ver-se-á pela sequência.
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[2] Continuação a respeito da Palavra.
Visto que a Palavra é o Divino Vero, e este procede do Divino Ser do Senhor, como a luz procede do Senhor, segue-se que o Senhor é a Palavra, porque é o Divino Vero. Que o Senhor seja a Palavra, por ser o Divino Vero, e que este proceda de Seu Divino Ser, que é o Divino Amor, é porque o Divino Amor estava n’Ele, quando no mundo, assim como a alma no corpo. E visto que do Divino Amor procede o Divino Vero, como a luz procede do sol, como foi dito, por isso o Humano do Senhor no mundo era o Divino Vero procedendo do Divino Amor que está n’Ele. Que o Divino mesmo, que é chamado ‘Jehovah’ e ‘Pai’, que é o Divino Amor, tenha estado no Senhor pela concepção, vê-se nos Evangelhos de Mateus e Lucas. Em Mateus, por estas palavras:
Quando Maria, a mãe de Jesus, estava desposada com José, “antes de se ajuntarem, ela achou-se grávida2 do Espírito Santo.” E o anjo disse a José em sonho: “Não temas receber Maria por tua esposa, pois o que nela é gerado é do Espírito Santo. ... Isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta a respeito do Senhor: Eis que uma virgem ficará grávida3 e parirá um Filho.” E José “não a conheceu, até ela ter parido o seu Filho primogênito, e chamou o Seu nome Jesus” (Mt. 1:18-25);
e, em Lucas, por estas palavras:
“O anjo disse” a Maria: “Eis que conceberás no útero, e parirás um Filho, e chamarás o Seu nome Jesus. Ele será grande, e será chamado Filho do Altíssimo. ... Mas Maria disse ao anjo: Como acontecerá isto, porque não conheço varão? Ao que o anjo respondeu: O Espírito Santo virá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te ensombrará , pelo que também o Santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus” (Lc. 1:30-35).
Como Ele foi concebido de Jehovah, por isso foi chamado tantas vezes na Palavra de ‘Filho de Deus’, e Jehovah foi chamado Seu ‘Pai’. E Jehovah quanto ao Seu Ser é o Divino Amor, e quanto ao Seu Existir é o Divino Bem unido ao Divino Vero.
[3] Por aí se pode ver o que se entende pela
Palavra, que estava em Deus, e que era Deus, e também que era a Luz que ilumina todo homem (em Jo. 1:1-10),
a saber, que foi o Divino Vero procedente do Senhor, assim, o Senhor quanto ao Seu Existir. Que o Senhor quanto ao Seu Existir tenha sido o Divino Vero, e que este tenha sido o Seu Divino Humano, porque este existe por Seu Divino Ser, como o corpo existe pela alma, é o que testificam abertamente estas palavras em João:
“A Palavra se fez Carne, e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, glória como a do Unigênito do Pai” (vers. 14 do mesmo capítulo);
a ‘Palavra’ é o Divino Vero, que também é a ‘glória’; a ‘Carne’ é o Divino Humano; o ‘Unigênito do Pai’ é o Existente ou Procedente do Divino Ser n’Ele.

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