. (Vers. 9). “E chorarão por ela e lamentar-se-ão sobre ela os reis da terra”. Que isto signifique o pranto e a dor de coração daqueles que exerceram essa autoridade, vê-se pela significação de ‘chorar e lamentar, que é o pranto e a dor de coração (de que se tratará a seguir); pela significação de ‘reis da terra’, que são os que estão nos veros do bem e, no sentido oposto, os que estão nos falsos do mal (de que se tratou nos n. 29, 31, 625, 1034 e 1063); aqui, os que exerceram essa autoridade são daí chamados ‘reis da terra’, e pela ‘terra’ se entende a igreja. Que eles sejam significados pelos ‘reis da terra’ é evidente pelo que se segue, pois se diz ‘os que com ela cometeram escortação e se deliciaram’, pelo que é significado os que estiveram nos falsos e males pelo prazer dessa autoridade. Os que estão nos veros do bem, que também são significados pelos ‘reis da terra’, não podem ‘chorar por ela e lamentar-se sobre ela’. [2] Diz-se ‘chorar’ e ‘lamentar’, porque o choro significa o pranto por causa dos falsos, e ‘lamentar’, por causa dos males, porque uns e outros foram perdidos. Assim, ‘chorar’ se refere ao falso que eles chamaram de vero, e ‘lamentar’ se refere ao mal que eles chamaram de bem. Daí é que na Palavra se diz ‘choro’ e ‘lamento’, como em Jeremias: “Ó filha do Meu povo... faz para ti choro de unigênito, lamento de amargura, porque de súbito virá o devastador sobre nós” (Jr. 6:26); aqui se diz ‘choro’ por causa do vero perdido, e ‘lamento’ por causa do bem perdido. O ‘devastador’ significa a privação de ambos e, assim, o fim da igreja. Em Miquéias: “Chorarei como os dragões, e lamentarei como as filhas da coruja” (Mq. 1:8). Como o ‘lamento’ se refere ao bem e, no sentido oposto, ao mal, por isso se diz ‘chorarei como os dragões’; os ‘dragões’ são os que estão nas cobiças do mal. E como o ‘lamento’ se refere ao falso, diz-se ‘lamentarei como as filhas da coruja’; as ‘filhas da coruja’ são os que estão nas falsidades e nos encantos delas; as ‘corujas’ significam os falsos porque elas veem nas trevas e não na luz. Em Zacarias: “Lamentarão sobre isto como o lamento pelo unigênito, e chorarão sobre isto como o choro pelo primogênito” (Zc. 12:10); aqui, também, o ‘lamento’ se diz da privação do bem, e ‘choro’, da privação do vero. Em Jeremias: “Não entres numa casa de choro, e não vás a lamentar” (Jr. 16:5), semelhantemente. As duas coisas são mencionadas por causa do casamento do bem e do vero e, também, por causa do casamento do que não é bem e vero, que há em cada coisa da Palavra. * * * * * * * [3]Continuação sobre a Fé Atanasiana e sobre o Senhor Que todas as coisas venham da Vida mesma, que é Deus e que é a Sabedoria e o Amor, pode ser ilustrado também pelas coisas criadas, quando consideradas pela ordem. Porque é pela ordem que os céus angélicos, consistindo de milhares e milhares de sociedades, agem como um só, pelo amor ao Senhor e pelo amor para com o próximo, e são mantidos em ordem pelos Divinos veros, que são as leis da ordem. E [é pela ordem], também, que abaixo delas os infernos, que também são distintos em milhares e milhares de congregações, são mantidos em ordem por meio de julgamentos e punições, a fim de que, embora estejam nos ódios e nas insanidades, não possam, contudo, causar dano algum aos céus. É também pela ordem que entre os céus e os infernos há o equilíbrio em que está todo homem no mundo e no qual se é conduzido, se pelo Senhor, ao céu, se por si mesmo, ao inferno. Pois é uma lei da ordem que o homem faça o que faz pelo livre segundo a razão. [4] Como tantas miríades de miríades de homens, desde a criação, se dirigiram para lá, e perpetuamente se dirigem como rios, e cada um é de gênio e amor diferente, eles não poderiam de modo ser consociados como um só a menos que houvesse um só Deus que é a Vida mesma, e esta a Sabedoria mesma e o Amor mesmo, e, assim, a Ordem mesma. Estas coisas em relação ao céu. No mundo, porém, a Ordem Divina se manifesta pelo sol, a lua, os astros e os planetas. O sol faz, em aparência, os anos, os dias e as horas, e também as estações do ano, que são a primavera, o verão, o outono e o vero; e os tempos do dia, que são a manhã, o meio-dia, a tarde e a noite, e anima todas as coisas do planeta segundo a recepção de seu calor na luz e de sua luz no calor, e, segundo a recepção, abre, dispõe e prepara os corpos e as matérias que estão no planeta e sobre o planeta, para receberem o influxo do mundo espiritual. Daí, no estação da primavera, pela união do calor e da luz, as aves do céu e os animais da terra então retornam ao amor de proliferar e à ciência de tudo o que lhe pertence, e os vegetais ao esforço e ao ato de produzir folhas, flores e frutos, e nestes as semente para perpetuarem seu gênero eternamente e para multiplica-lo infinitamente. [5] É, também, pela ordem que a terra produz os vegetais e os vegetais alimentam os animais, e estes e aqueles servem ao homem para uso, para comida, para veste e para o prazer; e como é no homem que Des está, por isso todas as coisas retornam a Deus, de Quem vieram. Por essas afirmações é evidente que as coisas criadas sucedem em tal ordem que um é para o outro, e para sejam perpétuos fins que são usos, e os fins que são usos sejam constantemente levados a retornarem a Deus, de quem vieram. Ora, isto testifica que todas as coisas são criadas pela Vida mesma, que é a Sabedoria mesma; e também testificam que o universo criado está repleto de Deus.