. “E viúva não sou”. Que isto signifique que não estão sem proteção, vê-se pela significação de ‘viúva’, que é aquele que está na afeição do bem e, por ela, deseja o vero. Que pela ‘viúva’ aqui seja significada a proteção, assim, por ‘não ser viúva’, que não está sem a proteção, é porque o bem e sua afeição não se protegem a si mesmos, mas são protegidas pelo vero e seu entendimento, pois o varão que a protege significa o entendimento do vero, assim, o vero. Com efeito, o casamento do carão e da mulher é absolutamente como o casamento do vero e do bem, pois o varão nasceu para ser entendimento do vero; daí, este predomina nele. E a mulher nasceu para ser afeição do bem; daí, esta predomina nela. E assim como o bem e o vero se amam mutuamente e querem ser conjuntos, assim o entendimento do vero e a afeição ou vontade do bem. Além disso, o amor conjugal do marido e da esposa deriva sua origem do casamento espiritual do vero e do bem (assunto que se vê na obra O Céu e o Inferno, n. 366-386). [2] O mesmo que aqui é significado pela ‘viúva’ em Isaías: “Ouve isto, [tu], que é dada a prazeres, que se senta confiantemente, dizendo no coração: Eu, e fora de mim não há [outra]; não me sentarei viúva, nem conhecerei a perda de filhos; mas a ti virão estes dois males num só momento: ... a perda de filhos e a viuvez” (Is. 47:8, 9). Essas palavras também foram ditas a respeito de Babel, e por elas são significadas as mesmas coisas que por estas no Apocalipse: ‘Viúva não sou, e o pranto não verei; por causa disso virão a ti num só dia as suas pragas, morte, e choro, e fome’. Pelas ‘viúvas’ também em outras passagens na Palavra são significados tanto as mulheres quanto os homens que estão no bem e não no vero, e, no entanto, desejam o vero; assim, os que estão sem proteção contra o falso e o mal, e são, todavia, protegidos pelo Senhor. E, também, no sentido oposto, como em Is. 9:17; 10:1, 2; Jr. 15:7-9; 22:3; 49:10-11; Lm. 5:3; Ez. 22:6-7; David, Sl. 68:9; Sl. 146:9; Êx. 22:21-24; Dt. 10:18; 27:19; Mt. 23:14; Lc. 20:47; e outras passagens. [3] Continuação sobre a Fé Atanasiana e sobre o Senhor A Vida, considerada em si mesma, que é Deus, não pode criar outro que seja a única Vida, pois a vida que é Deus é incriada, é contínua e não separável. Daí é que Deus é um. Mas a Vida, que é Deus, pode criar formas de substâncias que não são vidas, nas quais a vida pode estar e fazer com que vivam, por assim dizer. Essas formas são os homens. Como elas são receptáculos de vida, em sua primeira criação não puderam deixar de ser imagens e semelhanças de Deus; imagens pela recepção do vero, e semelhanças pela recepção do bem, porque a vida e seu recipiente se adaptam como o ativo e o passivo, mas não se misturam. Daí é que as formas humanas, que são recipientes de vida, não vivem por si, mas por Deus, que, unicamente, é a Vida. Por isso, como é notório, todo bem do amor e todo vero da fé vêm de Deus, e nada do homem, porque, se no homem um pouco que fosse de vida sua, ele poderia querer e fazer o bem por si, como também entender e crer no vero por si, e assim ter mérito. No entanto, se o homem crer nisso, a forma superior recipiente de vida se fecha, é pervertida e a inteligência perece. O bem e o seu amor, e o vero e a sua fé, são a Vida que é Deus, pois Deus é o Bem mesmo e o Vero mesmo. Por isso Deus habita neles, no homem. Disto se segue que o homem nada é por si mesmo, e é tanto quanto recebe do Senhor e, ao mesmo tempo, reconhece que isto não é seu, mas do Senhor. Então o Senhor lhe concede ser alguma coisa, ainda que não por si, mas pelo Senhor.