. “Para que não vos façais participantes de seus pecados”. Que isto signifique para que não entrem nos males deles, que são os do amor de si e do amor do mundo, vê-se pela significação de ‘fazer-se participante’, quando se trata de pecados, que é entrar neles e, assim, tornar-se culpado deles; e pela significação de ‘pecados’, que aqui são os males que brotam do amor de si e do mundo. Que sejam esses males que se entendem é porque a nação Babilônia está nesses amores e, consequentemente, nos males que nascem deles. Que essa nação esteja nos males é evidente, pois estendem o domínio não somente sobre todas as coisas da igreja, mas, também, sobre o céu; e nem assim se contentam, pois estendem também o domínio sobre o Senhor mesmo, já que transferiram para si a autoridade d’Ele sobre as almas dos homens para salvá-los, autoridade essa que é Divina autoridade mesma do Senhor. Com efeito, por essa finalidade o Senhor veio ao mundo e glorificou o Seu Humano, isto é, fê-lo Divino, para que por esse meio pudesse salvar os homens. Que eles tenham estendido o domínio sobre o Senhor mesmo é evidente, pois, como transferiram a si a Divina autoridade d’ele, que é a autoridade de salvar os homens, eles então creem que o Senhor fará o que eles quiserem, e não que eles farão o que o Senhor quiser. Assim, a vontade deles domina, e vontade do Senhor serve. Em suma, eles tiraram o Senhor do trono e ali colocaram a si mesmos, dizendo no coração, como Lúcifer: “Contudo, tu disseste em teu coração: Aos céus subirei, sobre as estrelas do céu exaltarei o meu trono... subirei acima da altura da nuvem, tornar-me-ei semelhante ao Altíssimo” (Is. 14:13-14). Que por ‘Lúcifer’ aí se entenda Babel, vide acima (n. 1029). Mas a Babel de hoje não somente se fez semelhante ao altíssimo, mas até superior. Ora, como aqueles que se entendem por ‘Babilônia’ estão nos amores de si e do mundo mais do que todas em todas as terras do mundo, e visto que todos os males nascem desses dois amores, e os piores deles do tal amor de dominar, por isso se faz aqui a exortação para que saiam ou se afastem deles, ‘para que não vos façais participantes de seus pecados’. (que todos os males nasçam desses dois amores, a saber, do amor de si e do amor do mundo, vê-se na Doutrina da Nova Jerusalém, n. 65-83; e que esses amores reinem no inferno, na obra O Céu e o Inferno, n. 551-565). * * * * * * * [2] Continuação sobre a Fé Atanasiana Agora, quanto à concordância da Doutrina Atanasiana com esta verdade, que o Divino Humano do Senhor é Divino pelo Divino que esteve n’Ele pela concepção. Parece, de fato, que não estaria na Doutrina Atanasiana que o Humano do Senhor seja Divino, mas está, como é evidente pelas seguintes palavras nessa Doutrina: ‘...nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e Homem; ... Que, embora seja Deus e Homem, não há, todavia, dois, mas um só Cristo’. É ‘inteiramente um... pela unidade de pessoas’ (em outra passagem, ‘porque são uma só Pessoa’). ‘Porque, assim como a alma racional e o corpo são um só homem, assim Deus e Homem é um só Cristo’. Ora, como a alma e o corpo são um só homem e, assim, uma só pessoa, e qual é alma tal é o corpo, segue-se que, como a Sua Alma vinda do Pai era Divina, também o corpo, que é o Seu Humano, é Divino. Ele, de fato, tomou um corpo ou humano da mãe, mas esse Ele despojou no mundo e revestiu-Se do Humano vindo do Pai, e este é o Divino Humano. É dito na Doutrina: ‘Igual ao Pai quanto ao Divino, e inferior ao Pai quanto ao Humano’. Isto também concorda com a verdade quando se entende o humano vindo da mãe, como também ali. Também se diz na Doutrina: ‘...Deus e homem...’ é ‘um só Cristo; um, não pela conversão da essência Divina em humana, mas pela assunção da essência Humana na Divina. Inteiramente um, não pela confusão de substâncias, mas pela unidade de Pessoas’. Estas, também, concordam com a verdade, porque a alma não se converte no corpo, nem se confunde com o corpo para se tornar corpo, mas assume o corpo para si. Por conseguinte, a alma e o corpo, embora sejam duas coisas distintas, são, no entanto, um só homem, e, quanto ao Senhor, um só Cristo, isto é, um só Homem, que é Deus. Mais coisas a respeito do Divino Humano do Senhor serão ditas na sequência.