. “Porque Deus pôs nos corações deles dar a sua sentença”. Que isto signifique que isto vem do Senhor, para que se afastassem completamente, vê-se pela significação de ‘pôr no coração deles’, que é inspirar a afeição, pois o ‘coração’ significa a vontade e o amor, por conseguinte, a afeição que pertence à vontade e ao amor em seu contínuo; por ‘Deus’, que é citado aqui, se entende o Senhor, porque não há outro Deus do céu e da terra; e pela significação de ‘dar a sua sentença’, a saber, à ‘meretriz’, que são as coisas que foram ditas no versículo precedente, ‘que fariam a meretriz nua e devastada, e comeriam as suas carnes, e a queimariam no fogo’, pelo que é significado, em suma, que rejeitaram completamente as coisas profanas da Babilônia e se afastariam dela, assim como os reformados de fato fizeram. * * * * * * * [2] Continuação a respeito da Palavra Assim como é da criação que o fim, a causa e o efeito, juntos, façam um só, assim também é da criação que o céu faça um com a igreja nas terras, mas por meio da Palavra, quando é lida pelo homem pelo amor do vero e do bem, pois a Palavra foi dada pelo Senhor para o fim de que houvesse perpétua conjunção dos anjos do céu com os homens da terra, e, também uma perpétua comunicação segundo a conjunção. Sem esse meio não haveria conjunção alguma nem comunicação com o céu neste planeta. A conjunção e a comunicação são instantâneas; a razão disso é que todas as coisas da Palavra no sentido de sua letra são como o efeito, no qual estão a causa e o fim simultaneamente. Os efeitos, que estão na Palavra, são chamados usos; as causas deles, veros; e os fins deles, bens. E o Divino Amor, que é o Senhor, une esses três no homem que está pela Palavra na afeição dos usos. Será ilustrado, por meio de comparações, de que maneira da Palavra na letra o homem haure e evoca o sentido natural, o anjo espiritual, o espiritual, e o anjo celeste, o celeste, e isto num instante, donde há conjunção e comunicação. Primeiramente, por algo no reino animal, em seguida, por algo no reino vegetal e, finalmente, por algo no reino mineral. [3] Do reino animal. Da comida, quando se torna quilo, os vãos sanguíneos haurem e evocam o seu sangue, as fibras dos nervos o seu sumo, e as substâncias que são as origens das fibras o seu espírito, que é chamado animal, e isto por meio do calor vital que, em sua essência, é o amor. Os vasos, as fibras e as substâncias, são de origens distintas entre si, e, no entanto agem como um só em todo o corpo, e agem junta e instantaneamente. [4] Do reino vegetal. A árvore, com o tronco e os ramos, as folhas e os frutos, apoia-se sobre a sua raiz e, do humos, onde a sua raiz está, extrai e evoca o sumo; o mais grosseiro para o tronco e os ramos, um mais puro para as folhas, e um puríssimo, que, também, é o mais nobre, para os frutos e para as sementes neles, e faz isto pelo calor do sol. Aí, os ramos, as folhas e os frutos, embora sejam distintos, extraem, todavia, do mesmo humo, junta e instantaneamente, alimentos de pureza e nobre tão diversas. [5] Do reino mineral. No seio da terra, em alguns lugares, há minerais impregnados de ouro, prata cobre e ferro. Das exalações encerradas na terra o ouro tira o seu elemento, a prata o seu, o cobre o seu e o ferro o seu, e isto por uma espécie de calor desconhecido, distinta, junta e instantaneamente. [6] Como é lícito, por comparações tiradas das coisas naturais, ilustrar as espirituais, por isso, sejam estas para ilustração da maneira pela qual da Palavra, em seu último, que é o sentido da letra, são hauridas, evocadas e extraídas as coisas interiores, que são as espirituais e celestes, pelas quais há para o homem da igreja comunicação e conjunção com os céus. Comparações podem ser feitas por elas, porque todas as coisas que há nos três reinos da natureza, o animal, o vegetal e o mineral, correspondem a coisas espirituais que há nos três céus. Assim como a comida para o corpo, com a qual se fez comparação, corresponde à comida da alma, que é a ciência, a inteligência e a sabedoria. A árvore, com a qual também se fez comparação, corresponde ao homem: a árvore, o homem mesmo; a madeira, o seu bem; as folhas, os seus veros; e os frutos, os seus usos. Semelhantemente, o ouro, a prata, o cobre e o ferro correspondem aos bens e veros: o ouro, o bem celeste; a pra, o vero espiritual; o cobre, o bem natural; e o ferro, o vero natural. Por esse motivo, estes elementos significam as mesmas coisas na Palavra. E, o que é admirável, os mais puros se encerram nos mais grosseiros e daí são extraídos, assim como espírito animal e como o sumo nervoso no sangue, do qual as substâncias originais e as fibras nervosas haurem e extraem distintamente suas partes, do mesmo modo que o fruto e a folha o faz do fluido grosseiro que é tirado do solo pelo tronco e sua casca, e assim por diante; assim, comparativamente, como do sentido da letra da Palavra são hauridos e evocados os sentidos mais puros, como foi dito.