. (Vers. 8) “Por causa disso, em um só dia virão as suas pragas”. Que isto signifique que, por serem tais, é o último estado deles e, então, a destruição, vê-se pela significação de ‘por causa disso’, que é porque eles são tais, a saber, que se gloriam e se deleitam com a dominação sobre o céu e sobre a igreja, e confiam em seu poder e sua proteção, e não no poder e na proteção Divina; pela significa de ‘naquele dia’, que é o último estado deles (o ‘dia’ significa o estado, aqui, o último, porque se segue que então haverá ‘morte, pranto e fome’); e pela significação de ‘pragas’, que são as coisas que destroem a vida espiritual; assim, são a destruição (de que se tratou no n. 584). Pelo último estado, significado aqui pelo ‘dia’ em que virão as pragas deles, é significado o estado em que não há mais bem e vero algum restando neles. E visto que, então, acham-se completamente destruídos quanto à vida espiritual, vem a destruição, a saber, o juízo final sobre eles. Que não tenha vindo antes é porque então não há mais ligação ou conjunção alguma do céu com eles, e quando não há ligação ou conjunção, faz-se então a separação, e a separação é o juízo final; e quando isto acontece, então os maus são lançados no inferno e os bons, tirados do meio deles, são elevados ao céu. Porque, tão logo se desfaz a ligação do céu com a alguém, ele cai imediatamente no inferno. É somente a ligação com o céu, assim, com o Senhor, que mantém alguém afastado do inferno.
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[2] Continuação sobre a Fé Atanasiana e sobre o Senhor
Se se disser e pensar que a Vida mesma é Deus, ou que Deus é a Vida mesma, e não houver ao mesmo tempo alguma ideia acerca do que é a vida, então não se entende o que é Deus além dessas palavras. Há duas ideias do pensamento do homem: uma abstrata, que é espiritual, e outra não abstrata, que é natural. A ideia abstrata, que é espiritual, a respeito da Vida, que é Deus, é que ela é o Amor mesmo e a Sabedoria mesma, e que o amor pertence à sabedoria e a sabedoria pertence ao amor. Mas a ideia não abstrata, que é natural, a respeito da Vida, que é Deus, é que o Seu Amor é como o fogo e a Sua Sabedoria é como a luz, e ambas juntamente são como um raio de luz. Essa ideia natural é tomada da correspondência, pois o fogo corresponde ao amor e a luz corresponde à sabedoria. Por esse motivo, o ‘fogo, na Palavra, significa o amor, e a ‘luz’ significa a sabe. E quando alguém prega pela Palavra, ele até suplica que o fogo celeste acenda os corações, e então se entende o Divino Amor, e que a luz celeste ilumine as mentes, e então se entende a Divina Sabedoria. O Divino amor, que na Divina Sabedoria é a Vida mesma, que é Deus, não pode ser compreendido [cogitari] em sua essência, pois é infinito e, assim, transcende, mas pode ser compreendido em sua aparência. O Senhor aparece perante os olhos dos anjos como Sol, e desse Sol procede o calor e procede a luz; o Sol é o Divino Amor, o calor é o Divino Amor procedente, que se chama Divino Bem; e a luz é a Divina Sabedoria procedente, que se chama Divino Vero. No entanto, não se pode ter a respeito da Vida que é Deus a ideia de fogo, ou de calor, ou de luz, a não ser que nessa ideia haja ao mesmo tempo a ideia do amor e da sabedoria, por conseguinte, que o Divino Amor seja como fogo e a Divina Sabedoria como a luz, que o Divino Amor unido à Divina Sabedoria seja como um raio de luz. Com efeito, Deus é o perfeito Homem, tem face como homem e corpo como Homem, não diferente quanto à forma, mas quanto à essência. É a Sua essência que é o Amor mesmo e a Sabedoria mesma, assim, a Vida mesma.
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