. “E os dez chifres que viste sobre a besta”. Que isto signifique os veros da igreja oriundos da Palavra com os reformados, principalmente sobre a autoridade Divina do Senhor, e sobre a santidade da Palavra, vê-se pela significação de ‘dez chifres sobre a besta’, que são os veros da igreja oriundos da Palavra (de que se tratou acima, n. 1069; que os ‘chifres’ sejam os veros quando ao poder, n. 316, 567, 776 e 1041); e que a ‘besta’ seja a Palavra, n. 1038). Que os ‘dez chifres da besta’ aqui signifiquem os veros da Palavra quanto ao poder, com os reformados, vê-se pelo que se diz nesses dois versículos, a saber, que ‘terão ódio à meretriz, a farão devastada e nua, comerão as suas carnes e a queimarão no fogo’, pelo que é significado que rejeitarão completamente todos os estatutos e editos do papa, portanto, as suas coisas falsificadas e profanadas, principalmente as duas de que se tratou acima, a saber, a respeito da autoridade sobre as coisas santas da igreja e sobre as almas dos homens, para salvá-los (que se chama autoridade de abrir e de fechar o céu), como também sobre a autoridade de interpretar a Palavra e de alterar as coisas que há ali, em favor de seu domínio. Esses dois pontos são as cabeças da religião deles, as quais os reformados rejeitaram completamente e queimaram no fogo. Que esse afastamento seja descrito neste versículo e no seguinte, pode-se ver pela série das coisas no sentido interno, porque nos versículos 12 a 14 tratou-se daqueles que, dentro da Babilônia, rejeitaram esses dois dogmas profanas, e nestes dois versículos, daqueles que, fora da Babilônia, as rejeitaram; e das restantes profanações se tratou no versículo 15. Que isto seja assim, é claramente evidente quando pela ‘besta’ se entende a Palavra, por seus ‘dez chifres’, os seus veros, e pela ‘meretriz’, as profanações babilônicas. * * * * * * * [2] Continuação sobre a Palavra A Palavra no sentido da letra parece extremamente simples, porém nela se encerra a sabedoria dos três céus, porque em cada coisa ali há um sentido interior e outro mais interior: o interior como é no primeiro céu, o ainda mais interior como é no segundo, e um íntimo como é no terceiro. Esses sentidos estão no sentido da letra, um dentro do outro, e se revelam, um após o outro, cada um em seu céu, quando o homem que é conduzido pelo Senhor o lê. Esses sentidos interiores diferem em grau de luz e de sabedoria segundo os céus, mas, no entanto, fazem um só pelo influxo e, assim, pelas correspondências. De que maneira, porém, eles fazem um só assim, dir-se-á na sequência. Por aí é evidente de que maneira a Palavra foi inspirada pelo Divino, e que foi escrita por tal inspiração que a ela não se pode absolutamente comparar nenhum outro no mundo. Os arcanos da sabedoria dos três céus, que há nela, são as coisas místicas de que muitos falam.