. (Vers. 13) “Estes têm uma só sentença, e darão seu poder e autoridade à besta.” Que isto signifique a unanimidade de que a Palavra é o Divino Vero, do qual deve depender a igreja quanto à sua doutrina, vê-se pela significação de ‘ter uma só sentença’, que é a unanimidade; e pela significação de ‘dar poder e autoridade à besta’, que é que a Palavra é o Divino Vero, do qual deve depender a igreja quanto à doutrina, pois pela ‘besta’ é significada a Palavra (vide acima, n. 1038), e por ‘dar-lhe poder e autoridade’ é significado reconhece-la como o Divino Vero, do qual a igreja tem a doutrina. Foi dito acima que a Igreja Francesa reconhece a Palavra como Divino Vero, e atribui inspiração Divina a cada uma das coisas da Palavra, e não iguala a ela os ditames do papa quanto às coisas que são os meios de salvação, e isto semelhante a outros no mundo europeu. E [foi dito] que isto se fez pela Divina Providência do Senhor, para que a Igreja Cristão não perecesse completamente, em razão de que é pela Palavra que o homem tem comunicação e, também, conjunção com o céu e, pelo céu, com o Senhor; e não pode absolutamente haver comunicação e conjunção com o céu e com o Senhor pelo enunciados e ditames do papa, visto que estes não têm por fim a salvação das almas, mas a dominação, e todos os editos e estatutos que têm por fim a dominação, principalmente sobre as coisas que são do céu e da igreja, têm comunicação e fazem conjunção com o inferno. Por aí é evidente o que é significado pelos ‘dez reis, que darão seu poder e autoridade à besta. * * * * * * * [2] Continuação a respeito da Palavra Contudo, visto que não pode deixar de transcender à compreensão que o Senhor quanto ao Humano no mundo foi a Palavra, isto é, o Divino Vero, segundo estas palavras em João: “E a Palavra se fez Carne, e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, glória como a do Unigênito do Pai” (Jo. 1:14), por isso este ponto será de novo explicado, tanto quanto possível, para a sua compreensão. De cada homem regenerado se pode dizer que ele é o seu vero e o seu bem, porque o pensamento que pertence ao seu entendimento vem dos veros, e a afeição que pertence à sua vontade vem dos bens. Por isso, quer digas que o homem é o seu entendimento e a sua vontade, quer digas que o homem é o seu vero e o seu bem, é a mesma coisa. O corpo é somente obediência, pois este fala aquilo que o homem pensa pelo entendimento, e faz aquilo que ele quer pela afeição. Assim, o corpo e essas coisas se correspondem mutuamente e fazem um só, assim como o efeito e a causa eficiente. Estes, tomados juntamente, são o humano. [3] Assim como se pode dizer do homem regenerado que ele é o seu vero e o seu bem, assim também se pode dizer do Senhor como Homem que Ele é o Vero mesmo, ou o Divino Vero, e o Bem mesmo, ou o Divino Bem. Por aí, então, se vê a verdade que o Senhor, quanto ao Seu Humano no mundo, foi o Divino Vero, isto é, a Palavra; e que, então, tudo o que Ele falou foi o Divino Vero, que é a Palavra; e que, depois, quando foi para o Pai, isto é, quando Se fez um com o Pai, o Divino Vero procedente d’Ele é o Espírito da Verdade, que sai e procede d’Ele e, ao mesmo tempo, do Pai n’Ele.