. “E a terra foi iluminada por sua glória.” Que isto signifique a igreja agora na luz pelo influxo e pela recepção do Divino Vero, vê-se pela significação de ‘terra’, que é a igreja (de que se tratou muitas vezes); pela significação de ‘ser iluminada’, que é estar na luz; e pela significação de ‘glória’, quando se trata do Senhor, que aí se entende pelo ‘anjo’, que é o Divino Vero (de que se tratou nos n. 33, 288, 345 e 874). Que a glória seja o Divino Vero, porque é a luz do céu, da qual os anjos têm toda sabedoria e felicidade, e também magnificência, [vê-se acima] (n. 678). Diz-se do anjo descendo do céu que ele ‘tinha grande autoridade’ e que ‘a terra foi iluminada por sua glória’ porque o juízo final foi feito sobre aqueles que se entendem pela ‘meretriz’ ou ‘Babilônia’. Isto se entende pelas palavras do anjo: “Caiu, caiu Babilônia... e tornou-se habitáculo dos demônios, e prisão de todo espírito imundo, e prisão de toda ave imunda e detestável” (Ap. 18:2). E quando o juízo foi feito sobre eles, então o Divino Vero procedente do Senhor veio em seu poder e em sua luz, porque enquanto a Babilônia foi tolerada sob o céu havia nuvens densas e escuras entre o céu e a terra, pelas quais os raios de luz do sol foram interceptados e o dia escurecido. A razão disso é que eles tinham não só falsificado, mas, também, rejeitado o Divino Vero, que é a Palavra, e, sobretudo, tinham aniquilado a Divina autoridade do Senhor quando a transferiram para si. Estas e muitas outras coisas que havia entre eles, enquanto lhes foi concedido fazer habitações para si sob os céus, foram como nuvens escuras entre o céu e a terra, pelo que o Divino Vero não pode ser transmitido e iluminar homem algum da igreja. Mas, tão logo eles foram desviados e lançados no inferno, o Divino Vero que procedia do Senhor teve poder e luz, a ponto de que o Senhor pôde conduzir mais poderosamente e iluminar mais claramente não só os espíritos que estavam sob os céus, mas, também, os homens na igreja. Esta foi a razão pela qual o sentido espiritual da Palavra não foi revelado e o estado do céu e do inferno manifesto antes, mas depois que o juízo final foi realizado, pois, se o fosse antes, o Divino Vero não teria poder e luz. * * * * * * * [2] Continuação sobre a Fé Atanasiana Uma vez que o homem, quando nasce, não está em sociedade alguma, nem celeste nem infernal, pois é desprovido de pensamento, e, no entanto, ele nasce para a vida eterna, segue-se que, no decorrer do tempo, ou ele abre para si o céu, ou abre para si o inferno, e entra nas sociedades e se torna habitante ou do céu ou do inferno, mesmo quanto está no mundo. Que o homem se torna um habitante dali é porque no mundo espiritual está a sua habitação mesma, e, como foi dito, a sua pátria, pois ali viverá na eternidade, após ter vivido alguns anos no mundo natural. Por aí se pode concluir quão necessário é para o homem saber o que é nele abre o céu e o introduz nas suas sociedades, e, também, o que é que nele abre o inferno e o introduz nas suas sociedades. Isto se dirá nos apêndices aos artigos seguintes. Aqui se dirá somente que o homem se introduz cada vez mais nas sociedades do céu, sucessivamente, segundo o crescimento da sabedoria, e cada vez interiormente, sucessivamente, segundo o crescimento do amor do bem. Então, quanto lhe é aberto o céu, mais lhe é fechado o inferno. Mas é o homem mesmo que abre para si o inferno, enquanto o Senhor abre para o homem o céu. * * * * * * *