. “Saí [vós] dela, Meu povo”. Que isto signifique para que os deixem e não se comuniquem com eles, vê-se pela significação de ‘sair da Babilônia’, que é deixar aqueles que se entendem por ‘Babilônia’ e, também, que não se comuniquem com eles; e pela significação de ‘Meu povo’, que são os que estão nos veros e, pelos veros, no bem da vida (que o ‘povo’ signifique aqueles que estão nos veros do bem vê-se nos n. 175, 331 e 625). Essas palavras são de exortação, a qual se entende pela ‘voz do céu’. Que seja uma exortação para que os deixem e, também, não se comuniquem com eles, é porque a relação com eles é perigosa, principalmente no mundo espiritual, onde, do mesmo modo que no mundo, eles enviam emissários que persuadem por vários modos e atraem com promessas para que se aceite a religiosidade deles. Com efeito, assim como o homem faz no mundo, também o faz após a saída do mundo, porque o amor reinante permanece em cada um, e o amor deles é trazer o mundo todo à religiosidade deles, e isto a fim de que os limites de seu império se dilatem, por causa do prazer infernal do amor de si e do prazer infernal do amor do mundo. Por causa desses prazeres é que também o diabo anda ao redor, como se diz, e seduz, como também se pode ver pelas coisas que foram relatadas nos Evangelhos a respeito da tentação do Senhor pelo diabo. Ali, o amor de si, no qual o diabo é está, é descrito pelo fato de querer ser adorado, e o amor do mundo pelo fato de, desde o monte, ter mostrado todas as coisas do mundo como suas. Uma vez que amor permanece semelhante em cada um após a morte, por isso também a nação Babilônia, quando vem ao mundo espiritual, então, aqueles que exerceram império pelo prazer de seus amores, aprendem artes desconhecidas no mundo espiritual e por elas fascinam os homens espíritos e os atraem, mesmo contra a vontade deles, para seus partidos. Por isso, agora, depois que o juízo final foi efetuado sobre eles, foi-lhes severamente proibido enviar alguém às sociedades onde estão os reformados ou aos gentios, e, quando enviam, são descobertos e punidos. Como aqui se trata do estado deles após o juízo final, principalmente do estado deles no mundo espiritual, por isso as coisas que aqui e na sequência se dizem sobre a Babilônia devem ser entendidas como sendo ditas principalmente para eles, {??? Ou por causa deles???}, pois, no que concerne à Babilônia no mundo natural, ou nas terras de nosso mundo, os que se entendem pela ‘Babilônia’ não estão no mesmo estado que aqueles que se acham no mundo espiritual, mas, no entanto, a exortação é também para eles, para que se acautelem em relação àqueles. * * * * * * * [2] Continuação sobre a Fé Atanasiana Agora, em relação à concordância de tudo da doutrina Atanasiana com a verdade de que Deus é um em essência e Pessoa, no Qual está o trino, para que essa concordância seja estabelecida e vista, vou progredir em ordem. A doutrina Atanasiana ensina primeiramente assim: “A Fé católica é esta: Que adoramos um só Deus na trindade, e a trindade na unidade, não confundindo as Pessoas nem separando a essência”. Quando em lugar de três pessoas entende-se uma só Pessoa, na qual está o trino, então isto é uma verdade em si, e em clara ideia se percebe assim: A Fé cristã é esta: Que adoramos um só Deus, no Qual está o trino e o trino em um só Deus. E que Deus, no Qual está o trino, é uma Pessoa, e o trino em Deus é uma só essência. Assim, há um só Deus na trindade, e a trindade na unidade, sem serem confundidas as pessoas nem separada a essência. Que não sejam confundidas as pessoas nem separada a essência ver-se mais claramente pelo que agora se segue. A doutrina Atanasiana ensina, além disso, que: “Pois uma é a pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo, mas a Divindade do Pai, do Filho e do Espírito é uma e a mesma, e a glória igual...”