AE 1076

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. (Vers. 15) “E disse-me: As águas que viste, onde a meretriz se senta”. Que isto signifique os doutrinais do consistório papal em geral, assim, os restantes, vê-se pela significação de ‘águas’, que são os veros da Palavra e, daí, da igreja, consequentemente, os doutrinais (de que se tratou nos n. 71, 382, 518 e 854); aqui, são os veros falsificados e profanados, porque são sobre os quais a ‘meretriz se senta’, pela qual é significada a Babilônia, onde todas as coisas santas da igreja foram profanadas; e pela significação de ‘onde a meretriz se senta’, que é onde se acha o domínio a Babilônia, pois pela ‘meretriz’ é significada a igreja que se tornou Babilônia pela profanação de tudo do bem e do vero (de que se tratou acima, n. 1032); e por ‘sentar-se’ é significado dominar (como também acima, n. 1033, 1038 e 1062); e como pelas ‘águas’ são significados os doutrinais que há na Babilônia, e estes saem do consistório papal, por isso, pelas ‘águas onde a meretriz se senta’ são significados os doutrinais do consistório papal; aqui, os restantes, além dos dois de que se disse até aqui. Com efeito, a série das coisas do versículo 12 até o 17 é esta: nos versículos 12 a 14 trata-se dos dois veros profanados que são os principais da igreja, a saber, sobre a autoridade Divina do Senhor sobre o céu e a igreja e sobre a santidade da Palavra, ou seja, que dentro do reino da Babilônia estes dois pontos não foram profanados por muitos, por não foram aceitos; no versículo 15, porém, trata-se dos veros e bens profanados em geral, assim, dos restantes; já nos versículos 16 e 17 se trata daqueles que estão fora da Babilônia, que reconheceram a autoridade Divina do Senhor sobre as coisas santas da igreja e, também a santidade Divina da Palavra; esses são os que se chamam reformados. Esta é a série das coisas, do versículo 12 ao 17, no sentido interno.
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[2] Continuação sobre a Palavra
Foi dito que o Divino Vero procede do Senhor e que daí há a Palavra, e que pela Palavra há sabedoria para os anjos e os homens. Contudo, isto pode ser dito, mas não compreendido, enquanto não se sabe de que maneira o Divino Vero procede do Senhor. O Divino Vero, que é o mesmo que a Divina Sabedoria, procede do Senhor como a luz e o calor do sol. O Senhor é o Divino Amor mesmo, e o amor nos céus aparece ígneo pela correspondência, e o Divino Amor do Senhor como Sol, rútilo e esplendido como o sol do mundo. Daquele Sol, que está muito acima dos céus onde estão os anjos, e que é o Divino Amor, procedem calor e luz, e o calor daí é o Divino Bem, e a luz daí é o Divino Vero. Que o calor seja o Divino Bem é porque todo calor da vida procede do amor percebido como bem, pois é um calor espiritual; e que a luz seja o Divino Vero é porque toda luz procedente do amor é percebida como vero, pois é uma luz espiritual. Por isso, o entendimento, por essa luz, vê os veros, e a vontade, por esse calor, sente os bens. Assim é que, na Palavra, pelo ‘fogo celeste’ se entende o amor, e pela ‘luz celeste’ a sabedoria. Dá-se semelhantemente em relação ao homem e o anjo. Cada um dos anjos e dos homens é o seu amor, e cada um dos homens e dos anjos é envolvido por uma esfera que emana de seu amor. Essa esfera consiste do bem do seu amor e do vero do seu amor, pois o amor produz um e outro, assim como o calor e a luz oriundos do fogo; pela vontade do homem e anjo produz o bem, e pelo entendimento deles produz o vero. Essa esfera tem extensão em toda parte nos céus, segundo a qualidade e a quantidade do amor, se o anjo ou homem for bom, mas em toda parte nos infernos, se o anjo ou homem for mau. Todavia, essa esfera do amor do anjo e do homem tem extensão finita, [estendendo-se] somente a umas poucas sociedades do céu ou do inferno, enquanto a esfera do Amor do Senhor, que é Divina, tem extensão infinita, e cria os próprios céus.

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