. (Vers. 6) “Retribuí-lhe conforme ela vos tem dado”. Que isto signifique a punição infernal correspondente aos malefícios deles, vê-se pela significação de ‘retribuir a alguém como ele retribuiu’ ou fez, que é retribuir segundo a justa retaliação, por conseguinte, a punição correspondente aos malefícios. Como, porém, essas coisas foram ditas àqueles que, segundo a exortação, saíram da Babilônia, isto é, os que deixaram essa religiosidade, e que se preveniram contra ela, e esses não os punem, pois estão na caridade e, assim, não estão na vingança, por isso, por essas palavras é significada a punição infernal correspondente aos malefícios. Que isto seja dito a respeito a respeito deles, que ‘os retribuíssem’, como também na sequência, que ‘lhes duplicassem em dobro segundo as obras, e lhe misturassem em dobro no copo que misturou’, é segundo o estilo da Palavra no seu sentido da letra, que é segundo as aparências, a saber, que eles haviam de se vingar das injustiças que lhe foram feitas, assim como, no mesmo sentido, atribui-se ao Senhor mesmo que Ele Se encoleriza e castiga, e, assim, que age por vingança, quando, todavia, ira e vingança não existem no Senhor e, consequentemente, não naqueles que são conduzidos e vivem pelo Senhor. * * * * * * * [2] Continuação sobre a Fé Atanasiana e sobre o Senhor Alguns no mundo cristão adquiriram para si a ideia de Deus como a do universo, alguns como da natureza nos íntimos, alguns como de uma nuvem num certo espaço etéreo, alguns como um raio de luz, alguns não adquiriram ideia alguma e poucos a ideia de Deus como um Homem, quando, todavia, Deus é Homem. Há muitas razões pelas quais eles adquiriram tais ideias no mundo cristão. A primeira é porque creram, por sua doutrina, em três pessoas Divinas distintas entre si; no Pai, como o Deus invisível, no Senhor também, mas não Deus quanto ao Seu Humano. A segunda é porque creem que Deus é um espírito, e sobre o espírito pensam como um vento, ou como o ar, ou como o éter, quando, todavia, todo espírito é homem. A terceira é porque o cristão, por sua fé só e não pela vida, tornou-se mundano, e, pelo amor de si, corpóreo; e o homem mundano e corpóreo não vê Deus senão pelo espaço, assim, Deus como todo íntimo no universo, ou na natureza, por conseguinte, como extenso, quando, todavia, não se deve ver Deus pelo espaço, pois não há espaço no mundo espiritual; o espaço ali é uma aparência de algo semelhante. [3] Todo homem sensual também vê Deus de modo semelhante, porque esse pouco pensa acima da linguagem, e o pensamento da linguagem diz consigo mesmo: ‘O que o olho vê e mão toca, isto sei que existe’, e as demais coisas ele dissipa como se fossem somente ditas. Estas são as razões pelas quais não há no mundo cristão a ideia de Deus como Homem. Examina-te, pensa somente no Divino Humano, e saberás que não há [essa ideia] e, mesmo, que ela é rejeitada. E, no entanto, o Humano do Senhor é Divino. Mas essas ideias de Deus não são tanto dos simples, mas dos inteligentes, pois o orgulho da própria inteligência cegou muitos deles e o conhecimento daí os enganou, segundo as palavras do Senhor (Mt. 11:25; 13:13-15). Saibam, porém, que todos os veem Deus como Homem, veem-No pelo Senhor, e os restantes por si mesmos, e os que veem por si mesmos não veem.