. Quando em lugar de três pessoas entende-se uma só Pessoa, na qual está o trino, então essas coisas são a verdade em si, e são assim percebidas numa ideia clara: O trino no Senhor, como numa só Pessoa, é o Divino, que é chamado Pai, o Divino Humano, que é chamado Filho, e o Divino procedente, que é chamado Espírito Santo, mas a Divindade ou a essência Divina dos três é uma só, com glória igual. Além disso, “Qual é o Pai, tal é o Filho e tal é o Espírito Santo”. Essas palavras são, então, percebidas assim: Qual é o Divino que é chamado Pai, tal é o Divino que é chamado Filho e tal é o Divino que é chamado Espírito Santo. [3] Ainda: “O Pai é incriado, o Filho é incriado e o Espírito santo é incriado; o Pai é infinito, o Filho é infinito e o Espírito Santo é infinito; O Pai é eterno, o Filho é eterno e o Espírito Santo é eterno. No entanto, não há três eternos, mas um só eterno; e não há três infinitos, mas um só infinito, nem três incriados, mas um só incriado. Assim como o Pai é onipotente, também o Filho é onipotente e o Espírito Santo é onipotente. No entanto, não há três onipotentes, mas um só onipotente”. Quando em lugar de três pessoas entende-se uma só Pessoa, na qual está o trino, então essas palavras são a verdade em si, e são percebidas assim, numa ideia clara: Assim como o Divino no Senhor, que é chamado Pai, é incriado, infinito e onipotente, assim o Divino Humano, que é chamado Filho, é incriado, infinito e onipotente, e assim o Divino que é chamado Espírito Santo é incriado, infinito e onipotente, mas esses três são um só, porque o Senhor é um só Deus, tanto em essência como em pessoa, na qual está o trino. Na doutrina Atanasiana também se seguem estas palavras: “Assim como o Pai é Deus, também o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus. No entanto, não há três deuses, mas um só Deus. Ainda que o Pai seja Senhor, o Filho seja Senhor e o Espírito Santo seja Senhor, não há, todavia, três Senhores, mas um só Senhor. Quando em lugar de três pessoas entende-se uma só Pessoa, na qual está o trino, então essas palavras são claramente percebidas assim: Que o Senhor, por Seu Divino que é chamado Pai, por Seu Divino Humano que é chamado Filho, e por Seu Divino procedente que é chamado Espírito Santo é um só Deus e um só Senhor, porque os três Divinos chamados pelos nome de Pai, Filho e Espírito Santo estão no Senhor, um em essência e Pessoa. [4] Além disso, “Visto que, pela verdade cristã, somos obrigados a reconhecer cada pessoa por Si como Deus e Senhor, todavia, pela religião católica somos proibidos de dizer que há três Deuses ou três Senhores”. (Em outro lugar, assim: “Como devemos, pela verdade cristã, reconhecer cada pessoa como Deus ou Senhor, assim não podemos na fé cristã nomear três Deuses ou três Senhores”). Visto que essas palavras não podem ser entendidas de outra maneira senão que, pela verdade cristã, não podemos deixar de reconhecer e pensar em três Deuses e três Senhores, não se permite, porém, pela fé e religião cristã, dizer e nomear três Deuses ou três Senhoras (conforme assim acontece, pois a maioria das pessoas pensa em três Deuses que são unânimes, e assim os chamam de trino unânime, mas são obrigados a dizer um só Deus). Mas, como não há três pessoas, mas uma só Pessoa, então, em lugar dessas palavras, que devem ser excluídas da doutrina Atanasiana, se dizem estas: Como reconhecemos o trino no Senhor, então é pela verdade e, assim, pela fé e religião cristã, que reconheçamos, tanto de boca quando de coração, um só Deus e um só Senhor. Porque, se se permitisse reconhecer e pensar em três, também se permitiria crer em três, pois a crença ou a fé pertence ao pensamento e ao reconhecimento e, daí, à linguagem, e não à linguagem separada. [5] Depois se seguem estas: “O Pai por ninguém foi feito, nem criado, nem nascido; o Filho... somente do Pai, não feito nem criado, mas nascido; o Espírito Santo vem do Pai e do Filho, não feito nem criado, nem nascido, mas procedente. Assim, há um só Pai, não três pais; um só Filho, não três filhos; um só Espírito Santo, não três espíritos santos”. Essas palavras concordam inteiramente com a verdade contanto que pelo Pai se entenda o Divino do Senhor que é chamado Pai, pelo Filho se entenda o Seu Divino Humano, e pelo Espírito Santo o Seu Divino Procedente, pois do Divino que é chamado Pai nasceu o Divino Humano que é chamado Filho, e de ambos procede o Divino que é chamado Espírito Santo. Mas, do Divino Humano nascido do Pai se dirá especificamente abaixo. Por aí é agora evidente que a doutrina Atanasiana concorda com as verdades de que Deus é um, tanto em essência quanto em Pessoa, contanto que em lugar de três pessoas se entenda uma só Pessoa na qual está o trino, que é chamado Pai, Filho e Espírito Santo. No artigo seguinte a mesma concordância será estabelecida em relação à unidade de Pessoa no Senhor.