. “E a farão devastada, e nua”. Que isto signifique a rejeição dos falsos deles, que são os veros falsificados, e, então, a manifestação de que eram desprovidos de todo vero, vê-se pela significação de ‘fazê-la devastada e nua’, que é rejeitar os seus falsos, que são veros falsificados; e visto, quando estes são rejeitados, torna-se manifesto de que não há vero algum, por isso, também, isto é significado; por ‘devastada e nua’ é significado estar sem vero algum, pois significa a devastação e a nudez espiritual, e a devastação espiritual é como no deserto, onde não há terra semeada nem árvore de fruto, e a nudez espiritual é como tem o homem que está sem as vestes. A ‘terra semeada’ e a ‘árvore de fruto’ significam as cognições do vero e do bem, e as ‘vestes’ significam os veros que revestem; por isso, estar sem estes e aqueles é estar sem vero algum. Que a nudez espiritual seja a privação do vero vê-se nos n. 240 e 1008; e que a ‘devastação’, tal como no deserto, seja ode não há vero, n. 730. * * * * * * * [2] Continuação sobre a Palavra Pode-se explicar agora como é a Palavra quanto ao influxo e quanto às correspondências. Diz-se em João: “Cegou os olhos deles, e tapou o coração deles, para que não vejam com os olhos, e entendam com o coração, e se convertam, e [Eu] os cure” (Jo. 12;40); pelos ‘olhos’ que foram cegados é significado o entendimento e a fé do vero; pelo ‘coração’ que foi tapado é significada a vontade e o amor do bem; e ‘ser curado’ significa ser reformado. Que ‘não se convertessem e fossem curados’ era para que não profanassem, pois o mau que é curado, e retorna para o seu mal e falso, profana. Assim aconteceria com a nação judaica. [3] Em Mateus: “Bem-aventurados são os vossos olhos, porque veem, e vossos ouvidos, porque ouvem” (Mt. 13:16); pelos ‘olhos’, aqui também, é significado o entendimento e a fé do vero, e, por conseguinte, por ‘ver’ é significado entender e crer; e pelos ‘ouvidos’ é significada a obediência, e, por conseguinte, a vida segundo os veros da fé, e por ‘ouvir’ é significado obedecer e viver. Com efeito, ninguém é bem-aventurado porque vê e ouve, mas porque entende, crê, obedece e vive. [4] No mesmo: “A lâmpada do corpo é o olho; se... o olho for íntegro, todo o corpo é lúcido; se... o olho for mau, todo o corpo é escurecido; se, pois, o lume... são trevas, quantas trevas [serão]!” (Mt. 6:22, 23); pelo ‘olho’, também aqui, é significado o entendimento e a fé do vero, que é chamado ‘lâmpada’ por causa da luz do vero, que o homem tem pelo entendimento e pela fé; e como o homem se torna sábio pelo entendimento e pela do vero, é dito que ‘se o olho for íntegro, todo o corpo é lúcido’; o ‘corpo’ é o homem, e ‘lúcido’ é ser sábio. É o contrário, porém, com o ‘olho mau’, isto é, o entendimento e a fé do falso. As ‘trevas’ são os falsos. ‘Se o lume são trevas’ significa se o vero é falso, ou falsificado, e como o vero falsificado é pior do que qualquer outro falso, se diz que ‘se o lume são trevas, quantas trevas [serão]!’. [5] Por estes poucos exemplos é evidente o que é correspondência e o que é influxo, a saber, que o olho é correspondência do entendimento e da fé, o coração é correspondência da vontade e do amor, os ouvidos são correspondência da obediência, a lâmpada e o lume são correspondência do vero, as trevas são correspondência do falso, e assim por diante. E como um é espiritual e o outro é natural, e o espiritual atua no natural e o forma à sua imagem para que apareça diante dos olhos ou diante do mundo, por isso essa ação é o influxo. Tal é a Palavra em todas e cada uma das coisas.