AE 1093

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “Tendo grande autoridade”. Que isto signifique que agora tem a onipotência, tanto nos céus como nas terras, vê-se pela significação de ‘grande autoridade’, quando se trata do Senhor, que é a onipotência. Que a ‘grande autoridade’ aqui signifique a onipotência é porque do anjo, segundo a ideia que o homem tem a respeito dos anjos, não se diz onipotência, mas grande autoridade. Quando, porém, pelo ‘anjo’ se entende o Senhor quanto ao Seu Divino procedente, então por ‘grande autoridade’ se entende a onipotência. Ademais, a onipotência pertence ao Senhor porque Ele é Deus do céu e Deus da terra, e pelo Divino que procede d’Ele como Sol foi criado o céu e foi criada a terra; e, também, por isso o céu é mantido com a terra e subsiste. O Divino procedente é o que em João se chama a ‘Palavra, que estava em Deus e que era Deus’, pela qual foram feitas todas as coisas que foram feitas, e pelo qual, também, o mundo foi feito (Jo. 1:1, 2, 10). Que seja a onipotência do Senhor tanto nos céus como nas terras que se entende pela ‘grande autoridade do anjo’ é porque se segue que ‘a terra foi iluminada por sua glória’, pois quando foi feito o juízo final sobre aqueles que se entendem pela ‘meretriz’ ou ‘Babilônia’, foram então removidas as trevas que se tinham colocado entre o céu e a terra. Mas, sobre este assunto, muitas coisas serão vistas abaixo.
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[2] Continuação sobre a Fé Atanasiana
Pelo que foi dito, é evidente que os pensamentos do homem têm extensões nas sociedades, ou celestes ou infernais, e que, se não houvesse as extensões, não haveria pensamentos. O pensamento do homem é como a visão de seus olhos, que, se não tivesse extensão foram de si, seria nula ou ele seria cego. Mas é o amor do homem que determina os seus pensamentos nas sociedades: o amor bom as determina nas sociedades celestes, e o amor mau, mas sociedades infernais, pois todo o céu é ordenado em sociedades segundo todas as variedades de afeições que pertencem ao amor, no geral, na espécie e no particular. Por outro lado, o inferno é ordenado em sociedades segundo as cobiças do amor do mal opostas às afeições do amor do bem.
[3] O amor do homem é, comparativamente, como o fogo, e seus pensamentos são como os raios de luz daí. Se o amor for bom, então os pensamentos, que são como os raios, são verdades; se o amor for mau, os pensamentos, que são como raios, são falsidades. Os pensamentos oriundos do amor bom, os quais são verdades, tendem para o céu, enquanto os pensamentos do amor mau, os quais são falsidades, tendem para o inferno; e eles se conjuntam e adaptam às sociedades homogêneas e, por assim dizer, enxertam-se nelas, ou seja, nas que são de amor semelhante, de um modo tão profundo que o homem é inteiramente um com elas.
[4] Pelo amor ao Senhor o homem é uma imagem d’Ele. O Senhor é o Divino Amor, e Ele aparece no céu como o Sol, perante os anjos. Desse Sol procedem a luz e o calor; a luz é o Divino Vero, e o calor é o Divino Bem. Desses dois vêm todo o céu e todas as sociedades do céu. O amor do Senhor no homem que é Sua imagem é como o fogo daquele Sol, fogo do grau procedem, semelhantemente, luz e calor; a luz é o vero da fé, e o calor é o bem do amor, ambos oriundos do Senhor, e ambos são incutidos pelas sociedades com as quais o amor do homem age como um. Que o homem seja por criação imagem e semelhança de Deus vê-se em Gênesis (1:26); e que seja imagem e semelhança do Senhor pelo amor é porque pelo amor o homem está no Senhor e o Senhor nele (Jo. 14:20, 21). Em suma, não pode existir um mínimo pensamento sem que haja sua recepção em alguma sociedade; não com os indivíduos ou anjos da sociedade, mas com a afeição do amor pela qual e na qual está essa sociedade. Daí é que os anjos não são cientes do influxo, nem esse influxo perturba de modo algum a sociedade.
[5] Por aí é evidente a verdade que o homem está em conjunção com o céu quando vive no mundo e, também, em consociação com os anjos, embora o homem não o saiba, como também os anjos não o sabem. A razão de eles não saberem é que o pensamento do homem é natural, e o pensamento dos anjos é espiritual, os quais fazem um somente pelas correspondências. Uma vez que o homem, por seus pensamentos, é introduzido ou no céu ou no inferno, por isso, quando vem ao mundo dos espíritos, o que acontece logo após a morte, sua qualidade é conhecida somente pela extensão dos seus pensamentos nas sociedades. Assim cada um é examinado; e, também, é reformado pelas admissões dos pensamentos nas sociedades do céu, e condenado pelas imersões de seus pensamentos nas sociedades do inferno.

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