. “Dizendo: Caiu, caiu a grande Babilônia”. Que isto signifique que o juízo final foi feito sobre aqueles que tinham profanado as coisas santas do céu e da igreja pela dominação assumida sobre elas, vê-se pela significação de ‘caiu, caiu’, que é a ruína e a destruição, assim o juízo final, pois pelo juízo final houve ruína e destruição, pois então eles foram lançados no inferno; e pela significação de ‘Babilônia’, que são os que profanaram as coisas santas do céu e da igreja pela dominação assumida sobre elas, pois pela ‘Babilônia’ se entende o mesmo que pela ‘meretriz sentada sobre a besta escarlate’ e o mesmo que pela ‘mãe de todas as escortações e abominações da terra’ no capítulo precedente, pelo que se entendem os que profanaram as coisas santas da igreja. Neste capítulo se trata deles e da profanação por eles. * * * * * * * [2] Continuação sobre a Fé Atanasiana O pensamento sobre o Deus uno abre o céu para o homem, porque não senão um só Deus; por outro lado, o pensamento sobre vários deuses fecha o céu, porque a ideia de vários deuses destrói a ideia de um só Deus. O pensamento sobre o verdadeiro Deus abre o céu porque o céu e tudo o que seu vem do verdadeiro Deus; por outro lado, o pensamento sobre um falso deus fecha o céu, pois no céu não se reconhece outro Deus senão o verdadeiro. O pensamento sobre o Deus Criador, Redentor e Iluminador abre o céu, pois esse Trino é do único e verdadeiro Deus, como também o pensamento sobre Deus infinito, eterno, incriado, onipotente, onipresente e onisciente abre o céu, pois estes são atributos da essência do único e verdadeiro Deus; por outro lado, o pensamento de um homem vivo como um deus, de um homem morto como um deus e de um ídolo como deus fecha o céu, porque eles não são oniscientes, onipresentes, onipotentes, incriados, eternos e infinitos, nem deles veio a criação, a redenção nem a iluminação. [3] Só o pensamento a respeito de Deus como Homem, no qual está o Trino Divino, a saber, o que é chamado Pai, Filho e Espírito Santo, abre o céu; por outro lado, o pensamento sobre Deus não como Homem, que se apresenta na aparência de uma nuvenzinha, ou como a natureza em seus mínimos, fecha o céu, pois Deus é Homem, e todo anjo e todo espírito é homem daí. Por isso, só o pensamento sobre Deus, que Ele é o Deus do universo, abre o céu, pois o Senhor diz: “O Pai... entregou todas as coisas na mão” do Filho (Jo. 3:35); O Pai deu ao Filho “autoridade de toda carne” (Jo. 17:2); “Todas as Minhas coisas [Me] foram entregues pelo Pai” (Mt. 11:27); “Foi-Me dada toda autoridade no céu e na terra” (Mt. 28:18). [4] Por essas explicações é evidente que o homem, sem a ideia de Deus, qual a que existe no céu, não pode ser salvo. A ideia de Deus no céu é o Senhor, pois os anjos do céu estão no Senhor, e o Senhor neles. Por isso, é impossível para eles pensar em outro Deus que não o Senhor (vide Jo. 14:20, 21). Que se me permita acrescentar: a ideia sobre Deus como Homem foi implantada do céu em toda nação em todas as terras do mundo, mas, o que eu lamento, foi perdida no mundo cristão. As razões serão referidas abaixo.