. “E dar seu reino à besta”. Que isto signifique o reconhecimento da Palavra como Divina e a fundação da igreja sobre esse reconhecimento, vê-se pela significação de ‘dar o reino’, que é a igreja, pois pelo ‘reino’, na Palavra, é significada a igreja quanto ao vero, e pelo ‘domínio’, a igreja quanto ao bem; e pela significação de ‘besta’, que é a Palavra (de que se tratou acima, n. 1038). Daí, ‘dar o reino à besta’ significa dar a igreja à Palavra, ou, o que é o mesmo, reconhecer a Palavra, e instaurar e fundar a igreja sobre ela. Pelo que está neste versículo, e, também, pelo que foi relatado e explicado acima, nos versículos 11-13 e 16, sobre a ‘besta’, é claramente evidente que pela ‘besta’ é significada a Palavra, que é recebida e, no entanto, rejeitada por aqueles se entendem pela ‘meretriz’, e, todavia, reivindicada por outros que estão dentro e fora da Babilônia. [2] Que pela ‘besta’ se possa entender a Palavra é porque também um leão e um cordeiro são bestas, e, entretanto, por eles se entende o Senhor em várias passagens na Palavra. E, também, porque as ovelhas, os cabritos, os carneiros, as cabras e os bezerros também são bestas, e, entretanto, por eles são significadas as coisas santas do céu em várias passagens na Palavra. E, ademais, pela ‘besta vinda da terra’ são significadas as confirmações pela Palavra em favor da fé separada (vide no n. 815). Que nenhuma outra coisa possa ser significada por essa besta, vê-se claramente pelas coisas que foram ditas a respeito delas no versículo 13, onde se diz que ‘os dez reis deram seu poder e autoridade à besta’, e, também, pelas coisas que estão nos versículos 16 e 17, que eles ‘deram seu reino à besta’, os quais, todavia, foram os que ‘devastaram a meretriz, comeram as suas carnes e a queimaram no fogo’. [3] Que a meretriz tenha sido vista assentada sobre a besta era porque a Babilônia fundamentou a sua dominação em algumas passagens na Palavra e nas palavras que foram ditas a Pedro pelo Senhor. O mesmo é significado também pelo que se diz a respeito da meretriz, que ela assentou-se ‘sobre muitas águas’ e, em outra passagem, ‘sobre tesouros’, e, também, que ela foi vista ‘envolta de púrpura e escarlate, e ornada de ouro, e de pedra preciosa e de pérolas, tendo um copo de ouro em sua mão’ (vers. 1 e 4 deste capítulo e Jr. 51:13). * * * * * * * [4] Continuação sobre a Palavra Há a ordem sucessiva e a ordem simultânea. Na ordem sucessiva, as coisas ouras e perfeitas aparecem acima, e as menos puras e menos perfeitas, abaixo. Os três céus estão na ordem sucessiva, um acima do outro, e nos céus superiores todas as coisas são puras e perfeitas, enquanto nos inferiores elas são menos puras e menos perfeitas. A ordem simultânea existe nas coisas inferiores e, plenamente, nas ínfimas, pois as superiores descem e se põem na ordem que se chama simultânea, na qual as puras e perfeitas, que tinham sido as superiores, estão no meio ou centro, e as menos puras e menos perfeitas, que tinham sido as inferiores, estão nas periferias. Daí é que todas as coisas que tinham existido na ordem sucessiva estão ao mesmo tempo em sua ordem nos últimos. [5] Ora, uma vez que todas as coisas superiores se põem nos ínfimos na ordem simultânea, segue-se que nos últimos da Palavra, que são o seu sentido da letra, estão todas as coisas do Divino Vero e do Divino Bem, até os seus primeiros. E como todas as coisas do Divino Vero e do Divino Bem estão juntos em seu último, que é o sentido da letra da Palavra, é evidente que aí está o poder do Divino Vero, de fato, a onipotência do Senhor para salvar o homem, pois quando o Senhor opera, não opera dos primeiros, pelos meios, nos últimos, mas pelos primeiros, pelos últimos, e, assim, nos meios. Daí é que na Palavra o Senhor é chamado Primeiro e Último, e daí é que o Senhor assumiu o Humano, que no mundo foi o Divino Vero ou a Palavra, e o glorificou até os últimos, que são ossos e carne, a fim de que pudesse operar por Si, dos primeiros, pelos últimos, e não como fazia anteriormente, pelo homem. Esse poder nos últimos foi representado pelos cabelos nos nazireus e em Sansão, pois os cabelos correspondem aos últimos do Divino Vero. Esta era, também, a razão pela qual, nos tempos antigos, era desonroso causar a calvície. [6] Que os meninos que chamavam Eliseu de calvo tenham sido despedaçados pelos ursos foi porque Eliseu e Elias representavam a Palavra, e a Palavra sem o sentido da letra, que é como a cabeça sem os cabelos, está sem poder algum e, assim, não é mais a Palavra. Os ‘ursos’ significam aqueles que estão na força pelos últimos do vero. O poder da Palavra no sentido da letra é o poder de abrir o céu, pelo qual se faz comunicação e conjunção, e é o poder de lutar contra os falsos e males, assim, contra os infernos. O homem que está nos veros genuínos do sentido da letra da Palavra, pode, apenas pelo olhar e por um esforço da vontade, num só momento pôr em debandada e dispersar toda uma turba diabólica e as artes delas, que são inumeráveis nas quais eles põem o seu poder. Em suma, no mundo espiritual nada pode resistir aos veros genuínos confirmados pelo sentido da letra da Palavra.