. “No copo que misturou, misturai-lhe em dobro”. Que isto signifique a muita retribuição conforme profanaram o vero, vê-se pela significação de ‘copo’, que é o vero e, no sentido oposto, o falso, porque pelo ‘copo’ é significado o mesmo que pelo ‘vinho’ (vide nos n. 887 e 1045); pela significação de ‘misturar’, que é profanar, pois quem mistura o falso com o ver, ou o vero com o falso, profana (de que se tratará a seguir); e pela significação de ‘dobro’, que é muito, e se diz da retribuição (de que se tratou logo acima, n. 1115). Que ‘misturar’ signifique profanar é porque se diz do vinho que está no copo, pelo que é significado o vero e, no sentido oposto, o falso; e quando o vero e o falso são misturados, dá-se então a profanação (de que se tratou acima, n. 1053-1063). O mesmo é significado por ‘misturar’ em David: “Há um copo na mão de Jehovah, e misturou o vinho, encheu de mistura, e derramou daí. Mas as sua fezes eles sorverão, todos os ímpios da terra beberão” (Sl. 75:8); pelo ‘copo na mão de Jehovah’ e pelo ‘vinho’ é significado o Divino Vero; por ‘misturar’ e pela ‘mistura’ é significada a profanação, pois se entende a confusão do falso com o vero; por ‘derramou daí, mas as fezes eles sorverão, todos os ímpios da terra beberão’ é significada a punição da profanação. Por aí é evidente o que é significado por ‘misturar o copo’ que está no Apocalipse. * * * * * * * [2] Continuação sobre a Fé Atanasiana e sobre o Senhor Foi por causa desse ínsito que os antiquíssimos, mais do que a posteridade, adoraram a Deus visível sob a forma Humana. Que eles até tenham visto Deus como Homem, a Palavra o prova; por exemplo, onde se trata de Adão, que ouviu a voz de Jehovah andando no jardim; de Moisés, que falou com Jehovah boca a boca; de Abrahão, que viu Jehovah no meio de três anjos; que Ló falou com dois deles; Jehovah também foi visto como Homem por Hagar, por Gedeão, por Josué e por Daniel como o “Ancião de dias” e o “Filho do homem”, do mesmo modo que João, como o ‘Filho do homem” no meio dos sete castiçais, bem como por outros profetas. Que tenha sido o Senhor que foi visto por eles, Ele o ensina onde diz Que Abrahão exultou ao ver o dia d’Ele, e que viu e alegrou-se (Jo. 8:56), Também, que Ele era antes que Abrahão existisse (Jo. 8:58); E que Ele era antes que o mundo existisse (Jo. 16:5, 24). [3] Que não tenha sido o Pai, mas o Filho, que foi visto, é porque o Divino Ser, que é o Pai, não pode ser visto senão pelo Divino Existir, que é o Divino Humano. Que o Divino Ser, que é chamado Pai, não seja visto, o Senhor também ensina em João: “O Pai que Me enviou, Ele mesmo testifica de Mim; e nuca ouvistes a voz d’Ele, nem vistes a Sua aparência” (Jo. 5:37); no mesmo: “Não que alguém tenha visto o Pai, a não ser que está” no Pai. “Esse viu o Pai” (Jo. 6:46); e no mesmo: “Deus, ninguém jamais viu; o Filho unigênito, que está no seio do Pai, Ele [O] manifestou” (Jo. 1:18). Por essas passagens é evidente que o Divino Ser, que é o Pai, não foi visto pelos antigos, nem pôde ser visto; e, no entanto, foi visto por meio do Divino Existir, que é o Filho. [4] Uma vez que o Ser está em seu Existir como a alma está em seu corpo, por isso quem viu o Divino Existir, ou Filho, esse viu o Divino Ser, ou Pai. Isto o Senhor confirma por estas palavras: “Disse... Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai; ... disse-lhe Jesus: Há tanto tempo estou convosco, e não me conheceste, Filipe? Quem vê a Mim, vê o Pai. Como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” (Jo. 14:7, 8). Por essas palavras é manifesto que o Senhor é o Divino Existir, no qual está o Divino Ser, assim o Deus Homem que foi visto pelos antigos. Dessas citações segue-se que a Palavra deve ser entendida também segundo sentido da letra, que Deus tem face, tem olhos e ouvidos, e também mãos e pés. * * * * * * *